Corinthians pode dar a Bruno Spindel o protagonismo que faltou no Flamengo

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O Corinthians pode dar a Bruno Spindel o protagonismo midiático que o dirigente não teve no Flamengo. O diretor executivo de futebol estava no centro das principais contratações do clube na era Rodolfo Landim, mas era discreto e respeitava uma certa hierarquia estabelecida no clube: ele, Fabinho Soldado e Juan eram coadjuvantes de Marcos Braz e assim conviveram harmonicamente.

A expressão “gelo no sangue”, por exemplo, fazia de Marcos Braz “o cara” nas principais negociações e contratações da gestão anterior e levava para ele os louros do anúncio dos reforços. Na verdade, havia o trabalho em equipe de um quarteto e Bruno Spindel era uma das principais peças daquela engrenagem no privado, ou seja, longe das câmeras. Além dele, Fabinho Soldado, que acaba de deixar o Corinthians, e o ex-zagueiro Juan formavam o time.

A ida para o Corinthians deu voz, poder e liberdade a Fabinho Soldado. Usando uma expressão do futebol, ele passou a jogar livre, leve e solto. Era muito mais ouvido e respeitado do que na passagem pelo Flamengo, quando Marcos Braz atraía os holofotes e deixava os outros três em segundo plano.

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As atribuições de Bruno Spindel no papel de diretor executivo de futebol sempre estiveram mais ligadas às negociações nos bastidores. Não se comportava de forma provocativa nas raras aparições públicas e muito menos em entrevistas. Agia muito mais estrategicamente de forma reserva do que se expunha justamente para se concentrar nos processos.

Aparecer é mais exceção do que regra no perfil de Bruno Spindel, mas o Corinthians pode cobrar uma mudança de postura ao tirá-lo de trás das cortinas para o palco. Fabinho Soldado praticamente não falava no Flamengo e virou a voz do clube paulista na temporada.

A escolha do Corinthians por Bruno Spindel é acertada levando-se em conta a experiência do dirigente em todas as fases do processo de reconstrução econômica e esportiva do Flamengo. Ele foi diretor de Marketing e CEO na gestão de Eduardo Bandeira de Mello; diretor executivo de futebol com Rodolfo Landim e ficou oito meses na administração atual de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, praticamente como assistente de José Boto.

A questão é: no Corinthians, Spindel não terá a fartura disponibilizada pelo orçamento do Flamengo e ele terá de se reinventar. Fabinho Soldado viu a vida como ela é no clube e conseguiu sair por cima com dois títulos na temporada: Campeonato Paulista e a Copa do Brasil.

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Marcos Paulo Lima

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