Endrick conta que foi vítima de racismo em Brasília: “Tinha nove anos”

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No Dia da Consciência Negra, o atacante Endrick, caçula da Seleção na convocacacao desta Data Fifa aos 17 anos, revela ter sido vítima de injúria racial em Brasília, aos nove anos, em uma partida de futebol pelas categorias de base. A história foi contada em entrevista ao portal GE em entrevista aos colegas Bruno Cassucci, Cahê Mota e Eric Faria, na Granja Comary, em Teresópolis (RJ

“Racismo é uma coisa forte. É difícil para nós falarmos. É triste ver isso. Eu sofri, sim, quando tinha 9 anos em Brasília. Minha tia foi na Polícia, fez boletim (de ocorrência) e não deu em nada”, lamenta Endrick.

O jogador brasiliense nascido em Taguatinga e criado no Céu Azul, em Valparaiso, detalhou a injúria. “Era 1 x 1, um jogo em Brasília, eu fiz o gol da virada e fui comemorar. Os pais dos garotos do outro time, acho que subiu raiva no coração deles, começaram a me chamar de macaco, fazer gestos obscenos. De pequeno, eu não sabia. Minha tia foi na polícia, fez o boletim de ocorrência, mas não deu em nada. Quando fiquei sabendo, deixei nas mãos de Deus. As pessoas que fazem isso com Vini ou que fazem na Libertadores, que acontece bastante também, Deus vai pesar a mão, fazer o que for preciso para essas pessoas melhorarem ou vai acontecer algo pior quando Ele voltar”, afirmou.

Endrick mostrou-se maduro, pronto e estratégico para combater o racismo. “Não vou me abalar com isso, vou seguir de cabeça erguida. Se eles fizerem, eles vão ficar bravos porque eu não vou me irritar, vou ficar tranquilo.

Endrick também falou sobre o sonho de jogar no Maracanã alimentado desde as escolinhas, em Brasília. “Lá em Brasília tem muitos torcedores do Flamengo e eles falavam. E eu dizia: quero jogar pela Seleção. Até me arrepio falando isso. Eu decretei que queria jogar no Maracanã com a Seleção e será com a Seleção que vou jogar lá”, determinou.

“Quando joguei no Palmeiras e Vasco, meu pai falou: faz um gol por favor. Eu espero que agora, com a Seleção, a que mais tem Copas do Mundo, a maior que tem, estar jogando por essa seleção é gratificante para mim, ainda mais no Maracanã. Se eu fizer um gol, não sei o que vou fazer. Mais importante que o gol é a vitória, espero que a gente possa ganhar”, diz.

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Marcos Paulo Lima

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