De Arrascaeta a Veiga: shows dos meias dizem muito sobre o Atlético-MG

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Arrascaeta comandou a virada do Flamengo contra o Atlético-MG com um gol de falta e uma assistência para o lateral-direito Wesley no sábado pelo Campeonato Brasileiro. Raphael Veiga assumiu o protagonismo na vitória do Palmeiras no primeiro duelo com o Galo pelas oitavas de final da Libertadores. Quando meias de clubes diferentes jogam livres, leves e soltos em confrontos consecutivos diante de um adversário em comum, há algo de muito, muito errado no sistema de jogo de quem acumula essas sucessivas derrotas.

Não é razoável Arrascaeta deitar e rolar sem uma vigilância ostensiva. Sentado no banco de reservas, o uruguaio mapeou os atalhos para a reação do Flamengo. Entrou no lugar de Everton Ribeiro no segundo tempo e colocou o sistema defensivo do Atlético-MG no bolso. Era tarde demais quando Luiz Felipe Scolari esboçou a reação de cercar o maestro rubro-negro.

Abel Ferreira posicionou Raphael Veiga na fatia mais perigosa do sistema defensivo do Galo. A Zona 14, como citavam Tite, Cléber Xavier e César Sampaio nas entrevistas coletivas da Seleção Brasileira. A grande área e suas redondezas, batizada pelo comentarista João Saldanha de zona do agrião, serviu de caminho para a vitória alviverde. O meia aparece sozinho na finalização certeira de fora da área no canto direito do goleiro Éverson. Onde estavam os marcadores?

Há um detalhe interessantíssimo antes do arremate de Raphael Veiga. Quando a bola é lançada do campo de defesa do Palmeiras, Raphael Veiga escaneia o campo de jogo e ergue o braço pedindo a bola. O companheiro não percebe e escora para dentro da área. A bateria antiaérea afasta, mas o rebote cai nos pés de Veiga. Dois jogadores do Galo ficam vendo a banda passar.

O Palmeiras abriu vantagem de 1 x 0, mas poderia ter sido mais. O time de Abel desperdiçou a oportunidade de resolver a série no Mineirão. O Atlético tem, sim, chance de sair classificado do Allianz Parque, mas a essa altura da temporada parece improvável por vários motivos.

Um deles, a mudança desastrosa de técnico. Ao trocar Eduardo Coudet por Luiz Felipe Scolari, a diretoria alviverde ignorou conceitos de jogo, métodos de trabalho. Preocupou-se apenas em proteger o próprio lombo. Felipão blindou Ricardo Teixeira na campanha do penta em um período de CPI da CBF, na Nike e o escambau naquele período de 2001, 2002… O treinador é gigante. Tem cacife para isso. Daí a preferência de muitos cartolas por ele.

O desembarque de Felipão na Cidade do Galo provocou ruptura com o que Eduardo Coudet vinha construindo desde janeiro. Quebrou-se o principal elo do sistema ofensivo. Paulinho e Hulk eram uma dupla. Agora, é cada um por si. Jogam distantes. Desempenham papéis diferentes. Consequentemente, o Atlético tem muitas dificuldades para agredir, balançar a rede.

Do outro lado, Abel Ferreira volta a colocar em prática uma das virtudes dele: devolver o Palmeiras aos trilhos depois de um período de instabilidade. Ao vencer o Atlético, o Palmeiras se apresenta novamente como candidatíssimo a alcançar a final pela terceira vez em quatro anos. Sim, há camisas pesadas nessa banda da chave, como os campeões Atlético Nacional, Racing, Nacional, Boca Juniors e o próprio Galo, além do temido Independiente del Valle, mas se o Palmeiras voltar a jogar como no início do primeiro semestre, acho improvável alguém detê-lo.

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Marcos Paulo Lima

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