
“Vaidade, definitivamente o meu pecado favorito”. A frase é do personagem John Milton, interpretado por Al Pacino no filme O Advogado do Diabo (1997). Luiz Eduardo Baptista, o Bap, jamais quis Filipe Luís como primeiro técnico do mandato dele, iniciado em janeiro de 2025. O treinador é uma criação do adversário político Rodolfo Landim e dos fiéis escudeiros do antecessor, Marcos Braz e Bruno Spindel. Bap teve de engolir o ex-lateral depois do título na Copa do Brasil de 2024 contra o Atlético-MG e do terceiro lugar no Brasileirão em 2024, Devolveu o time ao prumo depois da demissão de Tite.
Tal como um prefeito de município pequeno, Bap aguardava pela primeira oportunidade para inaugurar o banquinho da praça. As perdas da Supercopa do Brasil para o Corinthians e da Recopa Sul-Americana para o Lanús deixaram a bola quicando na frente do dirigente. Porque não fez isso depois da derrota nos pênaltis para o PSG na Copa Intercontinental? Filipe Luis saiu grandão da final. A torcida não aceitaria. Fez vigília à espera da renovação.
O início da temporada virou casca de banana. A péssima largada foi gerando o ambiente favorável a Bap. O duelo de volta contra o Madureira era irrelevante. A final do Carioca contra o Fluminense, não. Filipe Luís estava a uma conquista de se tornar o treinador mais vitorioso na história do clube na decisão de domingo. Bap não quis pagar para vê-lo superar Carlinhos. Motivo: seria quase impossível ter outra oportunidade em curto prazo para fazer a mudança tão desejada desde a posse em janeiro de 2025.
Enquanto o Flamengo goleada o Madureira por 8 x 0, a diretoria trabalha nas costas de Filipe Luís em busca de um novo treinador. Deixou o técnico campeão da Copa do Brasil em 2024 e do Carioca, Supercopa do Brasil, Brasileirão, Libertadores e vice Mundial ser hostilizado pela torcida depois do jogo. Xingado. Deixou o profissional dar entrevista coletiva. Falar sobre os planos para o clássico de domingo. E aí, surpreendeu ao anunciar a demissão.
Escrevi na última sexta-feira no blog que a longa negociação da renovação de Filipe Luís havia desgastado os relacionamentos. A corda esticou demais. Bap, Boto e o técnico voltaram das férias em raias diferentes. Cada um correndo por si. O técnico não poderia vacilar. Pisou em falso contra o Corinthians, tropeçou no Lanús e caiu como queria Bap. Enfraquecido. Contestado pela torcida em uma semifinal de Carioca contra o Madureira.
Um dos mantras de Bap ao assumir era “profissionalismo”. Quem tanto criticou as decisões de Rodolfo Landim demitiu Filipe Luís igualzinho o antecessor no anúncio da saída de Rogério Ceni em 2021: no início da madrugada. Na calada da noite. A nota do clube foi publicada à 1h01 da matina. Estava oficializada a queda da maior revelação dos últimos tempos na escola de técnicos do país. Agora, sim, o vaidoso Bap terá um técnico para chamar de seu: Leonardo Jardim, terceiro colocado no Brasileirão do ano passado e eliminado da Copa do Brasil nas semifinais pelo campeão Corinthians.
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