Antes da crítica, o meu respeito. Um técnico campeão da Copa Libertadores da América com o Flamengo (2022), tri da Copa do Brasil por Santos (2010), Flamengo (2022) e São Paulo (2023), e vice-campeão do Brasileirão com o Santos (2016) na era dos pontos corridos não é ruim. Longe disso. Há um porém: assim como há jogador de clube, Dorival Júnior é técnico de time, não de Seleção. O fardo está pesado demais para ele. O concerto da Argentina por 4 x 1 no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, pode ter sido para o Brasil o cortejo do fim de um trabalho de 16 jogos. A pergunta é: O que fazer a 442 dias da Copa do Mundo de 2026?
O maior culpado é o presidente Ednaldo Rodrigues. Quem acompanha o blog sabe: Tite avisou que não ficaria em março de 2022 em entrevista ao colega Marcelo Barreto no Redação SporTV. O dirigente empurrou a escolha do sucesso com a barriga até janeiro de 2024! Tratou a Seleção como bico. Ramon Menezes e Fernando Diniz fizeram “frila” na única seleção pentacampeã mundial.
Ednaldo é imprevisível. Não demitiu Ramon Menezes da Seleção Sub-20 depois da eliminação diante de Israel no Mundial da categoria. Muito menos quando ele deixou o país fora do torneio masculino de futebol dos Jogos de Paris-2024 no fracasso no Pré-Olímpico. Ele segue funcionário da CBF. Neste ano, estreou sofrendo 6 x 0 da Argentina, mas no fim ganhou o bicampeonato no Sul-Americano Sub-20. O currículo de Dorival Júnior não merece mais respeito do que o do prestigiado Ramon Menezes?
As perguntas devem ser respondidas pelo presidente reeleito por unanimidade por 27 federações e 40 clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro na Assembleia Eleitoral da última segunda-feira. Estrategicamente na véspera do clássico, em Buenos Aires. Faz parte do jogo político, principalmente de quem está com a máquina na mão. Validado até março de 2030, Ednaldo Rodrigues sai vitorioso da semana em que deixou a Seleção sozinha, em Brasília, para priorizar a carreira política. Cumpriu agenda e foi chegou aos jogos contra a Colômbia e a Argentina na véspera. Em outubro do ano passado, ele foi ao Mané Garrincha cercado de jogadores campeões mundiais e sentou-se com eles na arquibancada para dar moral ao treino de Dorival. Não houve nada disso desta vez.
Enquanto isso, Dorival Júnior estava exposto, entregue à própria sorte nesta Data Fifa. Sem garantia de continuidade. Nada mais do que a raça e a vontade de vencer funcionaram contra a Colômbia. Diante da Argentina, nem isso. O técnico foi incapaz de apresentar soluções táticas imediatas, reconhecer o erro na escalação inicial e contrapor Lionel Scaloni no concerto dos atuais campeões mundiais no palco monumental. Falta repertório, e não há indicativo de que teremos nos jogos de junho.
Dito isso, é hora de mudar mais uma vez. Em curto prazo, vejo duas soluções. A primeira é dar a prancheta a André Jardine com um contrato de longo prazo, até 2030. Ele conhece a nova safra como poucos em tem conceitos modernos. Levou a Seleção ao bicampeonato nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. Chegou a ser assistente de Tite em algumas partidas e decidiu reativar a carreira solo distante da CBF. Faz sucesso no México. Acho até que uma hora dessas assumirá a seleção de lá.
A outra alternativa é impopular: contrato emergencial temporário com Tite até a Copa de 2026, em uma transição para a chegada do guru e amigo dele, Carlo Ancelotti. Tite conhece o material humano disponível para focar na classificação. Está desempregado depois do péssimo trabalho no Flamengo. Pesa contra ele o fato de ter falado mal do calendário da CBF quando estava no time carioca. Parreira não foi bem na primeira vez, mas voltou duas. Ganhou a Copa em 1994 e foi eliminado nas quartas em 2006. Telê Santana saiu depois da Copa de 1982 e retornou para o Mundial de 1986. Zagallo nem se fala.
Se for ousado mesmo, e dinheiro não falta na CBF, Ednaldo Rodrigues pagará quanto for preciso pela rescisão imediata dos sonhos de consumo dele: Carlo Ancelotti e Pep Guardiola. Mas tem que ser para já! Chega de interinos. Se Dorival sair, o sucessor tem que assumir agora e instalar um gabinete de crise. O Brasil enfrentará o Equador na altitude e o fortalecido Paraguai, em junho.
As outras alternativas são conversar com Leila Pereira sobre a liberação de Abel Ferreira; com Luiz Eduardo Baptista, o Bap, sobre Filipe Luís, ou chutar o orgulho para escanteio e viajar à Arábia Saudita para apresentar oferta a Jorge Jesus. Quem sabe até dar um pulo na Alemanha a fim de convencer o alemão Jurgen Klopp a trocar a vida de executivo na Red Bull pelo desafio de assumir o Brasil. É grave a crise. A areia da ampulheta está acabando a 442 dias da Copa e a CBF terá de atirar para todo lado.
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