Jô, artilheiro da Série A ao lado de Henrique Dourado com 16 gols. Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Para abrir a resenha, uma constatação. O Brasil caminha para ter 9, repito,9 dos seus 12 clubes mais tradicionais na Copa Libertadores da América de 2018. As presenças de Grêmio e Flamengo na reta final dos torneios continentais e a classificação elitizada do Brasileirão ajudam. Vamos ao campo das hipóteses…
Se o tricolor gaúcho e o time rubro-negro conquistassem hoje a Libertadores e a Copa Sul-Americana, respectivamente, os classificados para o principal torneio de clubes das Américas no ano que vem seriam: Corinthians, Santos, Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo, Flamengo, Vasco e São Paulo. Apenas Atlético-MG, Fluminense e Inter (está na Série B) ficariam fora.
É uma prova de que o Campeonato Brasileiro virou uma mãe. E que, talvez, a tendência nos próximos anos é uma competição cada vez mais elitizada, com os ricos na primeira metade da classificação e os menos favorecidos na briga como coadjuvantes e/ou lutando contra o rebaixamento. E pensar que o país já foi representando neste século pelo São Caetano na final da Libertadores de 2002 e pelo Atlético Paranaense na decisão de 2005. A lista de classificados pode apontar uma nova ordem.
A Fiel venceu o clássico contra o Palmeiras no sábado, ou seja, 24 horas antes do jogo. Um espetáculo a presença no último treino comandado por Fabio Carille. A partida foi consequência do apoio maciço. Um time elétrico, pilhado, principalmente no primeiro tempo, não deu chance ao arquirrival. Jogou como o Corinthians do primeiro turno. Eficiente nas finalizações e sincronizado na marcação. Quando permitiu que o alviverde ensaiasse uma reação, ao sofrer o gol de Mina, retomou as rédeas. Protagonista da melhor média de público da Série A, a torcida mostrou que não está nem um pouco a fim de perder o heptacampeonato. Os jogadores entenderam o recado e honraram o esforço do bando de loucos. Venceu quem foi melhor nos 90 minutos. O melhor time disparado em 32 rodadas está pertinho do título. A torcida pode até se dar ao luxo escolher nas resenhas desta segunda-feira se prefere ganhar a taça com ou sem emoção.
Não é de hoje que reclamo do excesso de cruzamentos e de gols de cabeça no Brasileirão. Faz parte do jogo, eu sei, é um dos caminhos para chegar ao gol, mas há exageros. Em um dos pitacos neste ano, até comparei com a quantidade de gols de cabeça no Campeonato Inglês. A vitória do Santos sobre o Atlético-MG impressiona. O Peixe venceu por 3 x 1. Os quatro gols do duelo foram… de cabeça. O repertório é muito. Estamos falando de dois clubes grandes, de dois elencos caros e tecnicamente bons. Simplesmente lamentável.
Reinaldo Rueda disse que a culpa da virada do Grêmio é dele. E é, mesmo. Candidato a ser o primeiro brasileiro campeão da Libertadores como jogador e técnico, Renato Gaúcho deu nó na cabeça do colombiano — atual campeão do torneio continental. A entrada de Everton na equipe tricolor foi o golpe perfeito na vitória por 3 x 1. Rueda custou a entender a mudança e a apresentar o antídoto. Aliado a isso, as falhas bizarras de Pará, Rhodolfo e Rafael Vaz. É um desperdício o Grêmio fora da briga pelo título. Renato Gaúcho priorizou a Libertadores. Só acho que exagerou na dose em algumas partidas com reservas.
Tuitei ontem após a derrota do Flamengo por 3 x 1 para o Grêmio e repito aqui na resenha uma constatação baseada em fatos —rubro-negros da turma do oba-oba não gostam de ouvir ou ler a verdade nua e crua. O time rubro-negro já disputou 16 jogos contra os chamados grandes nesta Série A. Falo de Botafogo, Fluminense, Vasco, Corinthians, São Paulo, Santos, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio. Sabe quantos venceu? Dois! Ambos no primeiro turno. As vítimas foram Vasco (0 x 1 em São Januário) e São Paulo (2 x 0 na Ilha do Urubu).
Dos 48 pontos, ganhou 14, um aproveitamento vergonhoso de 29%. Detalhe: nas últimas seis rodadas, o time enfrentará Cruzeiro, Santos, Corinthians e Palmeiras. É simplesmente assustador. A chance de ficar fora da Libertadores via Brasileirão é altíssima. Com um time bem mais humilde, o Flamengo fez 71 pontos em 2016 e foi direto para a fase de grupos. Terminou o Brasileirão em terceiro. Cheio da grana e de reforços em 2017, chegará no máximo a 65. Hoje, tem 47. Pontuação suficiente apenas para confirmá-lo na Série A em 2018 e na Pré-Libertadores. A campanha é tenebrosa.
» Flamengo contra os grandes nesta Série A
Resumindo: 16 jogos, 2 vitórias, 8 empates, 6 derrotas. Aproveitamento de 29,1%.
Que vacilo do Vasco. Teve uma excelente oportunidade de ultrapassar o Flamengo e entrar no sonhado G-7, mas empatou com o Vitória. Escrevi aqui outro dia e repito. O Flamengo e o Vasco de Zé Ricardo são irmãos gêmeos. Começam os jogos com tudo, muitas vezes abrem o placar, mas são incapazes de matar o jogo. Recuam demais, sofrem empates bizarros e até derrotas anunciadas ao longo das partidas. Isso não é Flamengo nem Vasco. É simplesmente Zé Ricardo em sua essência. É um bom treinador, mas precisa rever alguns conceitos. Recuar o time quando está vencendo, por exemplo. As vaias da torcida no Maracanã são merecidas.
A torcida do Cruzeiro tem que estar orgulhosa do Cruzeiro na resenha desta segunda-feira. Puxando aqui pela memória, o último campeão da Copa do Brasil que levou a sério o Brasileirão até a última rodada foi o Vasco de 2011, aquele de Ricardo Gomes no primeiro turno e de Cristóvão Borges no segundo. Normalmente, rola um relaxamento. O Vasco brigou pelo título com o Corinthians até a última rodada. O Cruzeiro não repetirá o feito, mas é um dos melhores times do segundo turno com 24 pontos. Palmas para Mano Menezes e para Dorival Júnior.
Sim, o São Paulo é o outro líder da segunda metade do campeonato. O tricolor, que até pouco tempo brigava contra o inédito rebaixamento, ostenta a maior sequência de vitórias do momento na Série A — três. Se brincar, irá para a Libertadores. Basta continuar nesse ritmo e torcer por títulos do Grêmio (Libertadores) e do Flamengo (Copa Sul-Americana) para o inesperado presente de Natal sair da embalagem bem antes de 25 de dezembro.
Se tem um time que merece disputar a Libertadores novamente em 2018 é o Botafogo. As derrotas nos clássicos contra o Vasco e o Fluminense abalam a confiança do Glorioso. Porém, a sexta posição está de bom tamanho. Colocação estratégica. Se há um time que não merece ser rebaixado é o Fluminense. Abel Braga faz um trabalho excelente com os meninos tricolores. Os altos e baixos são efeitos colaterais da juventude do elenco. A vitória de virada sobre o Botafogo aconteceu em ótima hora. O time havia cedido o empate ao Flamengo na quarta, digeria uma eliminação surpreendente na Sul-Americana e era obrigado a reagir na Série A. Triste por Jair Ventura, mas contente por Abel Braga, que conseguiu afrouxar o nó da gravata.
Atlético Paranaense em 11º na Série A. Questão de tempo para escapar do rebaixamento. Coritiba um tiquinho distante do Z-4 após a goleada por 4 x 0 sobre o Avaí. Paraná Clube em quarto na Série B. Caminhamos parar ter os três grandes do Paraná juntos na Série A pela primeira vez desde que a elite passou a ter 20 clubes. A última vez que os três participaram da primeira divisão do Campeonato Brasileiro foi em 2005. Lá se vão 12 anos de abstinência. Ah, só para lembrar. O Operário de Ponta Grossa conquistou a Série D neste ano.
Ernesto Valverde lidera o Campeonato Espanhol com o Barcelona. Pep Guardiola segue em primeiro no Campeonato Inglês. Unai Emery não larga a dianteira do Campeonato Francês. Enquanto a Espanha quebra o pau discutindo o separatismo da Catalunha, três treinadores do país fincam a bandeira do país em três das cinco principais ligas nacionais da Europa. Dificilmente um deles deixará o título escapar. A Bundesliga tem um técnico alemão no topo e a Serie A, um italiano. A escola espanhola nunca esteve tão em alta no mundo da bola.
» Acréscimos
Não, não esqueci do futebol candango aqui na resenha. Depois do atual campeão Brasiliense, o Gama se apresenta nesta segunda-feira para começar a pré-temporada de 2018. Recentemente, fiz uma entrevista com Carlos Alberto Dias. O herói de títulos estaduais do Botafogo e do Vasco nos anos 1990 é o escolhido para comandar o alviverde no Campeonato do DF.
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