
Adversária do Brasil nesta quinta-feira em Boston, às 17h, no penúltimo amistoso em Data Fifa antes da Copa do Mundo, a França mantém o técnico Didier Deschamps no cargo há 14 anos. Mano Menezes era o treinador da Seleção quando ele assumiu a prancheta azul em substituição a Laurent Blanc depois da Eurocopa de 2012.
O Brasil teve sete técnicos diferentes nos 14 anos de estabilidade de Deschamps. Além de Mano Menezes, passaram pelo cargo na CBF os técnicos Luiz Felipe Scolari, Dunga, Tite, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. Houve ainda o interino Ramon Menezes em uma tentativa do ex-presidente Ednaldo Rodrigues de emular o sucesso da AFA ao catapultar o treinador da seleção sub-20 Lionel Scaloni e vê-lo campeão da Copa.
Os 14 anos de Deschamps não são totalmente de calmaria. Em 2014, a França é eliminada pela Alemanha nas quartas de final da Copa do Mundo no Brasil em um jogo duríssimo no Maracanã vencido por 1 x 0 pelos germânicos. No Brasil, esse resultado já seria suficiente para as cornetas pedirem a demissão do profissional.
Dois anos depois, Deschamps amargou a perda da Eurocopa dentro de casa. Levou a França à final no Estádio Saint-Denis e viu Portugal comemorar o título inédito com a vitória por 1 x 0 na prorrogação. O treinador balançou, mas não caiu.
Seguiu em frente e levou a França ao bicampeonato na Copa do Mundo de 2018, na Rússia. O futebol dos campeões não arrancava suspiros, mas era suficientemente competitivo para desbancar Argentina nas oitavas, Uruguai nas quartas, Bélgica nas semifinais e a Croácia no Estádio Luzhiniki, em Moscou. Deschamps alcançava o status de Franz Beckenbauer e de Mário Jorge Lobo Zagallo: campeão como jogador e técnico.
Em vez de encerrar o ciclo, a França deu mais tempo a Deschamps. Veio a Euro-2020, disputada em 2021 devido à pandemia, e a seleção caiu cedo nas oitavas de final contra a Suíça nos pênaltis. Empatou por 3 x 3 e perdeu nos pênaltis por 5 x 4.
Caiu? Não! Deschamps partiu rumo à Copa do Mundo no Catar. Com uma geração extraordinária liderada por Mbappé e Griezmann, chegou novamente na final e quase brindou a França com o tri em uma decisão apoteótica contra a Argentina.
Ele perdia o jogo por 2 x 0, empatou e forçou a prorrogação. Sofreu o terceiro no tempo extra, igualou o placar novamente e teve a chance do gol do título salva por uma defesa incrível do goleiro Dibu Martínez. Resiliente, a França perdeu a partida nos pênaltis.
Nem a sombra crescente de Zinedine Zidane derrubou Deschamps. A renovação do contrato levou o treinador à Euro-2024. Nem o novo insucesso deixou o técnico na berlinda. Em vez de demiti-lo depois da derrota por 2 x 1 para a Espanha, a Federação Francesa prestigiou o comandante para a Copa do Mundo de 2026 – a quarta seguida.
Enquanto isso… A média do tempo de serviço dos técnicos do Brasil na era Deschamps é de dois anos. Houve um pico com Tite. O dono da prancheta verde-amarela na última Copa durou seis anos e meio no cargo. Depois dele, quatro profissionais passaram pelo cargo: o interino Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti.
Resumindo: continuidade, trabalho em longo prazo, estabilidade, são palavrinhas lindas no time e na seleção dos outros. Esse discurso definitivamente não cola com a Seleção Brasileira, uma máquina de moer: sete treinadores diferentes na era Deschamps. Qualquer semelhança com o que fazem os clubes no Brasileirão com oito demissões em oito rodadas…
Leia também
Brasil x França: O 4º duelo entre Carlo Ancelotti e Didier Deschamps
X: @marcospaulolima
Instagram: @marcospaulolima.jor

