Abel repete escalação e potencializa o encaixe de Arias no Palmeiras

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Andreas sofreu o pênalti cobrado por Andreas Pereira. Foto: Cesar Greco/Palmeiras

 

A repetição é a mãe da retenção. Abel Ferreira manteve a escalação inicial do Palmeiras pela quarta vez nos últimos cinco jogos. Derrotou o Vitória, o Corinthians, o Internacional e o Capivariano. Poupou titulares acertadamente no empate com o Guarani na última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista. O português inicia bem a temporada.

 

Abel precisa repetir a formação uma, duas, três, quatro vezes e quantas mais forem necessárias porque o setor mais importante do Palmeiras demanda entrosamento entre o recém-chegado Marlon Freitas e o parceiro Andreas Pereira. Eles são o cérebro do novo plano do técnico lusitano. Ele caminha para um sistema 4-2-4 e tem recursos humanos para isso. A estreia do colombiano Arias na goleada por 4 x 0 contra o Capivariano na Arena Barueri indica a montagem do time nesse modelo.

 

Chamo atenção para um detalhe nas quatro partidas em que a escalação inicial se repetiu: o Palmeiras sofreu apenas um gol na vitória por 3 x 1 contra o Internacional. Passou ileso nas outras três. Suportou a pressão do Corinthians na Neo Química Arena e se impôs contra adversários mais frágeis. São os casos do Vitória e do Capivariano.

 

O time-base de Abel Ferreira dá milhas ao goleiro Carlos Miguel. À frente dele, a dupla de zaga formada por Gustavo Gómez e Murilo. Khelven e Piquerez são laterais com perfis de alas com a posse a da bola, reponsáveis por apoiar a dinâmica criada com Allan na direita e Mauricio na esquerda, respectivamente. A sincronização entre eles evolui.

 

Por dentro, Marlon Freitas e Andreas Pereira tomam conta do meio de campo. O reforço vindo do Botafogo costuma dar um passo atrás para se posicionar entre os zagueiros em uma das variações de Abel Ferreira. O Palmeiras passa ao sistema 3-4-3. Khelven, Andreas Pereira, Mauricio e Piquerez se alinham no meio de campo. Allan, Flaco López e Vitor Roque formam o trio ofensivo. A transformação é muito interessante.

 

A questão é onde encaixar Jhon Arias. O estreante mostrou o que todos nós sabemos: capacidade para atuar em qualquer faixa no meio de campo. Partindo do princípio de que Abel Ferreira não abrirá mão de Marlon Freitas nem de Andreas Pereira, é possível afirmar que a disputa está aberta nas duas pontas e no ataque.

 

Arias disputa posição com Allan e Mauricio, mas a dupla de ataque formada por Flaco López e Vitor Roque não está imune. Abel Ferreira deixou claro que se não houver comprometimento de um deles na recomposição para apoiar Marlon Freitas e Adreas na marcação, não pensará duas vezes em mandar um deles para o banco de reservas.

 

Sem Flaco López ou Vitor Roque, seria mais fácil acomodar os três pontas. O Palmeiras teria um 4-2-3-1 com Allan, Arias e Mauricio atrás de um dos centroavantes. E nem falei do Paulinho. Uma hora dessas ele volta e tem tudo para embaralhar ainda mais as cartas no sortido tabuleiro tático do Abel Ferreira.

 

Enquanto Tite tateia uma função para Gerson no Cruzeiro e Filipe Luis procura o melhor espaço para Lucas Paquetá no Flamengo, Abel Ferreira já tem desenhado mais de um espaço para fazer Arias funcionar. Motivo? A repetição da escalação. O colombiano é acima da média e entendeu direitinha como toca a banda alviverde.

 

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