A 500 dias da Copa do Mundo Feminina, arte de Izzy Credo pinta Brasília

Publicado em Esporte
A obra da goiana Izzy Credo representa Brasília, uma das oito cidades-sede da Copa Feminina. Foto e vídeo: Fifa

 

A 500 dias da Copa do Mundo Feminina no Brasil, de 24 de junho a 25 de julho de 2027, a contagem regressiva para o evento inédito na América do Sul é um chamado ao futebol-arte. A convite da Fifa, a goiana de Trindade Izzy Credo representou Brasília, uma das oito cidades anfitriãs do torneio, em um festival de rua na qual foram produzidas ilustrações das sedes por profissionais locais ajudados por convidados a pintar os painéis de forma colaborativa no último dia 25 de janeiro, na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro.

 

Aos obras expressam a emoção do futebol e reforçam a conexão cultural entre a arte de rua e o esporte — sempre com uma conotação feminina. As peças retratam momentos de comemoração, cenas épicas e a cidade-sede, destacando a identidade local por meio das lentes do esporte mais popular do mundo.

 

Izzy Credo é artista visual e muralista. O trabalho dela nasceu do diálogo entre a cultura popular do cerrado e o protagonismo negro. Os traços são influenciados pelas festas, crenças e manifestações do interior. A produção explora cores vibrantes, movimento e a relação entre o sagrado e o profano, criando narrativas visuais de forte energia e mistério. Integra o duo Irmãos Credo, ao lado do irmão Jesus, e realizou trabalhos para o Museu de Arte de Rua de São Paulo, e parcerias com grandes marcas brasileiras. Izzy explica a seguir detalhes das imagens confeccionadas para a capital.

 

Quais foram as suas inspirações na obra de Brasília para a Copa do Mundo de 2027?

Minhas principais referências são a cultura popular e o protagonismo negro dentro desses contextos. E o contexto em que fui criado é o Cerrado. Cresci no interior, em meio a festas populares, expressões culturais e práticas religiosas. Acho muito bonita a mistura dessas tradições com a música — as cores vibrantes, o senso de mistério, o jogo entre o sagrado e o profano, o ato de realmente acreditar. A combinação de todos esses elementos torna o nosso trabalho energético e se conecta com o modo de vida brasileiro e, neste projeto, necessariamente, com a forma como as pessoas apoiam seus times também.

 

Como foi o processo na transformação dos seus traços na representação de Brasília?

Brasília evoca em mim a imagem de um lugar de futuros hipotéticos. Gosto muito da arquitetura porque ela dialoga intensamente com essa ideia de movimento, expectativa e projeção. E são ideias que também aparecem quando pensamos em futebol. Posso ser suspeito, mas acho que a cidade tem uma grande variedade de formas bonitas, com uma luz solar que intensifica e satura tudo. O verde é mais verde, o azul é mais brilhante, o branco é realmente branco. Assim, quando penso nessa mistura de coisas e no futebol, penso nos torcedores como parte da paisagem, como um elemento de um cenário que não é apenas cenário, mas também parte da narrativa de que os torcedores de futebol no Brasil são diferentes — não apenas pela energia e pelo calor humano, mas também pela estética.

 

O que significou para você essa imersão em Brasília durante a produção do trabalho?

Estou muito feliz. Fico muito feliz em participar deste projeto, ao lado de outros artistas extremamente talentosos. E fico ainda mais feliz porque pensar na Copa do Mundo (Feminina da Fifa) e no futebol no Brasil é pensar em cultura e, sobretudo, em experiência coletiva.

 

Como é o seu processo criativo?

Voltei àqueles momentos da infância, deitado no chão e fingindo chutar uma bola enquanto meus primos pintavam o contorno do meu corpo no chão, que ficava completamente coberto de tinta, todo verde e amarelo, cheio de pequenas bandeiras por todos os lados. Assim, todo o processo deste trabalho foi muito divertido, e espero que esse sentimento de nostalgia chegue a outras pessoas da mesma forma que chegou a mim — porque sei que, quando se trata de futebol no Brasil, esse sentimento não nasce de uma experiência individual, mas sim de uma experiência coletiva.

 

 

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