A Caixa ensaia voltar a patrocinar o futebol, mas não o masculino. O blog apurou que o banco estatal avalia a ressurreição do investimento maciço no desenvolvimento do feminino. O programa deve sair do papel antes da Copa do Mundo no Brasil, de 24 de junho a 25 de julho de 2027. O aporte pode ser por meio da compra dos naming rights da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino e/ou de patrocínio na camisa de um ou mais times. Era assim até 2018.
A instituição financeira deixou o futebol masculino e feminino há sete anos. O ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu extinguir o patrocínio depois da posse em 2019. A Caixa teve acordo com a CBF até 2018. A Série A1 se chamava à época Brasileirão Feminino Caixa. Os times exibiam o produto “Cartões Caixa” na camisa. Em 2016, o Flamengo foi o último a conquistar o título exibindo o logo. O departamento de competições customizava o torneio.
A partir de 2019, 25 clubes perderam o direito de estampar a marca do banco na camisa. Times das séries A, B e C perderam R$ 128 milhões. Competições regionais como a Copa do Nordeste e a Copa Verde; além da segunda e da terceira divisões nacionais e de campeonatos estaduais ficaram sem a receita da Caixa Econômica Federal.
No total, foram sete anos de aplicação no futebol masculino no período de 2012, quando foi campeão do Mundial de Clubes da Fifa com o Corinthians no Japão, até 2018, totalizando investimento de R$ 663,6 milhões. O banco descarta voltar ao futebol masculino por causa da concorrência das bets. As casas de apostas elevaram o sarrafo se apoderaram das camisas, elevaram e tornaram a concorrência inviável devido aos valores altíssimos praticados pelo segmento. Dos 20 times da elite, 14 têm contrato com bets.
A visibilidade do clima da Copa do Mundo Feminina de 2027 estimula a confecção do projeto do banco de voltar ao futebol por meio das competições nacionais femininas organizadas pela CBF. O Novo Basquete Brasil (NBB) é o case de sucessor, uma inspiração. A Caixa adquiriu os naming rights da principal competição masculina de basquete do país.
Em 2017, a Caixa ostentava o patrocínio máster de 14 dos 20 clubes da Série A do Brasileirão masculino. Apenas seis não estampavam o logo, repetindo o sucesso da Coca-Cola na Copa União de 1987. À época, 10 dos 16 times exibiram a marca de refrigerante na camisa.
A um ano e meio da Copa do Mundo Feminina, a Série A1 do Brasileirão sofreu duas baixas causadas pela crise financeira. O Real Brasília e o Fortaleza oficializaram a saída do torneio em 2026. A CBF substituiu ambos por Vitória-BA e Mixto-MT, respectivamente.
O Real Brasília perdeu o BRB, principal aporte do time no Brasileirão Feminino desde a primeira participação na elite em 2021. O Fortaleza tentou até o último momento parceria para manter o time feminino no Brasileirão, porém não conseguiu cumprir o prazo de validação da participação na principal competição da modalidade no país.
Uma possível entrave para uma eventual parceria da Caixa com a CBF para a compra dos naming rights pode ser o Itaú. O banco privado é parceiro da entidade máxima do futebol. Os outros obstáculos são os patrocinadores masters dos próprios clubes, que geralmente anunciam tanto no uniforme do time masculino como do feminino.
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