
Endrick e Igor Thiago. De repente, dois atacantes brasilienses se destacam em duas das cinco principais ligas da Europa. Há espaço para os dois na próxima convocação do técnico Carlo Ancelotti para os amistosos de março contra a França e a Croácia nos Estados Unidos, a última lista antes do anúncio dos 26 eleitos para disputar a Copa do Mundo a partir de 11 de junho?
Vamos por partes. Vou achar um ponto de intersecção entre Endrick e Igor Thiago para mostrar onde o destino deles pode se cruzar — e um atrapalhar o outro. Ou até mesmo ambos serem preteridos.
É cedo para sustentar uma tese sobre a convocação de Endrick, mas o atacante emprestado pelo Real Madrid ao Lyon começa a dar argumentos fortes para defender uma oportunidade ao jogador de 19 anos.
A primeira delas é a tal da minutagem. Endrick jogou 235 minutos pelo Real Madrid nesta temporada. Acumula 161 com a camisa do Lyon desde a transferência para o clube francês.
Endrick tem um gol na temporada. Balançou a rede na vitória do Lyon contra o Lille na fase de 16 avos da Copa da França. O brasiliense deu uma assistência para o gol do lateral brasileiro Abner na vitória contra o Brest. A primeira dele em 2025/2026.
Quem esperava ver o atacante intimidado no Campeonato Francês tem se enganado. Atrevido, Endrick tem arriscado lances de efeito, arrancadas, passes decisivos e não tem fugido das divididas, na disputa por ela, algumas muito duras. Improvisa para sair da falta.
O contra-argumento é posição na qual Endrick tem jogado. Embora vista a camisa 9, ele tem sido posicionado como ponta-direita pelo técnico português Paulo Fonseca. É o parceiro de ataque do tcheco Pavel Sulc e do português Afonso Moreira. Esse pode ser um problema.
Endrick inicia a passagem pelo Lyon no papel de ponta direita. Justamente a posição mais congestionada no ataque verde-amarelo. Carlo Ancelotti dispõe de Estêvão e Raphinha para o setor. Rodrygo sabe jogar por ali. Luiz Henrique é querido pelo italiano. Antony é outro forte candidato. O italiano tem uma demanda imensa por um camisa 9 raiz, centroavante.
O melhor jogador com essa característica no momento é um conterrâneo de Endrick. O brasiliense Igor Thiago esfrega na cara da sociedade a vice-artilharia na Premier League, o Campeonato Inglês, com 16 gols. Só fica atrás de Erling Haaland. O norueguês coleciona 20 bolas na rede.
Trata-se do principal goleador do país no momento nas cinco principais ligas da Europa na posição mais carente do país ao lado das laterais. Richarlison, Igor Jesus, Gabriel Jesus, Matheus Cunha e outros tantos candidatos a 9 não ostentam a performance dele no momento. Simples assim.
A convocação de março deve cruzar os destinos de Endrick e Igor Thiago e dar espaço a apenas um deles. Se optar por um centroavante, Carlo Ancelotti pode testar Igor Thiago na vaga aberta para um centroavante clássico, raiz.
Pesa a favor de Endrick o fato de o italiano conhecê-lo por terem trabalhado juntos no Real Madrid e ele ser híbrido, ou seja, um atacante de mobilidade. Contra, o posicionamento atual no papel de ponta direita no Lyon. Como expliquei, uma posição congestionada no elenco da Seleção Brasileira.
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