{"id":635,"date":"2016-04-18T08:53:19","date_gmt":"2016-04-18T11:53:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/denise\/?p=635"},"modified":"2016-04-18T08:53:19","modified_gmt":"2016-04-18T11:53:19","slug":"dilma-em-seu-labirinto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/denise\/dilma-em-seu-labirinto\/","title":{"rendered":"Dilma em seu labirinto"},"content":{"rendered":"<p>   Passada a vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara, a estrat\u00e9gia dos oposicionistas no Senado \u00e9 &#8220;amarrar o que der&#8221; de votos pr\u00f3-impeachment no Senado j\u00e1 na primeira fase, a de admissibilidade, na qual basta a maioria simples. Isso porque, na avalia\u00e7\u00e3o de muitos senadores, quem votar sim na primeira rodada, estar\u00e1 comprometido a votar da mesma forma na hora de julgar o m\u00e9rito, daqui a dois ou tr\u00eas meses. Ali, o senador Romero Juc\u00e1, ex-l\u00edder do governo e um dos generais do vice-presidente Michel Temer, tinha ontem um placar, repassado a alguns deputados: 45 votos em prol da continuidade do processo e 50 pelo impeachment propriamente dito, o que deixa a presidente a quatro votos do cadafalso.<br \/>\n   As contas do senador Juc\u00e1 n\u00e3o podem ser desprezadas. Ele \u00e9 quem mais conhece a alma e o jeit\u00e3o de todos os colegas. Foi l\u00edder de todos os governos. \u00c9 ainda grande aliado do presidente da Casa, Renan Calheiros. Jogam juntos. Renan inclusive j\u00e1 avisou ao ex-presidente Lula que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de barrar nada, tampouco atrasar. Da\u00ed, o desespero do governo ontem para tentar conseguir segurar o processo na C\u00e2mara, onde at\u00e9 o \u00faltimo minuto a presidente Dilma Rousseff lutou, sempre com uma estrat\u00e9gia atrasada em rela\u00e7\u00e3o ao placar.<br \/>\n   A vota\u00e7\u00e3o j\u00e1 seguia pela metade, quando o ex-presidente Lula, a pr\u00f3pria Dilma e o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, tentaram virar alguns votos os deputados mineiros, em especial, os do PR. Foi tarde. Nem o voto do ex-ministro da Avia\u00e7\u00e3o Civil Mauro Lopes, o breve, o governo conseguiu. <\/p>\n<p>Comiss\u00e3o dominada<br \/>\n   H\u00e1 quem diga que, se Dilma demorou a acordar para perceber que sua base derretia na C\u00e2mara, chega atrasada para arrumar jogo no Senado. Ali, a oposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 dominou a primeira arena, a Comiss\u00e3o de 21 senadores que tratar\u00e1 da admissibilidade do processo de impeachment. A escolha da relatora, Ana Am\u00e9lia Lemos, do PP do Rio Grande do Sul, coloca Dilma contra uma mulher considerada uma unanimidade na Casa enquanto corre\u00e7\u00e3o e seriedade. Para completar, a comiss\u00e3o ter\u00e1 como presidente o senador Antonio Anastasia, do PSDB de Minas Gerais, que n\u00e3o tem mais contas a acertar com a Lava Jato, uma vez que nada foi encontrado contra ele &#8212; da mesma forma que n\u00e3o h\u00e1 nada ali contra a pr\u00f3pria Dilma.<br \/>\n    A presidente at\u00e9 agora n\u00e3o chamou sequer os senadores do PT para pedir que preparassem o terreno, caso o governo n\u00e3o tivesse for\u00e7a para segurar o processo na C\u00e2mara. As \u00fanicas conversas foram com Lula, que agora, com atraso, trabalhar\u00e1 os votos partindo em desvantagem em rela\u00e7\u00e3o aos generais de Temer.<\/p>\n<p>Sa\u00edda \u00e9 a rua? Nem tanto<br \/>\n    A esperan\u00e7a do PT \u00e9 que os pr\u00f3ximos passos da Lava Jato sejam suficientes para enfraquecer o Senado. Entretanto, se a maioria dos enroscados na Lava Jato votou contra Dilma ontem na esperan\u00e7a de que a derrocada da presidente represente a salva\u00e7\u00e3o deles, a tend\u00eancia dos senadores emparedados pelo Petrol\u00e3o \u00e9 seguir pelo mesmo caminho.<br \/>\n   Sendo assim, restar\u00e1 ao PT e ao governo apostar que uma mobiliza\u00e7\u00e3o popular fa\u00e7a vingar a tese do golpe, \u00e0 qual de amarra o governo. Ontem, entretanto, mais uma vez, a ala pr\u00f3-impeachment foi maior nas ruas, o que demonstra que o governo pode estar perdendo f\u00f4lego tamb\u00e9m nesse terreno. <\/p>\n<p>Conjunto da obra<br \/>\n   H\u00e1 mais de um ano, ouvi de um experiente pol\u00edtico que os parlamentares n\u00e3o hesitariam em investir contra a presidente e o PT, caso houvesse motivo e eles &#8211; o PT e Dilma &#8211; perdessem o apoio popular. Por que essa m\u00e1 vontade contra a presidente? Por causa do desprezo com o qual Dilma sempre tratou a classe pol\u00edtica, o n\u00e3o-cumprimento de acordos e a demora em agir quando a situa\u00e7\u00e3o exigia atitude imediata. Um exemplo foi a troca de Aloizio Mercadante na Casa Civil, algo criticado at\u00e9 pelo pr\u00f3prio PT.<\/p>\n<p>O primeiro sinal<br \/>\n  O vislumbre para que os partidos investissem contra Dilma veio em 2013, nas manifesta\u00e7\u00f5es durante a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es. Ali, a oposi\u00e7\u00e3o perdeu o medo de enfrentar os petistas de um modo geral. O primeiro a perceber o movimento foi o ent\u00e3o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Talvez por ironia do destino, foi de l\u00e1 que partiu o 342o voto, do deputado tucano Bruno Ara\u00fajo, que definiu o placar. Campos repetia incessantemente, disse inclusive a Lula, que Dilma n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de governar num segundo mandato. Convicto dessa avalia\u00e7\u00e3o, decidiu sair candidato, mas morreu num desastre a\u00e9reo no in\u00edcio da campanha. No vel\u00f3rio dele, ecoou um un\u00edssono &#8220;fora PT&#8221; que este ano tomou conta do pa\u00eds. Mas o PT n\u00e3o ligou para aquelas palavras de ordem l\u00e1 atr\u00e1s ou fingiu n\u00e3o ouvir. <\/p>\n<p>    Passada a elei\u00e7\u00e3o presidencial, diante da insatisfa\u00e7\u00e3o popular com as medidas adotadas pela crise econ\u00f4mica, contr\u00e1rias ao que havia sido prometido na campanha, somadas \u00e0s &#8220;pedaladas&#8221;, veio o motivo que a classe pol\u00edtica esperava. Dilma, entretanto, n\u00e3o pareceu perceber que a situa\u00e7\u00e3o se agravara na base. Continuou agindo como se a popularidade se mantivesse t\u00e3o alta quanto no primeiro mandato. Nesse quadro, desprezou antigos aliados, como o PSB, lan\u00e7ou candidato pr\u00f3prio a presidente da C\u00e2mara, foi sozinha com o PT e o PCdoB contra Eduardo Cunha. Mais tarde, desprezou o vice, Michel Temer, que agora \u00e9 o motor da expectativa de poder. <\/p>\n<p>   Aos poucos, formou-se assim o caldo para a vota\u00e7\u00e3o de ontem. E que a oposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 vem engrossando para o que vir\u00e1 no Senado. L\u00e1, Dilma jogar\u00e1 contra um time de profissionais e sem tr\u00e9gua. N\u00e3o ter\u00e1 mais o argumento Eduardo Cunha, que agora viver\u00e1 seu tempo de desgaste na C\u00e2mara. Cada qual no seu labirinto.<\/p>\n<p>Enviado do meu iPad<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passada a vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara, a estrat\u00e9gia dos oposicionistas no Senado \u00e9 &#8220;amarrar o que der&#8221; de votos pr\u00f3-impeachment no Senado j\u00e1 na primeira fase, a de admissibilidade, na qual basta a maioria simples. 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