Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

Análises, opinião e lembranças do arco-da-velha sobre o futebol. 5.207 publicações

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A indignação seletiva de Abel Ferreira na semifinal da Copa do Brasil

Dá para cobrar do técnico do Palmeiras o mínimo de empatia com o Vasco no lance do pênalti ignorado por Daronco? O comportamento é mais uma face do narcisismo no futebol brasileiro

Abel Ferreira durante a vitória do Palmeiras contra o Vasco no Nubank Parque. Foto: Cesar Greco/Palmeiras

A indignação seletiva de Abel Ferreira precisa ser combatida. Embora o técnico do Palmeiras tenha se recusado a comentar o lance polêmico, sim, foi pênalti para o Vasco ignorado pelo juiz Anderson Daronco na vitória alviverde por 1 x 0 no Nubank Parque no primeiro jogo das semifinais da Copa do Brasil. Justificar o silêncio pelos danos causados à imagem pessoal em seis anos no futebol brasileiro soa, no mínimo, desrespeito.

“Não tenho o que falar sobre isso, entendo a pergunta. Poderia me perguntar sobre o Lucas (Evangelista) que levou o braço na cara. Vou deixar para vocês criarem conteúdos, vocês precisam de cliques. São bons lances para vocês fazerem conteúdos”, driblou Abel Ferreira na entrevista coletiva depois da partida em São Paulo.

“Nunca nenhum treinador na história do futebol brasileiro levou jogos como eu levei por reclamar. A conclusão que cheguei, infelizmente, depois de seis ou sete anos, com a experiência que tenho e deveria ter aprendido mais rápido, é bater em ponta de faca”, criticou o treinador, concluindo com uma resolução:

“Quando o futebol deixar de ser político, acredito que as coisas podem melhorar. Só me prejudiquei a defender o Palmeiras. Minha imagem, meu nome e como se só não bastasse, ainda tive o STJD a fazer… se calhar deveria ser mais vezes castigado. Não vou falar mais dos árbitros”, concluiu o treinador alviverde. 

O Palmeiras é favorito contra o Vasco em qualquer campeonato ou torneio e sistema de disputa. O gol de Mauricio no primeiro tempo e a quantidade de chances desperdiçadas materializam o óbvio. O placar, não. O resultado aparenta insuficiência para matar a série por dois motivos: como se não bastasse o pênalti ignorado, o time cruzmaltino teve o zagueiro uruguaio Saldivia expulso aos 32 minutos do primeiro tempo. 

Aniquilar o Vasco em São Paulo era importante para quem sonha com três títulos no fim do ano: Copa do Brasil, Brasileirão e a Libertadores. Em tese, há o atenuante de que o adversário neste meio de semana é o frágil Remo em casa. 

O rodízio no elenco facilita a renovação do fôlego para o duelo de volta contra um adversário ameaçado pelo rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O Vasco visitará o Athletico-PR neste meio de semana na Arena da Baixada. 

É importante ponderar: o Vasco vem batendo na trave na Copa do Brasil. Foi eliminado pelo Atlético-MG nas semifinais de 2024 em São Januário. Perdeu o título no Maracanã para o Corinthians em 2025. O Gigante da Colina criou casca grossa na competição. Basta lembrar como chegou à final no ano passado ao desbancar o favorito Fluminense.

Há um último lembrete importante: o Palmeiras tem nove derrotas em 64 jogos no ano. Uma delas foi justamente para o Vasco, em São Januário, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. O triunfo de virada foi construído na gestão de Renato Gaúcho e pode servir de inspiração para Pedro Emanuel investir na possibilidade de uma vitória pelo placar mínimo no tempo regulamentar e a decisão por pênaltis em São Januário.