Fernando Diniz é brasileiro e não desiste nunca de um meia à moda antiga ou moderna. Isso ajuda a explicar a estreia com vitória no Corinthians. Rodrigo Garro serviu Kayke no primeiro gol. Deixou Yuri Alberto em condição de marcar o segundo. Embora vista a camisa 8 desde que perdeu a 10 para Memphis Depay, o argentino é o spalla do time.
É assim que as bandas tocam sob a batuta do maestro Diniz. Raphael Veiga teve a carreira transformada pelo técnico no Athletico-PR, inclusive com passagem pelo divã. Quando voltou do empréstimo ao Palmeiras, virou outro jogador com Abel Ferreira.
O novo técnico alvinegro recuperou Paulo Henrique Ganso no Fluminense na conquista inédita da Libertadores de 2023. Devolveu o protagonismo a Philippe Coutinho em parte da parceria com o camisa 10 no Vasco até a final da Copa do Brasil contra o Corinthians.
Há outros exemplos. A bola era de Matheus Pereira na campanha do Cruzeiro até a final da Copa Sul-Americana em 2024. Quando Neymar se machucou na Seleção, Diniz entregou a camisa 10 a Rodrygo e deu moral a Lucas Paquetá antes do envolvimento do ex-jogador do West Ham no escândalo de manipulação de resultados na Inglaterra.
Na terra dos enganches, como os argentinos costumam chamar o meia responsável por funcionar como metrônomo, Rodrigo Garro encontrou dois passes decisivos. Quem soube aproveitar as assistências brindou a torcida com o fim da sequência de nove jogos sem vencer e encerrou a má sequência de resultados. Pior para o Platense.
Os problemas do Corinthians não acabaram. Fernando Diniz teve apenas dois dias para treinar. Apostou em uma fórmula que não deu certo no primeiro tempo, melhorou na etapa final e tem pouco tempo de ensaio novamente para o clássico contra o Palmeiras. Por enquanto, as boas notícias são o fim do jejum de oito jogos e a visão de Garro.
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