Bem me quer, mal me quer: a afirmação de Carrascal e o resgate do Samu

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Parte da torcida do Flamengo não aguentava mais Samuel Lino. “Mal me quer” foi para o banco de reservas. Parte da torcida do Flamengo desejava Carrascal no time titular. “Bem me quer” entrou e desatou nós na vitória dificílima por 1 x 0 contra o Racing nesta quarta-feira, no Maracanã, na partida de ida das semifinais da Libertadores.

Ironicamente, “mal me quer” poderia ter encerrado a partida como herói. Samuel Lino, o “Samu”, entrou bem. Fez um golaço de cabeça anulado corretamente pelo Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) por questão de centímetros. Estava impedido. O goleiro Cambeses operou milagre em um chute de dentro da grande área depois de uma belíssima trama rubro-negra.

A noite estava predestinada ao “bem me quer”. O meia colombiano Carrascal fez uma partida irrepreensível no Maracanã. Foi arco, flecha, um joker ou coringa, como diria o ex-comandante rubro-negro Jorge Jesus. O gol chorado depois da defesa de Cambeses na finalização errada de Bruno Henrique premiou a exibição individual do jogador de 27 anos contratado por 12,5 milhões de euros há pouco mais de dois meses, em 2 de agosto.

A vitória do Flamengo é educativa. Ensina uma torcida viciada em exigir diversão e arte em todo jogo a entender o espírito de uma semifinal de Libertadores. O Racing jogou muita bola dentro da proposta do técnico Gustavo Costas. O time argentino tirou o Flamengo do estilo estabelecido pelo técnico Filipe Luís.

Uma prova disso é a quantidade de bolas longas. Isso obrigava os meias a arriscarem mais no passe. E a errar. O Racing fez 19 desarmes contra apenas cinco do Flamengo. Isso facilitava as interceptações de um adversário bem posicionado em campo com direito a uma noite inspirada do goleiro Cambeses.

Filipe Luís inicia a partida sem pontas. Samuel Lino deu lugar a Carrascal. Luiz Araújo dava um passo para dentro e atuava centralizado. O corredor ficava com Varela do lado direito. Carrascal e Arrascaeta se revezavam na esquerda, à espera do apoio de Alex Sandro. Era um Flamengo diferente. A bola dificilmente chegava limpa ao centroavante Pedro.

Havia dificuldade para romper a linha de cinco e até seis defensores. Outros três protegiam a frente da área e Maravilla Martínez aguardava por uma estocada. O Racing praticamente não achou a transição rápida para contra-atacar porque o Flamengo teve 72% de posse de bola contra 28% do Racing.

Mesmo assim, os visitantes obrigaram Rossi a intervir em uma cobrança de escanteio no primeiro tempo. Houve gol anulado na etapa final por causa de uma falta em Carrascal na finalização. Os dois lances partiram de cobranças de escanteio.

O Flamengo venceu a partida ao usar o banco de reservas para mudar a característica. O time precisava de jogadores mais velozes, dribladores e com mobilidade para quebrar as linhas cada vez mais justas do Racing. Daí as entradas de Bruno Henrique, Samuel Lino e Gonzalo Plata.

A defesa do Racing perdeu a referência. As trocas dos laterais também ajudaram a empurrar a Academia para trás. Ayrton Lucas deu mais profundidade do que Alex Sandro. Emerson Royal chegou mais à linha de fundo do que Varela.

O Flamengo concluiu com 100% de aproveitamento sequência pesadíssima de jogos. Não era fácil enfrentar o Botafogo no gramado sintético. O time foi lá e venceu por 2 x 0. Havia um confronto direito com o Palmeiras pelo título do Brasileirão e a equipe rubro-negra bateu o concorrente por 3 x 1.

Havia necessidade de construir um resultado minimamente bom no Maracanã diante do atual campeão da Copa Sul-Americana e o resultado de 1 x 0 concede a vantagem do empate no Estádio El Cilindro, em Avellaneda. Se algum torcedor rubro-negro reclamar de barriga cheia, direi que está totalmente fora da realidade.

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Marcos Paulo Lima

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