Como Tite saiu das cordas para o título da Sul-Americana no Internacional

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O Flamengo ganhou apenas um dos últimos seis jogos. A vítima foi o Amazonas, por 1 x 0, no duelo de ida da terceira fase da Copa do Brasil. Tite vive o momento mais delicado em seis meses e 29 dias no cargo. Tão crítico como o de 2008, quando passava por turbulências no Internacional. Uma demonstração de humildade foi suficiente para inverter a situação. O técnico abriu diálogo com os jogadores colorados em busca de uma solução para a crise e encontrou.

“Lembro bem dele ser muito aberto para ouvir. Não era um cara teimoso e dono da razão. Você tem que convencê-lo, porque ele tem bons argumentos sempre. Teve uma discussão, antes de um jogo contra o São Paulo. Eu e o Edinho chegamos e falamos que, de repente, a escalação deveria ser de outra forma, poderia ficar melhor com outro jogador. Ele foi, ouviu, pensou e executou o que tínhamos falado. Ganhamos por 2 x 0 e depois ele veio agradecer”, testemunha o ex-meia Alex, hoje comentarista do SporTV.

O diálogo talvez seja o primeiro passo para Tite devolver a confiança ao Flamengo depois da derrota por 1 x 0 para o Palestino. Há muitos jogadores sacrificados. Bruno Henrique não rende aberto na direita. De La Cruz virou rato de laboratório. Cumpriu várias posições até agora, menos a que encantava no River Plate. Há insegurança nas laterais. Tite reveza Varela e Wesley na direita e Ayrton Lucas e Viña na esquerda. A saída de bola com os zagueiros Fabrício Bruno e Léo Pereira e o volante Allan piora a cada partida. A equipe abusa dos cruzamentos e passes longos errados. É preciso dialogar. Achar soluções.

O momento pede conversa olhos nos olhos entre jogadores e o técnico, mas também demanda criatividade. Tite ousou na passagem pelo Internacional. Estancou a crise recorrendo a um plano adotado desde a temporada passada por Pep Guardiola no Manchester City.

O Internacional de 2008 passou a jogar com uma linha de quatro zagueiros-zagueiros: Bolívar, Índio, Álvaro e Marcão. À frente deles, Edinho, Magrão e Guiñazu reforçavam a consistência defensiva para D’Alessandro, Alex e Nilmar decidirem na frente. O Inter conquistou a Copa Sul-Americana assim. Eliminou o Boca Juniors em La Bombonera, passou pelo Chivas e superou o Estudiantes na finalíssima do torneio continental.

Uma das marcas autorais de Tite na conquista foi a reinvenção de Bolívar. “Um fato marcante que aconteceu comigo foi a dele (Tite) me transformar em lateral-direito. Tinha jogado toda minha base assim, mas foi algo novo no profissional. O Boca era um time que usava muito a bola aérea. Jogamos com quatro zagueiros, o que na Europa se usa muito hoje. Ele ter essa visão já em 2008 é algo marcante. Foi uma demonstração de personalidade”, lembra Bolívar, um dos símbolos do título inédito.

Tite fez o que Pep Guardiola aplica no Manchester City. Akanji,Stones, Rúbens Dias e Gvardiol formaram o quarteto de zagueiros, por exemplo, no empate por 3 x 3 com o Real Madrid no Santiago Bernabéu pelas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. Todos eles beques de origem moldados a diferentes funções. Do meio para a frente, um par de volantes formado por Rodri e Kovacik, além de três meias atrás de Haaland. David Silva, Foden e Grealish. Walker assumiu a lateral-direita na partida de volta.

Tite tem diálogo. Falta ousar um pouquinho. Reinventar-se radicalmente como no Inter. Quem sabe assim: Rossi; Fabrício Bruno, Léo Ortiz, David Luiz e Léo Pereira; Pulgar; Gerson, Arrascaeta e De La Cruz; Bruno Henrique e Gabriel Barbosa.

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Marcos Paulo Lima

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