Reunião na sexta (22) com a Secretaria de Esporte debateu o Candangão. Foto: Instagram/Celina Leão
Aquele trecho “(…) temos nosso próprio tempo (…)” da música Tempo Perdido da banda Legião Urbana serviria como trilha sonora deste post. A triste realidade do futebol local virou aliada da federação e dos clubes da capital do país no debate sobre a retomada do Candangão. Por ironia do destino, o tempo perdido, desperdiçado desde 2013, quando o Distrito Federal teve time na Série C pela última vez, virou forte argumento para o tempão que se tem pela frente para a retomada e a conclusão em campo do principal torneio da cidade em meio à pandemia do novo coronavírus.
O Distrito Federal é uma das 10 unidades da federação que só conta com representantes na Série D – a quarta divisão do Brasileirão. Consequentemente, a entidade máxima do futebol local e a maioria dos times consideram que há tempo de sobra, nosso próprio tempo como cantaria o Legião Urbana, para respeitar o isolamento social, aguardar os desdobramentos do combate ao novo coronavírus e concluir o torneio doméstico com (certa) tranquilidade no segundo semestre. Discursos politicamente corretos, óbvio, mas há efeitos colaterais: Gama e Brasiliense teriam de conciliar as agendas da Série D e, talvez, da mambembe Copa Verde, ao mata-mata do Candangão.
O blog tem ouvido de vários dirigentes o argumento de que Brasília só tem times na quarta divisão e isso, portanto, colabora com a reengenharia do calendário local. O ponto triste do argumento de que “temos nosso próprio tempo” é um certo conformismo com a zona de conforto, ou seja, com o fato de o Distrito Federal ter representatividade apenas na quarta divisão. Atestado de incompetência do futebol local. Não era assim na virada do século…
O futebol do quadrado, que chegou a ter times em todas as divisões (A, B e C) de 1999 a 2002 e em 2005, quando a D nem existia, retrocedeu absurdamente. Para você ter uma ideia da gravidade, o DF está nivelado por baixo com outros nove estados que também só contam com times na Série D: Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Roraima, Amapá, Acre, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Piauí.
O melhor clube candango no Ranking Nacional de Clubes da CBF é o Brasiliense. Ocupa a 94ª posição entre 227 equipes. Exemplo: se cada divisão do país tivesse 20 times, como funcionam as séries A, B e C, a cidade só teria representante na Série E. A quinta divisão não existe. O DF está em 21° lugar entre as federações – a pior colocação na história do levantamento elaborado pela entidade.
Distrito Federal, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Roraima, Amapá, Acre, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Piauí são as 10 unidades da federação que só têm times na Série D do Campeonato Brasileiro: mais tempo para concluir os torneios locais.
A que ponto chegamos. O baixo nível do futebol candango é considerado aliado neste momento de pandemia. Virou zona de conforto. Enquanto os estados com representantes nas séries A, B e C correm contra o tempo, no mínimo, para planejar a retomada dos estaduais, o Distrito Federal pode se dar ao luxo de cruzar os braços e ter paciência de Jó para encerrar a primeira fase. Há uma partida pendente entre Gama e Real Brasília. Na sequência, começa o mata-mata. A essa altura do campeonato, o Candangão precisa de sete datas nos próximos sete meses para chegar ao fim. Uma para a partida retardatária, duas para as rodadas das quartas, duas para as semifinais e outras duas para a decisão do título.
Por enquanto, a federação e os clubes cumprem corretamente as determinações legais. Apesar da intenção de Flamengo e Vasco trabalharem em Brasília, o Governo do Distrito Federal não autorizou a reabertura dos centros de treinamento e muito menos a realização de jogos – mesmo sem torcida.
Paralelamente, a FFDF abriu diálogo com a Secretaria de Esporte e Lazer na última sexta-feira. Reivindicou laudos dos estádios, apresentou as demandas e aguarda resposta do GDF para começar a elaborar o plano de retomada do futebol na cidade. Em entrevista ao blog, a secretária Celina Leão se comprometeu a convencer o GDF a contribuir com o pagamento dos testes da covid-19.
Na última sexta-feira, a deputada federal licenciada também se comprometeu em entrevista ao Correio Braziliense a resolver o velho perrengue dos laudos nem que seja na base de um decreto do governador Ibaneis Rocha. Em março, três jogos foram transferidos para os centros de treinamento do Gama, Brasiliense e Real pelo ex-secretário Leandro Cruz. Um dos motivos: falta de laudo.
“A reunião (com a Federação de Futebol do Distrito Federal)) foi ótima. Eles apresentaram as demandas e vou levá-las ao governador. Querem voltar a treinar com segurança, precisam dos testes e vamos tentar ajudá-los. Vamos conversar com a Secretaria de Saúde e demais órgãos. Falaram também sobre a dificuldade de obter laudos dos estádios. Vamos tentar resolver isso por decreto. Eles querem mais proximidade do governo. Quem sabe o futebol volta daqui a 45 dias com portões fechados”, afirmou ao Correio Braziliense na semana passada.
Que o futebol seja retomado no DF quando houver o máximo de segurança sanitária possível. Esse argumento é suficiente. Ponto. Que o discurso conformista de que só temos times na capital seja erradicado rapidamente. A cidade esteve na elite por cinco anos. Nunca é demais lembrar. As torcidas do Gama 1999 a 2002) e do Brasiliense (2005) lembram-se disso.
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