Pivô da Batalha do Bezerrão, Nunes tem fama de bad boy desde a final da Copinha de 2003

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Apontado na súmula pelo árbitro Almir Camargo como pivô da Batalha do Bezerrão no último domingo, ao acertar uma cotovelada em Dudu Gago, do Gama, e dar início a uma briga generalizada, o camisa 9 Nunes, do Brasiliense, tem fama de “bad boy” desde a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2003, entre Santo André e Palmeiras.

Nunes jogava no Santo André. Tinha 21 anos. O Palmeiras chegou a abrir 2 x 0 na decisão, mas o time do ABC paulista reagiu. Empatou o jogo, forçou a prorrogação e a decisão por pênaltis. Em um Pacaembu lotado, Nunes foi o responsável pela última cobrança do Santo André. A do título. E converteu. O Santo André faturou o troféu que o alviverde jamais conquistou.

Em vez de comemorar o título com os companheiros, no meio de campo, Nunes cumpriu uma aposta que fizera com o tio. Em um Pacaembu abarrotado de palmeirenses, correu pra trás da trave, encarou a torcida adversária com gestos, palavrões e a imitação de um porco. Foi a senha para uma revolta na arquibancada. Torcedores tentaram derrubar o alambrado para invadir o campo e agredi-lo. Na confusão, houve confronto com a Polícia Militar, que teve trabalho para impedir que o gramado não virasse um campo de batalha. Pelo menos 23 PMs e cinco torcedores acabaram feridos, mas apenas sete foram presos no momento da confusão.

“Eu havia prometido ao meu tio palmeirense. Se eu marcasse um gol, imitaria um porco. O meu tio duvidou. Ele estava no estádio e quando marquei o gol que nos deu o título, imitei o porco para ele”, justificou o atacante do Santo André depois da decisão de 2003. Nunes teve de deixar o Pacaembu escondido no assoalho da perua que levou o Santo André de volta ao ABC. “A torcida queria me pegar”, disse em 2005 à Folha de S. Paulo. Dizem que o Palmeiras havia gostado do Nunes. Mas a provocação custou caro. “Escutei de muita gente que eu só não fui para lá por causa da imitação do porco”, lamentou-se.

A Federação Paulista de Futebol considerou Nunes culpado pela confusão envolvendo a torcida do Palmeiras e a PM e foi multado à época em R$ 20 mil. Dinheiro que ele, óbvio, não tinha. “Estão querendo me prejudicar. Não tenho condições para pagar tudo isso. Precisaria trabalhar uns dois, três anos para juntar esse valor. Não esperava que pudesse acontecer isso. Estou espantado”, disse Nunes ao Estado de S. Paulo, em 31 de janeiro de 2003.

Nunes virou uma figura antipática. Indesejada no Parque Antártica. Gente que atuou com ele em outros clubes conta que o jogador ficou abalado com o desprezo alviverde. Nem por isso, parou de provocar. Em um reencontro com o Palmeiras, olhou para um lado e chutou para o outro ao balançar a rede duas vezes pelo Campeonato Paulista.

O atacante rodou o Brasil. Defendeu Coritiba, Fortaleza, Bragantino, São Caetano, Avaí, Sport, Guarani, Portuguesa, Vasco, entre outros. Por sinal, o time de São Januário foi o único de ponta do país em que Nunes teve oportunidade. Teve passagens por Halta Club (Emirados Árabes) e Al-Ahli (Arábia Saudita). No Santo André, ganhou a Copa do Brasil de 2004 em cima do Flamengo. Ajudou a calar 72 mil pagantes no Maracanã. Mas a fama de bad boy nunca o abandonou.

Na passagem pelo Avaí, ganhou o Campeonato Catarinense em 2012. Em Florianópolis, desentendeu-se com o companheiro de time Bruno. Ambos discutiram e o colega de trabalho teria cuspido no rosto de Nunes.

No Botafogo de Ribeirão Preto, faturou a Série D. No jogo do título, tripudiou da torcida do River-PI. “Agradecer também a torcida deles, que nos motivou falando besteira, ofendendo nossa equipe, e por fazer essa festa linda para a gente comemorar. Fizemos mais um salão de festas e fica o meu abraço para eles aqui. Em Ribeirão, eles comemoraram bastante, deram cambalhota e nós mostramos que futebol se ganha dentro de campo, não é falando, e eles falaram demais. Agora, é só chorar”, alfinetou. Nunes não continuou no Botafogo-SP por causa de um desentendimento com um membro da diretoria e foi afastado do elenco.

No futebol candango, Nunes também coleciona desafetos. Em 2006, defendeu o Gama. Na chegada ao clube, disparou. “Não vim pra cá amargar reserva”. No início deste ano, virou a casaca e acertou com o Brasiliense. Em um amistoso na pré-temporada contra o Real, teria tentado partir para cima do presidente do clube adversário, Luis Felipe Belmonte.  Contra o Paracatu, trocou farpas com um lateral. Na semana passada, brigou com o técnico Luis Carlos Souza. Invicto na temporada, inclusive na liderança isolada do Campeonato Candango, o treinador perdeu o emprego. “Eles preferiram o Nunes, vida que segue”, disse ao blog Luis Carlos Souza ao saber da demissão.

Marcos Paulo Lima

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