Sem Argentina e Mauro Silva, a anfitriã Colômbia festejou título em meio à guerra civil. Foto: Conmebol
Se levar adiante a possibilidade de não disputar a Copa América, hipótese discutida entre a comissão técnica e os jogadores com o presidente da CBF, Rogério Caboclo, o Brasil não será a primeira seleção a boicotar a Copa América. Há 20 anos, a Argentina bateu o pé, desistiu de participar da competição realizada na Colômbia e não houve quem fizesse a AFA recuar. Paralelamente, um jogador da Seleção Brasileira também manifestou-se contra o torneio e abandou a delegação do Brasil: o volante Mauro Silva apresentou-se a Luiz Felipe Scolari, mas “desertou” no Aeroporto Internacional de Guarulhos antes do embarque.
Em 2001, havia impasse quanto a realização da Copa América. A Colômbia recebeu o evento na marra. Havia terrorismo deflagrado pela crise entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o governo. Seis atentados, 12 mortes, 161 feridos e os sequestros do coordenador da Copa América e do vice-presidente da Federação Colombiana de Futebol colocaram o evento em xeque. A guerra civil fez com que Argentina e Canadá desistissem.
Liderada à época pelo presidente Julio Grondona, a Associação de Futebol Argentina (AFA) avisou que a seleção não participaria logo após a Colômbia bancar a realização do torneio. A opção foi aprovada pelo Comitê Executivo da AFA em 10 de julho de 2001, na véspera da abertura da competição continental. O torneio foi realizado e a anfitriã conquistou o título. A Conmebol teve de convidar Honduras às pressas para substituir a Argentina.
À época, o Comitê Organizador da Copa América e as autoridades colombianas contavam com a participação da Argentina. Havia todo um aparato pronto para blindar a delegação, com hotel reservado em Medellín e 4.500 policiais destacados para blindar o evento. Somente a Argentina teria 90 soldados zelando pela segurança da equipe então comandada por Marcelo Bielsa.
“Quis mostrar a minha revolta com o fato de os interesses políticos e econômicos falarem mais alto. Se, há uma semana, a Colômbia não tinha condições de realizar a Copa América, por que agora tem? O que mudou? Foi a pressão dos investidores? O interesse daqueles que teriam prejuízo com o cancelamento da Copa América é mais importante do que a vida humana?”
Mauro Silva, em 11 de julho de 2001, ao se negar a embarcar com a Seleção para a disputa da Copa América numa Colômbia em guerra civil
A Argentina contava com jogadores como Walter Samuel, Ariel Ortega, Diego Simeone, Javier Zanetti, Pablo Aimar, Marcelo Gallardo e Hernán Crespo, muitos deles treinadores atualmente. Cogitou-se, inclusive, a participação da Argentina com elenco sub-20 reforçada por veteranos como Sensini e Ortega a fim de não deixar buraco na tabela, mas a AFA foi irredutível.
Ao contrário da AFA, a CBF decidiu enviar a Seleção à Colômbia. A delegação embarcou em 11 de julho de 2001 sob o comando de Luiz Felipe Scolari. Aos 33 anos, o então jogador do La Coruña não entrou no avião e posicionou-se contra a Copa América.
“Quis mostrar a minha revolta com o fato de os interesses políticos e econômicos falarem mais alto. Se, há uma semana, a Colômbia não tinha condições de realizar a Copa América, por que agora tem? O que mudou? Foi a pressão dos investidores? O interesse daqueles que teriam prejuízo com o cancelamento da Copa América é mais importante do que a vida humana?”, questionou à época. “Não sei se a minha decisão isolada vai valer alguma coisa, mas cada um tem que fazer sua parte. É preciso mudar a postura com o futebol. Há muita gente utilizando o nosso esporte por interesses políticos e pessoais”, desabafou um dos heróis do tetra.
Naquela edição, a Traffic era a detentora dos direitos de comercialização da competição. Os direitos de tevê foram vendidos para a Globo Esportes, braço da Rede Globo.
Ao saber da decisão de Mauro Silva, o técnico Luiz Felipe Scolari argumentou que a Polícia Federal estava acompanhando a Seleção e que haveria segurança militar em Cáli, sede dos jogos do Brasil no torneio, mas que respeitava a decisão do jogador de abandonar a delegação. Dias depois, o volante teria dito a Felipão que o verdadeiro motivo de não ter ido para a Copa América foram problemas familiares. O fato é que Mauro Silva não voltou a ser convocado e ficou fora da Copa do Mundo de 2002.
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