Richarlison foi um dos três centroavantes usados por Diniz no empate da Seleção. Foto: Vitor Santos/CBF
O empate por 1 x 1 com a Venezuela escancara uma carência gravíssima da Seleção Brasileira desde a aposentadoria de Ronaldo da amarelinha na Copa de 2006. Fernando Diniz usou todos os três centroavantes disponíveis. Richarlison, Gabriel Jesus e Matheus Cunha entraram em campo e não funcionaram. Havia sido assim também contra Bolívia. Eles não marcaram naquele 5 x 1.
O gol desta quinta-feira foi de um zagueiro pelo segundo jogo consecutivo em uma cobrança de escanteio manjada, ensaiada exaustivamente por Neymar à caça de Marquinhos ou de Gabriel Magalhães. O que deveria ser acessório virou a maior arma do início de trabalho. Gabriel Jesus e Matheus Cunha atuaram juntos no fim da partida. Nem assim saiu gol de um “nove”. Diniz enfrenta Tiquinho Soares, Marcos Leonardo e o contundido Vitor Roque no Campeonato Brasileiro, porém, ao que parece, eles não servem. Onde está escrito que devem ser convocados, diria ele. E nem falei do Pedro, Endrick…
O resultado é péssimo para o Brasil levando-se em conta a sequência de jogos. O adversário de terça-feira é o Uruguai, no Centenário, em Montevidéu. Na sequência, a Colômbia, fora de casa, e a atual campeã mundial Argentina, no Maracanã. Como encarar essa sequência sem um centroavante minimamente confiável? Talvez, renunciando um especialista. Desapegando-se de Neymar na função de meia ou ponta de lança como foi na Copa do Mundo e está sendo neste início de Eliminatórias. Adiantá-lo para formar trinca com Vinicius Junior e Rodrygo na frente. É isso ou tentar naturalizar German Cano para resolver temporariamente o drama de Diniz.
É inadmissível o Brasil não ter ao menos uma novidade no banco de reservas para a função de centroavante. Temos opções. Diniz não chamou Vitor Roque na primeira convocação para privilegiar o trabalho de Ramon Menezes na seleção pré-olímpica. Por que Marcos Leonardo não é chamado? Há algum preconceito com Tiquinho Soares do Botafogo? Citei os três artilheiros do Campeonato Brasileiro: Tiquinho (15), Marcos Leonardo (12) e Vitor Roque (11).
A noite foi dura para Fernando Diniz. Ele defendeu a convocação do volante Gerson e viu o escolhido falhar na marcação no lance do gol de empate da Venezuela. Apostou em Guilherme Arana e viu o lateral-esquerdo participar do combo no erro. Colocou André em campo e o menino de Xerém sentiu o peso da camisa. Colocou Vinicius Junior para jogar onde o astro do Real Madrid gosta e o atacante não teve uma noite feliz. Fez gol, porém estava impedido.
A melhor notícia da noite é Yan Couto. Campeão do Mundial Sub-17 em 2019 na final contra o México aqui em Brasília, o lateral-direito revelando pelo Coritiba entrou bem no lugar do lesionado Danilo e não sentiu a estreia. Esteve bem na defesa e no ataque. Fernando Diniz pode ter descoberto certo ou por linhas tortas alternativa para um setor tão carente.
O empate com a Venezuela também tem o dedo da CBF. Há pelo menos dois erros da entidade. O primeiro é a escolha de uma sede com calor insuportável para uma partida oficial de Eliminatórias. Os jogadores vindos da Europa sentiram a umidade. Aproveitavam para tomar água em qualquer paralisação de jogo. O gramado da Arena Pantanal estava visivelmente ruim. Fofo e soltando tufos. Faltava grama na pequena área do lado direito do vídeo. Calor e campo antes de um clássico duríssimo contra o Uruguai são erros evitáveis. Previsíveis.
As Eliminatórias para a Copa de 2026 são bizarras. Classificam seis direto para o primeiro Mundial com 48 seleções e um para a repescagem. O Brasil, obviamente, irá ao Canadá, Estados Unidos e México. A questão é dar combustível para uma crise desnecessária em uma competição protocolar, de cumprimento de tabela e respeito aos patrocinadores da Fifa e da Conmebol.
A sequência nas próximas três rodadas apresenta cascas de banana. O ano pode acabar mal de novo. Não por culpa de Fernando Diniz. O trabalho dele está começando e os conceitos demandam tempo. A Seleção está rompendo com o estilo posicional usado por Tite na Copa de 2022 para o funcional de Diniz. É uma guinada. A questão é maior. A começar, repito, pela falta de um camisa 9 confiável, decisivo, desde a aposentadoria de Ronaldo na Copa de 2006!
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