CSA x Flamengo será em Brasília: entenda como a concessão do Maracanã à dupla Fla-Flu mudou o mercado de compra e venda dos mandos de campo

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A concessão temporária do Maracanã ao Flamengo e ao Fluminense causou reviravolta no mercado de compra e venda dos mandos de campo. O blog apurou com fontes dos dois clubes e com empresários que, para provar a viabilidade da administração do estádio mais badalado do país, a dupla Fla-Flu começou a rejeitar ofertas dos elefantes brancos construídos para a Copa do Mundo 2014 — casos de Mané Garrincha, Arena da Amazônia, Arena das Dunas e Arena Pantanal. Ambos eram clientes preferenciais desses estádios deficitários. O efeito colateral atinge em cheio os clubes de pequeno investimento. O assédio financeiro agora é sobre eles. A torcida do CSA, por exemplo, nem bem curtiu o retorno do clube à elite do Brasileirão, após quase 40 anos de espera, e terá de ver o time jogar em Brasília no Dia dos Namorados.

Em entrevista coletiva nesta terça-feira, o presidente do clube alagoano, Rafael Tenório, primeiro suplente do senador Renan Calheiros (MDB-AL) confirmou a informação publicada na segunda-feira pelo repórter Denílson Roma, de Maceió, no portal globoesporte.com. “Para o bem do CSA, temos a necessidade de fazer a venda do jogo contra o Flamengo. Então, nós vamos fazer o jogo contra o Flamengo em Brasília, dia 12 de junho”. A partida é válida pela nona rodada, a última antes da paralisação da competição para a Copa América.

A ofensiva para cima do CSA foi pesada. O blog apurou que o estádio havia sido bloqueado informalmente para 12 de junho, mas a reserva não estava confirmada por um motivo: um “leilão” nos bastidores. Pelo menos quatro empresas disputaram a compra do mando de campo do CSA. Os “lances” variaram de R$ 800 mil a R$ 1,5 milhão. A prova de que o clube alagoano fez um bom negócio é o argumento do presidente Rafael Tenório. “Com esses recursos, nós vamos buscar mais dois atletas, porque nossa intenção é a permanência na Série A”. O clube tem a promessa dos vencedores de que o dinheiro será depositado até sexta-feira.

“Para o bem do CSA, temos a necessidade de fazer a venda do jogo contra o Flamengo. Então, nós vamos fazer o jogo contra o Flamengo em Brasília, dia 12 de junho”

Rafael Tenório, presidente do CSA

Ao contrário do CSA, o Fortaleza tenta suportar a pressão. Em conversa com o blog nesta terça, o presidente Marcelo Paz admitiu ter sido procurado por promotores de jogo para negociar o mando de campo do clube contra o Flamengo no segundo turno, em 16 de outubro, pela 26ª rodada. “Houve sondagem, mas não chegou proposta”, revelou. Em seguida, Marcelo Paz manteve postura firme. “Não tenho intenção de tirar o time de perto da nossa torcida. Ela é o nosso maior patrimônio, nos jogos em casa ela é a nosso favor”.

A decisão do CSA não é ilegal. De acordo com o regulamento geral das competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os clubes podem negociar até cinco mandos durante o campeonato, exceto nas últimas cinco rodadas da competição. A confirmação depende da concordância do adversário, neste caso o Flamengo, e das aprovações das federações de Alagoas e do Distrito Federal. A partir disso, a CBF altera a tabela.

Na entrevista coletiva desta terça, Rafael Tenório disse que pretende comercializar mais partidas do CSA, menos contra concorrentes diretos contra o rebaixamento. “Tudo nosso aqui é muito planejado, muito discutido. Nós sabemos os 10 clubes com os quais nós não temos condições de concorrer. Nós não podemos pensar em um Flamengo, um Palmeiras, um Grêmio, um Inter, Cruzeiro, Atlético-MG… Nosso grupo qual é? É Avaí, é Fortaleza, é Ceará, é Bahia, é Chapecoense, é Vasco, Botafogo, Fluminense, Goiás. Então, nós estamos nesse grupo aí. Então, de repente, por exemplo, eu não penso em fazer a venda de um jogo CSA e Vasco, por exemplo. Não vou, porque eu posso trazê-lo para cá e porque é meu concorrente direto para livrar da zona de rebaixamento”, argumentou.

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Marcos Paulo Lima

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