
A necessidade gera oportunidade e demanda criatividade. Alguém da comissão técnica precisa lembrar o italiano Carlo Ancelotti de que o volante Fabinho começou a carreira na lateral direita. Logo, com o desligamento de Wesley do elenco por causa de contusão, o jogador de 32 anos deveria ser considerado uma alternativa para a posição no amistoso da próxima terça-feira contra a Croácia, em Orlando, na Flórida, Estados Unidos.
Fabinho foi lateral direito na base do Fluminense. Desembarcou nessa posição no Real Madrid Castilla depois da passagem pelo Rio Ave de Portugal. Tinha essa função no Monaco até a chegada de quem mudou a vida dele no time francês: o técnico Leonardo Jardim. O português, ex-Cruzeiro, atual comandante do Flamengo, enxergou potencial nele para desempenhar o papel de volante devido a uma característica: a facilidade de Fabinho jogar por dentro.
Antes disso, Dunga, sucessor de Luiz Felipe Scolari na Seleção depois da Copa de 2014, curtiu Fabinho na lateral direita e o convocou justamente na posição de origem dele. Chamou o jogador pela primeira vez em 2014 para substituir Maicon devido a um ato de indisciplina do veterano. O paulista de Campinas trabalhava com o elenco da seleção olímpica e se apresentou ao capitão do tetra para a primeira aventura na Amarelinha.
Fabinho passou a competir com Danilo pela posição. Entrou no lugar dele na vitória por 3 x 0 contra o México no Allianz Parque. Foi titular pela primeira vez em um amistoso contra Honduras no Beira-Rio, em Porto Alegre. Entrou na lista para a Copa América de 2015 no Chile como lateral-direito. Seguiu no grupo depois do torneio e assumiu a camisa 2 em um amistoso em Boston contra os Estados Unidos.
Em 2016, passou a fazer sombra a Daniel Alves em um amistoso contra o Panamá antes da Copa América Centenário e começou a desaparecer da convocação quando Leonardo Jardim começou a desloca-lo da lateral direita do Monaco para o papel de volante.
Tite convoca Fabinho como lateral-direito, mas depois passa a chama-lo no papel de volante devido ao sucesso dele no Liverpool na função de cabeça de área. O jogador fica fora da lista final para a Copa do Mundo de 2018. Perde a concorrência pela posição para Fernandinho, mas não sai do radar de Tite depois da eliminação contra a Bélgica.
No novo ciclo, é utilizado como lateral em uma vitória contra os Estados Unidos no MetLife Stadium em setembro de 2018; contra a Arábia Saudita em Ryad; e diante da Argentina em um clássico centenário. Tite chama Fabinho para a Copa América de 2021 e o leva para a Copa do Mundo de 2022 como volante.
Em tempos de crise, recomenda-se não descartar uma palavra-chave no futebol moderno: versatilidade. Carlo Ancelotti não tem Vanderson nem Éder Militão nessa Data Fifa. Acaba de perder Vanderson. Danilo tem atuado como zagueiro no Flamengo. Fabinho é volante no Al-Ittihad na Arábia Saudita. O italiano precisa lembrar que, mesmo em um elenco mutilado por contusões, tem duas boas opções para uma função tão carente. Há 11 anos, Danilo e Fabinho eram concorrentes. Por que não de novo?
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