17 anos na vida de Branco: do vexame no Pré-Olímpico de Atenas-2004 ao ouro em Tóquio

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Aos 57 anos, Cláudio Ibrahim Vaz Leal, o Branco, é um personagem relevante na conquista do bi do Brasil no futebol masculino na vitória por 2 x 1 contra a Espanha, em Yokohama. O ex-lateral campeão da Copa de 1994 não tem dívida com a Seleção no papel de jogador, mas acumulava um débito de 17 anos como mandatário das equipes de base da CBF.

Branco era o coordenador das seleções de base da CBF no último grande fracasso do Brasil em um Pré-Olímpico. A geração de Robinho e Diego tinha um potencial incrível para brindar o país com o inédito ouro na Grécia, porém cometeu o pecado de ficar fora dos Jogos de Atenas-2004. Necessitou até da repescagem para avançar ao quadrangular final da seletiva sul-americana e amargou o terceiro lugar na última etapa da competição. Terminou à frente apenas do anfitrião Chile. Argentina e Paraguai se classificaram para o torneio.

Aquela Seleção ficou marcada pela irreverência. O auge das brincadeiras foi a cena flagrada pelo repórter fotográfico Vanderlei Almeida em que Robinho aparece baixando o calção do amigo Diego. Ambos eram estrelas da Seleção e do Santos. A imagem abriu uma crise na CBF em pleno Pré-Olímpico. O técnico Ricardo Gomes e Branco foram responsabilizados depois da derrota diante do Paraguai na última rodada.

Ricardo Teixeira, o técnico Carlos Alberto Parreira e o coordenador Mário Jorge Lobo Zagallo responsabilizaram os jogadores pelo fiasco. . “Os nossos atletas não se imbuíram do espírito da competição. A realidade é esta”, atacou o presidente da CBF à época.

Robinho baixa o calção de Diego enquanto o meia tira foto para perfil no Pré-Olímpico de 2004. Foto: Vanderlei Almeida/AFP

Dezessete anos depois do fracasso no Pré-Olímpico de 2004, Branco quita a dívida. Vacinado contra o oba-oba de Robinho e Diego, manteve as rédeas do grupo comandado pelo competente André Jardine do início dos trabalhos na Granja Comary, em Teresópolis, ao bi olímpico, em Yokohama. Cometeu excessos contra alguns clubes que peitaram a CBF para não ceder atletas, mas aprendeu a lidar com os problemas e ajudou a contorná-los.

Se houve algum problema no elenco bicampeão olímpico em Tóquio, aparenta ter sido devidamente controlado pela “cartilha” do dirigente. Não houve notícia de indisciplina na concentração. Ponto para o maduro Branco, que sobreviveu para ser campeão olímpico.

Branco foi internado ao ser diagnosticado com covid-19. Chegou a ser sedado e respirou com ajuda de aparelhos de ventilação mecânica. O caso do ex-jogador era delicado, em razão do sobrepeso e de comorbidades. No entanto, Branco teve boa recuperação, foi extubado, deixou a UTI e voltou a tempo de participar da campanha nos Jogos de Tóquio. Branco é um dos grandes personagens da história do segundo ouro do Brasil no futebol.

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Marcos Paulo Lima

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