Treino da Argentina, em 2021, no Estádio Ciro Machado, o Defelê, casa das Leoas do Planalto. Foto: AFA
Improvisada a toque de caixa no Brasil no ano passado, a Copa América 2021 tem assuntos financeiros mal resolvidos nove meses depois do encerramento. Um deles diz respeito ao aluguel de um centro de treinamento. O blog apurou que o Real Brasília, clube da Série A1 do Brasileirão feminino, ainda não recebeu o valor que teria sido combinado por representantes da Conmebol pela cessão da estrutura do time do Distrito Federal. A capital foi uma das sedes do torneio continental. As seleções que passaram pela cidade, inclusive as badaladas Argentina, Brasil e Uruguai, tinham como uma das opções as instalações da equipe candanga. A outra alternativa era o Centro de Treinamento do Brasiliense.
A última Copa América teria como sedes a Argentina e a Colômbia, mas os governos dos dois países rejeitaram o torneio devido ao avanço da pandemia. Em uma controversa manobra, o presidente Jair Bolsonaro e a CBF deram asilo emergencial ao evento e houve uma correria em busca de estádios e centros de treinamento disponíveis no Brasil para os jogos e a logística das 10 seleções. A estrutura do Real Brasília foi uma das escolhidas.
Como não houve tempo de formalizar Comitê Organizador Local da Copa América 2021 no Brasil, as decisões foram tomadas às pressas. Quando a Conmebol pediu a cessão do Estádio Ciro Machado, o Defelê, na Vila Planalto, região central de Brasília, o Real Brasília disputava a reta final da primeira fase da Série A1 do Brasileirão feminino. Houve promessa de que o contrato seria enviado posteriormente devido à emergência. “Depois me mandaram um documento de cessão de uso, no qual somente eu assinava, cedendo o local. Disseram que precisavam com urgência e depois a gente acertaria as bases. Confiei”, confirma ao blog o presidente do clube, Luís Felipe Belmonte.
A proposta inicial foi considerada desrespeitosa. “Ofereceram R$ 10 mil. Eu disse que, quando houvesse uma proposta séria, voltaríamos a conversar. Quase todas as seleções que vieram a Brasília treinaram lá, inclusive usando a academia. Brasil, Argentina, Uruguai… A Colômbia passou uma semana inteira e outras mais”, lembra o dirigente.
Proprietário do Real Brasília e do estádio, Belmonte chegou a ser expulso do Defelê. “Depois, no treino do Uruguai, fui receber os dirigentes para cumprimentá-los e dar as boas vindas. Estava com dois filhos meus, de 12 e 13 anos. Fui tratado de maneira grosseira por um senhor uruguaio (com crachá da Commebol), falando em espanhol e me dando uma prensa. Perguntou o que eu estava fazendo ali e onde estava a minha credencial”, conta.
A gafe precisou ser contornada pela Conmebol e a CBF. “Fui para o nosso Instituto, que fica nos fundos do Defelê, onde fazemos atendimento a crianças carentes. O Thiago Jannuzzi (country manager da Copa América) chegou depois e se desculpou. Disse que, no fim do treino, duas horas depois, os dirigentes uruguaios falariam comigo. Agradeci e fui embora. O pessoal da CBF ficou sabendo e ainda tentou maneirar. Depois ele (uruguaio) ficou sabendo que eu era quem autorizava quem ia ficar lá”, recorda o proprietário.
O presidente do Real Brasília cobrou a contrapartida pela cessão da casa do Real Brasília na Série A1 do Brasileirão e ouviu mais promessas. “Ficaram de dar R$ 10 mil pelo ressarcimento de despesas que tive para jogar em outro estádio. Nem respondi. Depois me ofereceram cones e coletes. Disse para guardarem, pois poderia fazer falta”, ironizou. “Só nos usaram, prometendo acertar depois. Alegavam que gastaram muito para programar a Copa América na Argentina e na Colômbia e não tinham disponibilidade. Como não quiseram fazer nenhuma compensação eficaz, fiquei sem nada. Paciência. Apenas acreditei neles”, lamenta Belmonte.
Os R$ 10 mil seriam uma espécie de compensação pelo prejuízo causado ao time feminino do Real Brasília. Ao ceder o Defelê à Copa América, a equipe ficou impedida de mandar seus jogos na Série A1 do Brasileirão na casa própria, ou seja, o Defelê. As Leoas do Planalto brigavam à época por uma vaga às quartas de final e tiveram de enfrentar o Internacional na última rodada, no Serra do Lago, em Luziânia (GO). Perderam por 3 x 2.
Citado pelo presidente Luis Felipe Belmonte, Thiago Jannuzzi foi um dos “country manager” da Copa América 2021. O blog tentou contato com ele, mas não conseguiu. A reportagem também enviou à Conmebol reiterados pedidos de explicação formalmente por email sobre o episódio, mas a entidade máxima do futebol sul-americano não se pronunciou. O espaço continua aberto e o texto será atualizado assim que houver manifestação oficial.
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