A coerência de Fernando Diniz na segunda convocação da Seleção Brasileira

Compartilhe

A segunda convocação de Fernando Diniz foi coerente. Gostemos ou não, o técnico interino  escolheu um caminho: aproveita parte do legado da Era Tite e adapta aos próprios conceitos no curto prazo de validade do trabalho. Há quem esteja decepcionado porque tinha expectativa por uma revolução depois da Copa do Mundo no Catar. A frustração se  deve provavelmente ao vício da terra arrasada e a um certo desconhecimento do dinizismo.

Há quem clame por uma faxina geral depois da eliminação contra a Croácia. Vamos refrescar a memória. A Seleção do tetra, em 1994, tinha como base aquela eliminada nas oitavas de final contra a Argentina. Nomes como Taffarel, Jorginho, Branco e Dunga  ficaram marcados como símbolos daquele fracasso. Bebeto e Romário foram de reservas de Muller e Careca a titulares na campanha do título. Aldair, Ricardo Rocha, Muller e Mazinho também continuaram até a conquista nos Estados Unidos. Portanto, 10 jogadores.

Houve grita geral por renovação depois da derrota por 3 x 0 na final da Copa de 1998 contra a França. Pois aquele time serviu de ponto de partida para o penta. Os titulares Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo. Os reservas Denílson e Dida também foram do vice sob o comando de Zagallo ao título com a Família Scolari quatro anos depois, em 2002.

Há quem cite a Alemanha como exemplo. Aquele grupo tentou o título em 2006 e em 2010 antes de erguer o troféu no Maracanã. Símbolos do tri da Argentina, Lionel Messi, Di María e outros jogadores persistiram até a conquista do ano passado. Portanto, Fernando Diniz não está equivocado ao reciclar peças dos seis anos e meio de trabalho do Tite.

Diniz aproveita o que considera reutilizável e aplica os conceitos de jogo dele. Customiza o jeito de jogar. O método de trabalho demanda tempo e repetição. Em vez de apostar em experiências, ele prefere consolidar contra a Venezuela, na Arena Pantanal, em Cuiabá, o plano para três jogos dificílimos em série: Uruguai e Colômbia fora e a Argentina em casa.

Portanto, a prioridade em curto prazo é o conjunto, o processo de desenvolvimento do jogo coletivo da Seleção Brasileira. O dinizismo aposta na repetição da escalação e depois da introdução de jogadores capazes de manter o padrão estabelecido. Há praticamente uma certeza de que o time titular contra a Venezuela será: Ederson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Renan Lodi; Casemiro, Bruno Guimarães e Neymar; Raphinha, Richarlison e Rodrygo. Diniz entende que a fixação dos movimentos depende das repetições e de acessórios importantes como Gerson. Se ele tem essa sensibilidade para identificar o jogador do Flamengo como relevante para o jogo que pretende implementar, aguardemos para observar.

Sim, Diniz é interino, mas não parece disposto a fazer o trabalho sujo. Mano Menezes topou essa missão em 2010 e não foi minimamente valorizado. José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. demitiram o treinador depois da conquista do Superclássico das América contra a Argentina, em La Bombonera, para levar Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira ao poder para a Copa de 2014. Quem lembra do trabalho de renovação do Mano Menezes? Alguém diz que ele lançou Neymar como titular na Seleção principal?

O trabalho de Fernando Diniz tem data para acabar. A CBF espera assinar pré-contrato com o comandante italiano do Real Madrid a partir do meio do ano e tê-lo efetivamente como técnico no meio do ano que vem, se possível, nos Estados Unidos. Enquanto não está assinado, o interino alimenta a possibilidade de virar efetivo e quer fazer o melhor trabalho possível. Venceu Bolívia e Peru. Tem 100% de aproveitamento e quer mantê-lo.

Para finalizar, como publicou o blog em post anterior, Diniz obedeceu o presidente Ednaldo Rodrigues e evitou cascas de banana nas convocações. Investigado por suposta participação em esquema de manipulação de resultados, Lucas Paquetá segue fora do grupo. Acusado de violência doméstica contra a ex-namorada, o atacante Antony também está fora da lista. A lei da “ficha limpa” entrou em vigor nas convocações e deve ser seguida.

Twitter: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolimadf

TikTok: @marcospaulolimadf

Marcos Paulo Lima

Posts recentes

  • Esporte

Tite perdeu seis dos últimos dez jogos no Campeonato Brasileiro

Adenor Leonardo Bachi vive um momento estranho na carreira depois dos seis anos e meio…

8 horas atrás
  • Esporte

Volta de Paquetá ao Fla tem erros decisivos e sinais de alerta

O retorno de Lucas Paquetá ao Flamengo é marcado pela displicência em lances capitais. Faltam…

12 horas atrás
  • Esporte

Prévia da 2ª rodada do Brasileirão 2026: análise, curiosidades, palpites e onde assistir

Brasileirão – Série A 2026  Prévia jogo a jogo da #rodada 2   Flamengo x…

2 dias atrás
  • Esporte

Conca, Cano e Vegetti: acertos do passado cobram erro zero do Vasco no presente

  O Vasco erra muito no ataque ao mercado, mas de vez em quando acerta…

2 dias atrás
  • Esporte

Jesus no Lar: como o livro influencia na liderança de Dorival Júnior

  Dorival Júnior não se limita à leitura tática. Aprecia livros e não abre mão…

4 dias atrás
  • Esporte

Final se ganha na estratégia: Dorival foi mais técnico que Filipe Luís

Nem o Flamengo piorou nem o Corinthians passou de abóbora a carruagem. Finais em jogo…

4 dias atrás