
O Campeonato do Distrito Federal tem um clássico para chamar de seu há quase 25 anos, O dérbi faz aniversário em 17 de fevereiro sem a certeza de que será disputado novamente neste ano. Justamente por isso o duelo entre Brasiliense e Gama desse domingo não deveria ter sido tratado como apenas mais um dos 50 jogos do torneio — mas o grande evento.
O Gama derrotou o Brasiliense por 2 x 1 no Setejão, em Taguatinga, pela quarta rodada. Renato Soares no primeiro minuto e Walace Pernambucano balançaram a rede pelo time alverde e Walace Pernambucano descontou em uma cobrança de pênalti.
O acesso era restrito aos torcedores do lado amarelo da força por questões de segurança. Resultado: 988 pagantes. Pode isso, Arnaldo? O Hama sozinho levou sete vezes mais torcedores ao Bezerrão na estreia.
Não parece, mas como mostrou a excelente série de reportagens recente Na bola e na bala de Darcianne Diogo, o confronto é um dos mais violentos do país nas arquibancadas e nas ruas.
Por sinal, uma ação conjunta do Governo do Distrito Federal em parceria com Brasiliense e Gama deveria transformar o clássico em uma atração no fim de semana da cidade.
Levá-lo para o Mané Garrincha com ingresso gratuito em uma forma de incentivo para conhecer o estádio, oferecer uma experiência com o futebol da cidade e o contato com os dois clubes mais vitoriosos na história do Candangão.
Não há interesse na promoção do evento. O clássico é disputado praticamente na clandestinidade. Quanto menos gente melhor, exceto no Bezerrão. O Gama tem o que o Brasiliense perdeu: torcida. Amor incondicional.
O Gama é um time em recuperação judicial. Tem na história recente uma SAF desfeita na marra depois de ser passado para trás. Mesmo assim, arrasta a população do bairro ao estádio a cada jogo e é carregado por ela. Assim conquistou o título no ano passado e lidera nesta edição.
Em contrapartida, o Brasiliense não renovou o legado construído no início do time no vice na Copa do Brasil, nas conquistas das Séries C e B, na participação na elite em 2005. Restam alguns heróis da resistência incapazes de encher o Serejão como nos velhos tempos.
O futebol de uma comunidade se fortalece com uma rivalidade sadia estimulada pelo governo e a população até consolidar-se como tradição. Assim nasceram o Gre-Nal, o Re-Pa, o Ba-Vi e tantos outros clássicos pelo país construídos ao longo da história, com holofotes voltados para eles, não na clandestinidade e muito menos com um tentando exterminar o outro usando políticas predatórias.
Enquanto for assim, o resultado de jogos como o desse domingo será só mais um no almanaque de uma maltratada rivalidade sem a devida visibilidade.por falar nisso, alguém viu os gols do jogo no Fantástico, por exemplo?
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