55105471306_515bb65348_c A marcação do Lanús não deu mole ao Flamengo um minuto sequer na final A marcação do Lanús não deu mole ao Flamengo um minuto sequer na final

Como a ingenuidade de Filipe Luís virou arma contra o Flamengo

Publicado em Esporte

As entrevistas coletivas de Filipe Luís são ótimas. Dificilmente deixam perguntas sem respostas. No entanto, considero o comandante do Flamengo ingênuo alguma vezes neste início de carreira como técnico. Uma declaração dada por ele depois da classificação nos pênaltis contra o Estudiantes nas quartas de final da Libertadores indicou aos adversários uma maneira de deixar o time rubro-negro desconfortável dentro das quatro linhas.

 

“A verdade é que as equipes argentinas são muito competitivas. E o que mais me surpreende é o quanto eles conseguem cobrir de campo, com sacrifício. Às vezes, em inferioridade numérica, um atacante marcando dois, três jogadores, e isso faz com que seja complicado?”, analisou em 25 de setembro do ano passado ao avançar às semifinais.

 

Foi exatamente o que fez o Corinthians na vitória por 2 x 0 na Supercopa do Brasil. Dorival Júnior programou o Timão para cobrir a maior parte de campo possível e não dar espaço ao Flamengo. Foi o que também fez o técnico Mauricio Pellegrino na vitória do Lanús por 1 x 0.

 

Bem distribuído no tabuleiro, o Lanús induziu o Flamengo aos erros. Sem espaço, o time carioca ostentou 65% de posse de bola, mas errava passes, não conseguia conexões, frustrava-se e entregava o que os anfitriões desejavam: transições, contra-ataques e espaço para alçar a bola na área em busca do centroavante Rodrigo Castillo.

 

A estratégia deu certo três vezes. A referência do ataque estava em condição ilegal nos dois lances corretamente anulados. Na terceira, não. Infiltrado entre os zagueiros Léo Ortiz e Leo Pereira, o atacante finalizou com perfeição, sem dar chance ao goleiro Rossi. Marcich colocou a bola na cabeça dele de pé esquerdo como se estivesse cruzando com a mão.

 

Obediente à necessidade de cobrir a maior parte do campo possível, o Lanús limitou o Flamengo a ter o controle da partida longe da frente da área. Prova disso é uma mísera finalização rubro-negra. A posse de bola do Flamengo foi estéril.

 

Os meias Arrascaeta e Carrascal não davam profundidade no papel de falso nove. Luiz Araújo e Everton Cebolinha lidavam com marcações dobradas em cima deles. Perdiam todas as disputas em velocidade e não conseguiam usar o drible para quebrar as linhas.

 

Filipe Luís deu armas para o inimigo e perdeu o jogo por falar demais em momentos que demandam silêncio. Lembro-me do Tite quando era o técnico da Seleção. Ele quase sempre reclamava dos adversários posicionados em linha de cinco defensores. Bingo! O Brasil tenta até hoje aprender a líder com sistemas defensivos sólidos, sem dar um palmo de espaço.

 

Foi assim na Argentina e será também no Brasil. Filipe Luís tem uma semana para estancar a quantidade de gols sofridos pelo time neste início de temporada. Dos nove jogos em 2026 com o elenco profissional, o Flamengo só não foi vazado pelo Vasco na vitória por 1 x 0. O outro desafio é devolver o poder de fogo ao ataque. O time campeão da Libertadores só fez mais de um gol na goleada por 7 x 1 contra o Sampaio Corrêa. O Lanús não venderá fácil o resultado. É preciso descobrir atalhos para infiltrar na defesa. Do contrário, Filipe Luís amargará a segunda perda de título depois de um ano e um começo de carreira brilhantes.

 

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