Atolado na Série D há oito anos, DF aposta outra vez em Brasiliense e Gama; saiba o que esperar deles

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Para quem se perdeu, aí vai uma linha do tempo. De 2014 pra cá tivemos duas edições da Copa do Mundo, três da Copa América, uma Eurocopa, Jogos Olímpicos do Rio-2016 e  estamos prestes a ver tudo isso de novo neste ano. Lá se vão oito anos. Dois ciclos de Copa e outros dois ciclos olímpicos. Três presidentes da República diferentes: Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Esse é o período em que o futebol candango está atolado na Série D do Campeonato Brasileiro. Inerte. Não há quem reboque os representantes do DF do quarto e último escalão. A tentativa de resgate reinicia neste sábado. Brasiliense e Gama são os dois reapresentastes da capital entre os 64 clubes candidatos a quatro vagas para a Série C.

A seca do Distrito Federal poderia ter acabado na temporada passada. Brasiliense e Gama fizeram, respectivamente, a primeira e a segunda melhor campanha da fase de grupos na edição de 2020 entre 64 clubes. Ambos tombaram no mata-mata. O lado verde da força contra o Goianésia. A banda amarela diante do Mirassol, campeão da versão anterior.

O Distrito Federal chega ao torneio com um favorito e uma incógnita. O Brasiliense tem um trabalho maduro sob o comando de Vilson Tadei para brigar por uma das quatro vagas. O do Gama, trocadilhos à parte, ainda está verde, mas é aparentemente promissor e mais organizado. Espera-se que sem risco de salários atrasados. Calotes minaram a campanha em 2020.

Os últimos títulos tiraram o peso da abstinência das costas do time de Taguatinga. O Brasiliense ganhou a Copa Verde. Reconquistou o Candangão depois de uma série de três vices. Tem um elenco forte, focado e bem pago para subir. Que o comprometimento de Zé Love com o projeto contagie alguns veteranos que entregam pouco ao clube. Para não dizer nada. Um detalhe importante é a volta dos laços com o Serejão. Ali, na popular Boca do Jacaré, o Brasiliense conseguiu seus maiores feitos.

O Gama aposta em uma nova gestão. Parece recomeçar do zero. Contratou um dos técnicos mais promissores do país. Ricardo Colbachini é jovem, mas tem muitas milhas acumuladas. Comandou o Caxias na Copa do Brasil com 26 anos. Assumiu o Internacional em três jogos na Série A do Brasileirão. Foi auxiliar de Lisca. Desembarcou no Distrito Federal no lugar de Victor Santana. O antecessor conseguiu a façanha de levar ao terceiro lugar um time que arriscou ser rebaixado na fase de grupos. Sem receber salário, o elenco perdeu a hegemonia local, mas evitou vexame.

A torcida alviverde está curiosa para conhecer o novo Gama dentro das quatro linhas. Aparentemente, um time com pegada gaúcha. Afinal, essa é a escola de Colbachini e do auxiliar dele, Adailton Bolzan, artilheiro do Mundial Sub-20 de 1997. A tendência é que o time seja mais forte a partir da próxima semana. Como publiquei no Correio Braziliense, o meia Felipe Menezes, ex-Palmeiras, será apresentado na segunda-feira. Enquanto o Brasiliense tem fôlego financeiro para se manter de pé independente do resultado, o futuro do Gama dependerá muito do desempenho nesta Série D.

Grupo 5: Aparecidense, Brasiliense, Gama, Goianésia, Jaraguá, Nova Mutum, Porto Velho e União Rondonópolis. Dois oito, quatro avançarão à fase de mata-mata da quarta divisão do Brasileirão

Considero o Grupo 5, no qual estão Brasiliense e Gama, mais difícil do que o do ano passado. Na edição anterior, muitos times chegaram ao torneio fora de ritmo, desorganizados, mutilados pela paralisação do futebol na pandemia. Ainda apalpavam às cegas o novo e terrível cenário. Há outro ponto: a presença de adversários goianos na chave. Clubes candangos têm um histórico complexo de vira-lata contra os vizinhos. Aparecidense, Goianésia e até o combalido Jaraguá, que ameaçou desistir, podem dar trabalho. A turma do Mato Grosso também. O União Rondonópolis, por exemplo, tem um mecenas badalado: aquele que pagou R$ 1 milhão para Rodinei enfrentar o Flamengo na “final” do Brasileirão.

Pensando nas fases mais à frente, há candidatos fortes às quatros vagas para a Série C. Olho, por exemplo, no Retrô, aquele time pernambucano que vendeu caro a classificação na Copa do Brasil contra o Corinthians. O trabalho ali é sério. O Boavista-RJ desbancou o Goiás. Há também as camisas tradicionais. A Portuguesa-SP vive momento de reconstrução. América-RN e ABC estão ali no bolo. Cianorte e FC Cascavel, um dos times do Sul turbinados por Luciano Hang, dono da Havan, também merecem atenção. E tem a turma minimamente estruturada que desceu da Série C: Treze, São Bento, Boa e Imperatriz.

O Gama tem na bagagem o título da Série B em 1998 e quatro participações consecutivas na Série A do Brasileiro no período de 1999 a 2002. O Brasiliense tem na sala de troféus taças de duas das quatro divisões do futebol brasileiro — séries C e B — uma Copa Verde e um vice na Copa do Brasil. Currículos importantes que precisam ser respeitados pelas próprias diretorias nesta campanha na Série D se quiserem guinchar o futebol candango da lama de oito anos consecutivos na humilhante Série D do Campeonato Brasileiro.

Tem noção do que é isso?

Na melhor das hipóteses, o futebol candango só estará novamente na elite em 2024!

Isso com Brasiliense e/ou Gama subindo ano após ano.

Que o futuro comece neste sábado.

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Marcos Paulo Lima

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