Juan de Dios Crespo entregou cheque do PSG ao Barça por Neymar, liberou Messi e ajudou Guerrero. Foto: AFP
Apelidado de “Messi do Direito” por resolver a vida de clientes badalados como o próprio Lionel Messi, Luis Suárez, Neymar e até da CBF, o advogado de Paolo Guerrero, Juan de Dios Crespo Pérez, de 57 anos, conseguiu nesta quarta-feira mais um gol de placa na carreira: reduziu a pena do jogador do Flamengo de um ano para seis meses. Com isso, o centroavante rubro-negro pode jogar até duas partidas na fase de grupos da Libertadores caso o Flamengo mantenha o contrato com o peruano. Guerrero também está liberado para disputar a Copa do Mundo de 2018. O Peru caiu no grupo de França, Austrália e Dinamarca. O gringo havia sido flagrado no exame antidoping no empate por 0 x 0 com a Argentina nas Eliminatórias.
Juan de Dios Crespo reforçou o time de advogados de Guerrero na semana passada. Tabelou com Bichara Neto e Marcos Motta na apresentação do recurso na Fifa. Lembra dele? O cara que reduziu a pena de Guerrero é aquele personagem que usava gravatinha borboleta, chapéu e carregava na pasta um cheque de 222 milhões de euros na finalização da maior transação da história do futebol — a transferência de Neymar do Barcelona para o PSG. É o mesmo também que assumiu o papel de fiel escudeiro de Messi contra a Fifa neste ano, defendeu Luis Suárez no episódio da mordida no italiano Chiellini após a Copa de 2014, diminuiu a pena por uso de cocaína de um jogador equatoriano e até representou a CBF no passado.
Proprietário do PSG, o xeque Nasser Al-Khelaifi não queria seus petrodólares nas mãos de um profissional qualquer na negociação de Neymar. Ciente de que Juan de Dios Crespo exibe no currículo o cancelamento de uma sanção da Fifa a Lionel Messi nas Eliminatórias da Copa de 2018, a diminuição da pena de José Angulo por doping de cocaína e o triunfo de um jogador do Universitario, do Peru, numa batalha judicial do Genoa, da Itália, o xeque entregou sua grana a quem saberia exatamente como lidar com a Liga de Futebol Profissional da Espanha (LFP) e o Barcelona.
Juan de Dios Crespo bateu primeiro na porta da LFP. A entidade que comanda o Campeonato Espanhol não aceitou receber os R$ 821 milhões. Frio e calculista, dirigiu-se até a sede do Barcelona e cumpriu mais uma das inúmeras missões. Provavelmente, o pagamento da contratação de Neymar tenha sido a tarefa mais fácil da carreira.
O homem do chapéu e gravata borboleta nasceu em Madri, mas começou no direito em Valencia. Cinco anos depois, montou um dos maiores escritórios da Espanha — o Ruiz-Huerta & Crespo. A empresa virou referência no mundo da bola, principalmente devido à trajetória e ao fácil trânsito de Juan de Dios Crespo nos bastidores do esporte. A facilidade com direito esportivo, direito internacional comercial e a facilidade com idiomas o fizeram assumir mais de 200 casos na Corte Arbitral do Esporte e a assessorar atletas e clubes em transferências. O último grande serviço antes de assumir o Caso Guerrero foi prestado justamente a Neymar e ao PSG no negócio do ano com o Barcelona.
Em 2017, Juan de Dios Crespo conseguiu uma das vitórias mais badaladas da carreira. A Fifa suspendeu Messi com o gancho de quatro partidas em jogos oficiais da Argentina devido a uma discussão com o assistente brasileiro de arbitragem Emerson Carvalho, na vitória dos hermanos sobre o Chile, em 23 de março, pelas Eliminatórias. A Associação de Futebol Argentina (AFA) e Messi contrataram o profissional para representá-lo na apelação apresentada à Fifa e marcaram um gol de placa derrubando o castigo. “Foi o caso mais midiático por se tratar do melhor jogador do mundo”, brincou Crespo em junho. “A sanção a Messi era difícil de digerir.”
Na América do Sul, o escritório do advogado espanhol também representou o Universitario, do Peru, numa batalha judicial de cinco jogadores peruanos contra o Genoa. Um deles, Andy Polo, ganhou a queda de braço e teve direito a receber US$ 1,4 milhões do clube italiano. O Bahia o contratou no Caso Victor Ramos. No passado, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, também requisitou o trabalho do profissional.
Em 2016, o equatoriano José Angulo, do Granada, testou positivo para uso de cocaína e foi suspenso pela Fifa por dois anos. Contratado pelo jogador, o escritório de Crespo reduziu a pena pela metade, para um ano, e o jogador voltou a treinar dois meses antes. Crespo provou que o doping não foi intencional.
Os triunfos da empresa Ruiz-Huerta & Crespo nos bastidores do esporte não se resumem a jogadores e ex-atletas como Zidane, Sorín, Agüero, Morientes, Sissoko, Messi e a clubes de futebol. Há triunfos no rúgbi, judô, badminton, handebol, futebol de salão… Algumas história e comentários viraram até livro. Juan de Dios Crespo chegou a ser eleito o 13º melhor advogado da Europa em um ranking elaborado pela Chambers e Partners.
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