Filipe Luís festeja o hexa-tri: deu certo no Atlético de Madrid e no Flamengo. Foto: Marcelo Cortes/Flamengo
Que raios tem a ver o Atlético de Madrid do Diego Simeone com o tricampeonato do Flamengo no Campeonato Carioca – o sexto em 125 anos de história do clube depois da vitória por 4 x 2 no placar agregado da decisão do Estadual? Respondo de bate-pronto: Filipe Luís.
Ok, Gabriel Barbosa é o cara do jogo. Mais dois gols e exibição brilhante em uma decisão. Pausa para os aplausos. Mas, para mim, o juízo que falta ao excelente Gabigol — a ponto de ele ter sido repreendido pelo capitão Diego aos gritos de “para com essa p…” por causa das provocações ao Fluminense no intervalo —, tem de sobra no lateral-esquerdo rubro-negro. Filipe Luís jogou de terno nesta noite, no Maracanã. Coincidentemente no mesmo dia em que o Atlético de Madrid conquistou o Campeonato Espanhol pela décima primeira vez ao derrotar o Valladolid por 2 x 1. É o segundo título de La Liga na Era Diego Simeone. O outro havia sido em 2013/2014. Filipe Luís jogava lá.
Pois bem. Quando o lateral-esquerdo foi contratado pelo Flamengo, havia desconfiança de que Filipe Luís não daria certo no time rubro-negro porque a ideia de jogo que se consolidava no clube não tinha nada a ver com estilo do Atlético de Madrid. Lá, o sistema de jogo de Diego Simeone favorecia o ferrolho, os bons marcadores, como é o caso de Filipe Luís. O esquema era ajustadinho, extremamente organizado, difícil de ser implodido. No Flamengo, a ideia estava mais para emular Real Madrid ou Barcelona, ou seja, ter a posse de bola, do que o Atlético de Madrid, programado para contra-atacar. Consequentemente, Filipe Luís teria de ser mais ofensivo do que era na trupe colchonera.
Aquela derrota para o Bahia na estreia pelo Flamengo, na Arena Fonte Nova, pelo Brasileirão de 2019, deixou Filipe Luís exposto. No entanto, aos poucos, o jogador mostrou suas virtudes no Flamengo. Passou a conciliar posicionamento defensivo e ofensivo. Inteligência tática. Leitura de jogo, serenidade liderança e equilíbrio nas partidas e duelos à parte mais cascudos, como aquele em que fez gol contra na vitória do Atlético-MG no ano passado na abertura da Série A.
Havia expectativa pelo duelo entre Filipe Luís e o bom de bola Kayky na final do Carioca. As atuações do experiente lateral de 35 anos colocaram o menino no bolso. Intimidaram. Mais do que blindar o lado esquerdo da defesa, Filipe Luís avançou com segurança. Em um dos apoios ao ataque, deu passe para Gabigol na ponta-esquerda e viu o camisa 9 chutar cruzado para ampliar o placar.
Filipe Luís conquistou sete troféus com a camisa do Atlético de Madrid. No Flamengo, coleciona 10 das 12 taças empilhadas na hegemonia rubro-negra desde 2019, quando a atual diretoria assumiu o clube. Por falar na cúpula, ela deveria convencer Filipe Luís a participar de cursos de formação de treinadores na Europa depois da aposentadoria para, quem sabe, iniciar a transição dele para treinador do próprio clube.
Filipe Luís é diferenciado e pode, sim, ajudar o Flamengo a brigar, ainda nesta temporada, pelo tri no Campeonato Brasileiro, tetra na Copa do Brasil e tri na Libertadores. Ele pode não ter mais físico, mas cabeça no lugar, profissionalismo e mentalidade vencedora, tem de sobra.
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