A “polonização” do Flamengo: teste contra Audax lembra o que Paulo Sousa fez contra Andorra

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Paulo Sousa comandou a seleção da Polônia em 15 jogos. Usou linha defensiva de três em 12 partidas. Adotou o modelo convencional com quatro nas outras três. Está claro que há uma ideia na cabeça do novo técnico português do Flamengo neste início de temporada. Ele tem preferência por uma linha de três e suas variações: 3-5-2, 3-4-3, 3-4-1-2 ou 3-4-2-1. Parto do princípio de que quem contratou investigou isso e não está minimamente surpreso.

A vitória desta quinta-feira por 2 x 1 contra o Audax não empolgou, óbvio, mas foi importante para Paulo Sousa testar seus conceitos. Na minha opinião, o lusitano emulou no Flamengo o que fez em uma goleada da Polônia sobre Andorra por 4 x 1, em 12 de novembro de 2021, pelas Eliminatórias Da Europa para a Copa do Mundo do Catar 2022.

Naquele jogo, a linha de três defensores de Paulo Sousa também tinha apenas um zagueiro de ofício no sistema 3-4-1-2. Glik ocupava o setor central como se fosse uma espécie de líbero. Ao lado dele, a Polônia tinha dois laterais de origem no papel de beques: Bereszynski (Sampdoria) na direita e Rybus (Lokomotiv Moscou) na esquerda. Qualquer semelhança com Léo Pereira na sobra e os laterais Isla e Filipe Luís improvisados na zaga ao lado dele é mera coincidência.

Escalação inicial contra o Audax: 3-4-1-2 com alternância para 3-4-2-1. Arte: Blog Drible de Corpo

A segunda linha da Polônia contra Andorra tinha uma linha de quatro jogadores: Jozwiak no lado direito, Krychowiak e Klich por dentro e Frankowski na ala canhota. O Flamengo iniciou a partida contra o Audax posicionado da direita para a esquerda com Matheuzinho, Andreas Pereira, Thiago Maia e Lázaro. Um ala de origem em um lado e um ponta aberto na outra.

O setor ofensivo da Polônia contava com Zielinski (Napoli) atrás da dupla de ataque formada pelo astro eleito duas vezes melhor do mundo Lewandowski (Bayern de Munique) e Milik (Olympique de Marselha). No Flamengo, Paulo Sousa configurou o ataque com Arrascaeta atrás de Gabriel Barbosa e Pedro. Em vários momentos, o 3-4-1-2 virou 3-4-2-1. Arrascaeta e Gabigol recuavam para armar o time por dentro. Milik fazia o mesmo na Polônia. Dava um passo atrás para colaborar com Zielinski na criação das jogadas.

É óbvio que o Flamengo não é a Polônia nem a Polônia é o Flamengo. Tentei esmiuçar aqui um pouco do pensamento de Paulo Sousa. Os conceitos são os mesmos usados nas passagens por Basel, Fiorentina, Tianjin Quanjian, Bordeaux e Polônia. É o estilo do português. Chamar o treinador de burro com apenas três jogos de “pré-temporada” é bem mais do que falta de educação esportiva e paciência. Soa como imaturidade, desconhecimento ou no mínimo preguiça de desvendar a biografia do treinador.

Modelo semelhante usado na Polônia contra Andorra pelas Eliminatórias. Arte: Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

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