Uma das virtudes de Leonardo Jardim é a maleabilidade tática. O repertório dele no Monaco, no Al-Hilal e no Cruzeiro, por exemplo, mostra um sistema tático longe de ser o preferido dele, mas uma espécie de porto seguro em situações desconfortáveis como estrear na Libertadores em uma altitude de 3.399m. Para mim, o técnico português configurou o Flamengo no 4-1-4-1.
A linha defensiva formada por Rossi, Emerson Royal, Danilo, Léo Pereira e Ayrton Lucas tinha à frente o volante Evertton Araújo. O cão de guarda se arriscou muito pouco no campo de ataque. Guardou posição à frente da dupla de zaga. Sem a bola, formava bloco de cinco.
Evertton Araújo ganha a companhia de De La Cruz e de Lucas Paquetá e via Plata e Carrascal completar a recomposição para transformar o 4-1-4-1 em 4-5-1 sem a bola. Com isso, Bruno Henrique ficava solto na frente para encher a defesa do Cusco de preocupação. A velocidade dele era chave para uma transição rápida em busca do gol.
Ofensivamente, o Flamengo trabalhada com De La Cruz e Lucas Paquetá por dentro e Plata e Carrascal nas pontas atrás de Bruno Henrique. Movimentos sincronizados em busca de aproximação, passes curtos e espera por espaço para chegar com paciência à meta inimiga.
Leonardo Jardim jogou assim nas duas passagens pelo Monaco. Adotou o modelo nas semifinais do Mundial de Clubes de Clubes da Fifa, rebatizado de Copa Intercontinental, contra o Chelsea, quando perdeu por 1 x 0. Na passagem pelo Cruzeiro, montou o time celeste no 4-1-4-1 na primeira partida das semifinais do Mineiro contra o América.
O mérito do Flamengo foi entender o plano, executá-lo com destreza e colocar em ação a paciência de Jó para abrir o placar. Ayrton Lucas era o lateral mais agudo. Foi justamente dele o cruzamento na medida para Bruno Henrique colocar em ação um dos pontos fortes do ídolo rubro-negro: a finalização de cabeça. O Cusco empatou em impedimento anulado com o auxílio do VAR e Arrascaeta consolidou a vitória de um time equilibrado.
O Flamengo não estreava vencendo na Libertadores desde 2002. O time comandado à época por outro português, Paulo Sousa, venceu o Sporting Cristal por 2 x 0 justamente em Lima, no Peru. Algumas coincidências: Bruno Henrique também abriu o placar e Matheuzinho ampliou naquele 5 de abril. Coincidentemente, o Flamengo conquistou o tri.
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