Libertadores de 2016 é a maior conquista da carreira de Reinaldo Rueda. Foto: AFP
O futebol chileno nunca esteve tão carente de um técnico capaz de assumir a seleção do Chile. Daí o interesse do presidente da federação, Arturo Salah, nos finalistas da Copa Sul-Americana. O dirigente sonha com Reinaldo Rueda, vice do torneio continental pelo Flamengo, e com Ariel Holán, campeão pelo Indepediente. A seleção do Chile não contrata um treinador nascido no próprio país há 12 anos. Basta dar uma pesquisada na última edição do campeonato nacional de lá para entender o tamanho da crise da prancheta.
Dos 16 clubes que disputaram o Torneo de Transición 2017, nove — repito, nove — foram comandados por treinadores estrangeiros. Todos eles argentinos! O Colo-Colo levou o título sob o comando do hermano Pablo Guede, que terminou à frente do Unión Española do compatriota Martín Palermo. A Universidad de Chile fechou em terceiro, liderada por Ángel Guillermo Hoyos. Quarto colocado, o Everton é escalado por Pablo Sánchez. O quinto colocado, sim, é comandado por um técnico chileno da gema: Hugo Vilches.
O Chile tem um técnico reconhecido na Europa, mas ele jamais assumiu a seleção. Manuel Pellegrini conquistou a Copa Mercosul pelo San Lorenzo, o Campeonato Argentino pelo River Plate, o Campeonato Inglês à frente do Manchester City. Manuel Pellegrini está no Hebei China Fortune, da China, mas não é sequer citado como possibilidade.
Além de Manuel Pellegrini, o Chile teria, em tese, outras duas alternativas caseiras. Mario Salas, da Universidad Católica, é uma delas. O currículo do treinador tem dois títulos nacionais pela Universidad Católica e uma Supercopa do Chile. Hugo Vilches, do Audax Italiano, também tem se destacado no país. Mas, há 12 anos, a prioridade é por gringos.
Juvenal Olmos comandou a seleção do Chile de 2003 a 2005. Depois deles, todos os técnicos são estrangeiros: o uruguaio Nelson Acosta e os argentinos Marcelo Bielsa, Cláudio Borghi, Jorge Sampaoli e Juan Antonio Pizzi — os dois últimos campeões da Copa América em 2015 e em 2016, respectivamente. Vice-campeão da Copa das Confederações neste ano, Pizzi perdeu o emprego ao deixar o Chile fora da Copa de 2018.
Como Reinaldo Rueda tem dois trabalhos de destaque à frente de seleções, passou a ser uma das prioridades da Federação Chilena. Levou Honduras para a Copa de 2010 na África do Sul. Classificou o Equador para o Mundial do Brasil em 2014. Na sequência, conquistou a Libertadores e a Recopa Sul-Americana pelo Atlético Nacional. A carência de treinadores locais, a coleção de bons trabalhos do colombiano Reinaldo Rueda e os 12 anos de apostas em técnicos estrangeiros explicam a cobiça ao técnico do Flamengo.
Últimos técnicos estrangeiros do Chile
Nelson Acosta (Uruguai): 2005-2007
Marcelo Bielsa (Argentina): 2007-2011
Claudio Borghi (Argentina): 2011-2012
Jorge Sampaoli (Argentina): 2012-2016
Juan Antonio Pizzi (Argentina): 2016-2017
9 dos 16 técnicos do último Chilenão são estrangeiros
Colo-Colo: Pablo Guede (Argentina)
Antofagasta: Nicolás Lacarmón (Argentina)
Deportes Temuco: Dacio Giovagnoli (Argentina)
Everton: Pablo Sánchez (Argentina)
Huachipato: César Vigenani (Argentina)
O’Higgins: Gabriel Milito (Argentina)
Palestino: Germano Cavalieri (Argentina)
Unión Española: Martín Palermo (Argentina)
Universidad de Chile: Ángel Guillermo Hoyos (Argentina)
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