A deselegância do Athletico-PR na demissão de Fábio Carille e a lição ensinada pelo Palmeiras

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Clubes brasileiros costumam se inspirar em gigantes da banda de lá do Oceano Atlântico. Afinal, os jardins dos “vizinhos europeus” costumam ser mais bonitos. Mas há um exemplo interno que o Athletico-PR, atual campeão da Sul-Americana e vice da Copa do Brasil, deveria ter aprendido com o campeão da Libertadores Palmeiras antes de cometer a deselegância de demitir Fábio Carille com sete dias de treino e sete jogos em apenas 21 dias de trabalho. Antes, Alberto Valentim havia deixado o clube.  Luiz Felipe Scolari é o favorito a assumir a prancheta.

Há pouco mais de um ano, Abel Ferreira era questionado no Palmeiras. O português acumulava derrotas. Caiu nas semifinais do Mundial de Clubes da Fifa e amargou o quarto lugar, a pior posição de um time sul-americano na competição. Perdera a Supercopa para o Flamengo e a Recopa diante do Defensa y Justicia, ambas no Mané Garrincha. Amargou o vice no Paulistão contra o arquirrival São Paulo. Havia ingredientes para questioná-lo e até mesmo cobrar a troca no comando alviverde, porém a diretoria da época resistiu.

O então presidente Maurício Galiotte e o executivo Anderson Barros preferiram manter Abel Ferreira no cargo. Apesar dos altos e baixos, o trabalho continuou sob muita pressão. O lusitano tinha crédito. O Palmeiras vinha de conquistas na Copa do Brasil contra o Grêmio e na Libertadores diante do Santos. Daí a escolha por não dispensá-lo.

O tempo passou e os resultados mostram que a decisão estava correta. O Palmeiras evoluiu, voltou a ser competitivo, desbancou Universidad Católica, São Paulo, Atlético-MG e Flamengo e brindou a torcida com o bicampeonato na Libertadores. Na sequência, o vice no Mundial de Clubes contra o Chelsea, o título da Recopa contra o Athletico-PR e do Paulista com uma imponente virada por 4 x 0 contra o São Paulo provaram que a manutenção de Abel Ferreira no cargo contra tudo e quase todos só fez bem ao Palmeiras. Amadureceu.

Fábio Carille não é Abel Ferreira. Muito menos dispõe de um elenco como o do Palmeiras. Mas ele não se trata de um técnico qualquer. Há cinco anos, ele conduzia um plantel modesto do Corinthians ao título do Campeonato Brasileiro e ao tricampeonato paulista.

O profissional perdeu o emprego com quatro derrotas e três vitórias. Uma delas, na Arena da Baixada, contra o todo-poderoso Flamengo, por 1 x 0. O trabalho iniciado em 13 de abril não era bom. Interrompê-lo bruscamente depois de sofrer goleada por 5 x 0 na altitude contra o The Strongest na altitude de La Paz não parece honesto. O plano de jogo na capital boliviana mostrou-se equivocado, mas o trabalho estava apenas começando em um calendário insano como o desta temporada, comprimido pela Copa do Mundo.

Tenho a impressão de que Celso Petraglia e companhia estão incomodados com o belo início do arquirrival Coritiba no Brasileirão. Enquanto o Coxa tenta se firmar no G-4, atrás de Corinthians, Bragantino e Atlético-MG,  o Furacão se incomoda com o Z-4. É o primeiro time fora da zona de rebaixamento, à frente de Atlético-GO, Goiás, Juventude e Fortaleza.

“Cheguei ao clube em 13 de abril e fiz questão de começar a trabalhar imediatamente. Sabia que seria pouco tempo de treino para muitos jogos importantes. Infelizmente, 21 dias depois, o nosso projeto se encerrou. Vim ao clube empolgado para trabalhar, organizar essa equipe que pode render muito mais, porém não houve tempo para isso. Saio triste por não ter este tempo para colocar o nosso trabalho em prática, mas de cabeça erguida por trabalhar ao máximo e respirar o clube em toda e qualquer oportunidade que tivemos”, disse Fábio Carille na repentina despedida do Furacão.

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Marcos Paulo Lima

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