A expectativa é a mãe da frustração. Carlo Ancelotti prometeu uma penúltima convocação mais próxima possível do anúncio da lista final para a Copa de 2026. As lesões não deixaram.
Desejava um Brasil mais forte possível no simulado contra a França no Gillete Stadium, em Boston, nos EUA. Iniciou a derrota por 2 x 1 sem sete titulares: Alisson, Éder Militão, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães, Estêvão e Rodrygo.
Resumindo: cuidado com o andor que a Seleção é de barro. Ou de vidro, como alertei em uma coluna na edição impressa do Correio Braziliense.
Os sistemas de jogo da Seleção estão definidos. Ancelotti mais uma vez optou pelo 4-2-4, variável para 4-4-2 sem a bola. O outro modelo é o 4-3-3. Nos momentos mais ofensivos, o plano do italiano é agredir no 3-2-5, como no lance em que o lateral-direito Wesley surgiu em velocidade na direção do gol e foi derrubado por Upamecano. O zagueiro foi expulso.
Àquela altura, a França vencia por 1 x 0. Golaço de Mbappé em uma rápida transição com assistência do melhor do mundo Dembélé para Mbappé abrir o placar com um leve toque de classe por cima do goleiro Ederson. Quando Léo Perereia se deu conta, o atacante surgia nas costas dele em velocidade para abrir o placar.
Mesmo com um jogador a menos depois do cartão vermelho para Upamecano, a França contou com uma assistência do onipresente Olise. Baita jogador! Um dos astros do ataque do Bayern de Munique ao lado de Harry Kane e Luis Díaz, ele ampliar o placar facinho.
Se o Brasil iniciou a partida desfigurado, terminou mais ainda. A entrada de Luiz Henrique acrescentou dribles, uma pitada de imposição física diante da fortíssima e alta França.
Eis um detalhe interessante. A média de altura do Brasil no início da partida era de 1,82m. Do outro lado, a França começou o confronto com 1,86m. Faz muita diferença no futebol pós-moderno, no qual a demanda é muito mais por atletas do que jogadores.
Quando a altura é insuficiente, o posicionamento dentro da área faz a diferença. Bremer aproveitou o cruzamento de Luiz Henrique e diminuiu o placar para o Brasil. Faltou Vinicius Junior. Jogos grandes demandam superpoderes dos protagonistas. Raphinha deixou o campo lesionado.
Vestido com a camisa 10, o astro do Real Madrid mais uma vez frustrou quem esperava vê-lo como nos tempos dois títulos da Champions League com o italiano.
Há um caminho de quatro anos a ser percorrido em uma semana na Granja Comary e nas outras duas em New Jersey até a estreia contra Marrocos na Copa, em 13 de junho. O amistoso de terça contra a Croácia pode apresentar algumas soluções, mas o resultado, outra vez minimizado por Carlo Ancelotti, pode cobrar caro em caso de novo revés.
A convocação de 19 de maio passaria de suspense ao trailer de um filme de terror na Copa.
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