Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

Análises, opinião e lembranças do arco-da-velha sobre o futebol. 5.196 publicações

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Como a linguagem de boleiro e o futebol impulsionaram a virada de Lula

Mantra do Galo, afago ao Santos, recados ao Corinthians, Richarlison e MP das Bets: jogadas ensaiadas do presidente reeleito minam Bolsonaro e garantem triunfo inédito no jogo da volta

Lula fez do grito "eu acredito" da torcida do Galo o mantra para a virada no jogo de volta contra Bolsonaro. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Luiz Inácio Lula da Silva está eleito para o quarto mandato de presidente da República. Em vez de atrapalhá-lo, o futebol ajudou o petista a protagonizar a virada inédita nas urnas por um motivo simples: o domínio da linguagem de boleiro do político de 80 anos.

No ato em Belo Horizonte no segundo turno, Lula convocou a Massa para jogar com ele. Cirúrgico, usou o palanque para atrair o mantra do Galo nas viradas contra o Corinthians e o Flamengo na Copa do Brasil de 2014. Convocou os alvinegros a gritar: “Eu acredito”.

Nos bastidores, Lula sinalizou mais de uma vez via Caixa Econômica Federal a possibilidade de tonar a vida do Corinthians mais leve no pagamento dos boletos da Neo Química Arena, o estádio construído com o empurrão do presidente no fim do segundo mandato. O pacote de bondade não é a uma torcida qualquer. Trata-se da segunda maior do país: 37,1 milhões. Por sinal, o Corinthians foi o único clube a felicitar o torcedor ilustre pela vitória.

Lula abriu as portas do Planalto do Planalto para receber a caravana do Santos na resolução do impasse em relação ao Centro de Treinamento Rei Pelé. Recebeu o cartola Marcelo Teixeira e selou o acordo importante para o clube paulista. Afagou uma importante torcida.

Bolsonarista, Neymar não compareceu ao evento. Nem ele nem o pai. Isso também foi positivo para Lula. Politicamente falando, separou o joio do trigo em outra jogada ensaiada.

A ausência do camisa 10 da Vila Belmiro em Brasília proporcionou à campanha de Lula a leitura de que Richarlison seria uma figura relevante não somente para servir de contraponto não somente a Neymar, cuja imagem é tatuado no corpo do Pombo, mas também confrontar o bolsonarismo no caso da Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O Pombo foi citado no debate da Globo e Lula provou que a Flávio Bolsonaro que é possível ganhar um pleito tendo Richarlison e não Neymar como aliado.

Horas depois da virada de Lula, Richarlison exibiu a tatuagem do presidente reeleito no mesmo corpo marcado pela homenagem ao colega de profissão Neymar.

Outra manobra relevante de Lula no mundo da bola, talvez a mais importante, foi a Medida Provisória da proibição das Bets. Ele partiu para a batalha com a maior fonte de patrocínio dos clubes de futebol, desgastou-se com a torcida, mas ganhou a guerra por votos devido ao apoio popular. A maioria das famílias sinalizou positivamente para a decisão.

Quando Lula parecia ter perdido a mão no W.O. dos clubes a uma reunião convocada para discutir as Bets no Ministério dos Esportes, ele crescia devagarinho nas pesquisas até consumar a inédita virada contra Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições.  

Enquanto Lula atuava nos bastidores do futebol, Flávio Bolsonaro dava apenas uma sinalização positiva ao presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, de que poderia liberar a volta das Bets em caso de vitória no segundo turno das eleições.

Paralelamente, parte dos times aguardava recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aos cuidados do ministro Luiz Fux e se manifestava jogo a jogo do Brasileirão com uma frase estampada na camisa e em placas de publicdade: “Proibir não é proteger”.