A última taça erguida pelo capitão: Emerson foi formado no Ninho do Periquito. Foto: Ed Alves/CB.DA Press
A maior crise política e financeira da história do Gama acertou em cheio o coração do maior ídolo recente da história do clube. Trinta e dois dias depois de ser anunciado como reforço alviverde para o restante da temporada, o capitão Emerson confirmou o que já se esperava: a rescisão do contrato sem sequer ter reestreado. Em 23 de abril, no anúncio da volta ao Gama, o ex-jogador do Juventude recuperava-se de covid-19, em Caxias do Sul, na serra gaúcha. Peça-chave do técnico Pintado na reta final da Série B do ano passado, quando a equipe conseguiu o acesso à elite, Emerson topou trocar a oportunidade de participar da elite do Campeonato Brasileiro pelo desafio de alçar o Gama, onde foi formado, à terceira divisão. O blog apurou que Emerson fez dois pedidos à diretoria para retornar. Ambos descumpridos. Por isso, não somente ele, mas o centroavante Nunes, recuaram.
Formado nas divisões de base do Gama, Emerson, muito querido no Coritiba, e com passagem pelo Flamengo, Atlético-MG, Botafogo, Athletico-PR e pela Seleção Brasileira na Era Mano Menezes, condicionou a volta ao clube candango à permanência do amigo Victor Santana como técnico. Ambos surgiram juntos na base. A primeira parte do acordo foi descumprida no último domingo. Em comum acordo, o Gama e parceiros que assumirão a gestão na Série D demitiram Victor por telefone. Como revelou o blog nesta terça-feira, Ricardo Colbachini é o escolhido para sucedê-lo. O novo gerente de futebol é Diego Ziegg.
A segunda punhalada viria na sequência. Emerson aceitou retornar ao Gama porque havia promessa de que os novos gestores do Gama assumiriam a dívida que o clube tem com ele. O montante não diz respeito apenas aos atrasos de salário em 2019 e 2020. No auge da crise financeira, Emerson pegou empréstimo no nome dele, no valor aproximadamente de R$ 38 mil, para ajudar o Gama a pagar premiações. Como a conta não está sendo paga, a dívida cresceu para cerca de R$ 60 mil. O time foi bicampeão candango e fez a segunda melhor campanha da Série D no ano passado entre 64 clubes. À época, o Gama ficou atrás, apenas, do arquirrival Brasiliense.
Emerson estava certo de que receberia o dinheiro do empréstimo de volta do Gama e dos novos parceiros do clube. No entanto, nos últimos dias, soube que isso não seria possível. Foi a gota d’água para Emerson pedir a rescisão do contrato. Ao contrário de Nunes, que tinha apenas acordo verbal com o clube, Emerson teve o nome publicado no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF. O acordo foi encerrado na última segunda-feira e Emerson está livre.
“Paguei para jogar no Gama. Eu queria encerrar a carreira no Gama, mas a má gestão da atual diretoria não permitiu. Fiz empréstimo no meu nome para ajudar e havia um acordo. Eu esperava receber. Espero jogar mais dois ou três anos. Quero continuar morando em Brasília. Estou aberto a todos os clubes, Capital, Real, Brasiliense. Tenho a minha consciência tranquila sobre o que fiz para encerrar a carreira no Gama”
Emerson, zagueiro, 38 anos, capitão do bi do Gama, ao blog
Emerson e Nunes assumiram papel de escudeiros da diretoria do Gama em 2019 e 2020. Controlavam focos de rebelião no vestiário com promessas recorrentes que não se cumpriam. Bem resolvidos financeiramente, ambos chegaram a tirar dinheiro do próprio bolso para ajudar os jogadores mais carentes do elenco. Aos trancos e barrancos, o Gama teve sucesso nas duas temporadas anteriores. Ao término da fase de grupos da Série D do ano passado, o caldo verde entornou. Houve uma onda de deserções do elenco antes do mata-mata.
Cansados de não receber e de blindar a diretoria, Emerson, Nunes e outro líder do elenco, o goleiro Rodrigo Calaça, pegaram outros rumos. O zagueiro seguiu para o Juventude. O centroavante assinou pré-contrato com o Resende. Calaça fechou com o Juazeirense. A comissão técnica de técnico Vilson Tadei e outros jogadores acertavam com o Brasiliense.
Em entrevista ao blog, Emerson manteve a discrição e não quis revelar o valor do empréstimo, mas desabafou. “Paguei para jogar no Gama. Eu queria encerrar a carreira no Gama, mas a má gestão da atual diretoria não permitiu. Fiz empréstimo no meu nome para ajudar e havia um acordo. Eu esperava receber. Espero jogar mais dois ou três anos”, afirmou o beque de 38 anos.
Os dois últimos balanços financeiros do Gama, referentes aos exercícios de 2019 e 2020, discriminam valor global de empréstimos e financiamentos a curto o prazo. A dívida com Emerson está embutida no montante. O valor total das pendências com vários credores saltou de R$ 1.628.308,50, em 2019, para R$ 2.189.731,03, em 2020.
No balanço de 2019 há referência a um empréstimo e comissão no valor de R$ 38.010,00, mas não cita nomes. Esse é o valor do empréstimo feito pelo jogador. No boletim de 2020, por exemplo, constam doações nominais ao clube feitas pela Belmont Sports (R$ 100 mil) e pelo deputado distrital Eduardo Pedrosa (PTC), no valor de R$ 15 mil.
Questionado pelo blog sobre as declarações de Emerson, o presidente do Gama, Weber Magalhães, confirmou:
“O Emerson ajudou, mesmo. É um cara diferenciado. Pediu empréstimo em nome dele no valor de R$ 38 mil, está registrado (no balanço). Se não me engano. Acho que usamos para pagar bicho (premiação). Pediu empréstimo, como eu também tenho consignados. A dívida do Gama comigo, por exemplo, é por volta de R$ 200 mil”, afirmou o dirigente, repetindo elogios ao profissionalismo e ao caráter do zagueiro.
Segundo Weber Magalhães, o empréstimo pessoal feito por Emerson, no valor de R$ 38 mil, foi dividido em 20 parcelas de aproximadamente R$ 1.900. Como os pagamentos não foram feitos e juros, taxas e outros valores agregados correram solto, a dívida é de cerca de R$ 60 mil. Em princípio, os tais parceiros do Gama assumiriam a dívida, mas houve houve reviravolta. Eles teriam apresentado uma contraproposta e jogador usou o direito dele de recusar.
Questionado se pretende continuar no futebol candango, Emerson disse que o plano era fixar residência em definitivo na cidade para ficar próximo da família. Questionado se vestiria a camisa do arquirrival Brasiliense para dar sequência à carreira, respondeu: “Sim, estou aberto a todos. Capital, Real Brasília, Brasiliense. Quero continuar morando em Brasília. Tenho a minha consciência tranquila sobre tudo o que fiz para encerrar a carreira no Gama”, encerrou o último grande ídolo do Gama fabricado no Ninho do Periquito.
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