{"id":338,"date":"2015-11-26T13:26:48","date_gmt":"2015-11-26T15:26:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/denise\/?p=338"},"modified":"2015-11-27T13:27:34","modified_gmt":"2015-11-27T15:27:34","slug":"a-onda-do-stf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/denise\/a-onda-do-stf\/","title":{"rendered":"A onda do STF"},"content":{"rendered":"<p>As grava\u00e7\u00f5es de conversas de Delc\u00eddio do Amaral (PT-MS), incluindo uma men\u00e7\u00e3o ao vice-presidente da Rep\u00fablica, Michel Temer, e trechos como aqueles sobre press\u00f5es a ministros do Supremo Tribunal Federal para pedir alguma a\u00e7\u00e3o em prol dos enroscados na Lava-Jato v\u00e3o servir de divisor de \u00e1guas. At\u00e9 aqui, ainda havia alguma esperan\u00e7a de al\u00edvio, apesar do rigor jur\u00eddico do ministro Teori Zavascki. Agora, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o geral entre senadores e deputados de que acabou qualquer clem\u00eancia com os envolvidos. Afinal, o STF n\u00e3o quer passar a ideia de que aceita press\u00e3o. Fim do recreio e, pelo que se comenta nos bastidores, at\u00e9 das conversas. Aos envolvidos, o rigor da lei e um pouco mais.<\/p>\n<p>A onda do Senado<br \/>\nO discurso de Renan Calheiros antes de abrir o processo de vota\u00e7\u00e3o, com o alerta para o fato de que os senadores n\u00e3o estavam julgando os di\u00e1logos de Delc\u00eddio, deu a todos a sensa\u00e7\u00e3o de que o presidente do Senado torcia para o plen\u00e1rio decretar a liberdade do senador. Afinal, ali tem um grupo com temor de seguir o mesmo destino do petista.<\/p>\n<p>Pais &amp; filhos<br \/>\nDa mesma forma que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa optou pela dela\u00e7\u00e3o premiada para que n\u00e3o houvesse qualquer a\u00e7\u00e3o sobre suas filhas, o empres\u00e1rio Jos\u00e9 Carlos Bumlai terminar\u00e1 recorrendo a esse recurso para salvar os seus. H\u00e1 quem diga, por exemplo, que a condu\u00e7\u00e3o coercitiva dos rebentos na \u00faltima ter\u00e7a-feira foi um aviso: ou o paiz\u00e3o fala, ou os pimpolhos v\u00e3o lhe fazer companhia em breve.<\/p>\n<p>Sem sa\u00edda<br \/>\nNo meio da tarde, os senadores j\u00e1 haviam decretado o fim pol\u00edtico do senador Delc\u00eddio do Amaral. Ainda que ele conseguisse escapar da pris\u00e3o, a aposta era a de que, em breve, Delc\u00eddio  responder\u00e1 por quebra de decoro no Conselho de \u00c9tica do Senado, que, ali\u00e1s, sequer foi instalado. Ou renuncia, ou ter\u00e1 um longo calv\u00e1rio. E, se renunciar, estar\u00e1 nas m\u00e3os de S\u00e9rgio Moro.<\/p>\n<p>Desesperado<br \/>\nQuem acompanhou o dia-a-dia do senador nas \u00faltimas semanas percebeu que ele andava \u00e0 flor da pele. Chegou inclusive a procurar advogados com tr\u00e2nsito no Supremo em busca de ajuda, mas n\u00e3o obteve.<\/p>\n<p>Acordes finais<br \/>\nEnquanto os senadores discutiam o caso Delc\u00eddio, o l\u00edder do governo na C\u00e2mara, Jos\u00e9 Nobre Guimar\u00e3es (PT-CE), aproveitava para tentar combinar a vota\u00e7\u00e3o da Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias e o ajuste da meta fiscal (PLN 05) para a pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira. Depois dessa confus\u00e3o de Delc\u00eddio, todos querem sair logo de recesso.<\/p>\n<p>A volta das vuvuzelas\/ Um pequeno grupo de manifestantes voltou a fazer barulho no Senado. Desta vez, n\u00e3o era por causa do aumento dos sal\u00e1rios do Judici\u00e1rio, uma vez que o veto presidencial foi mantido. A barulheira era para manter Delc\u00eddio na cadeia.<\/p>\n<p>Chocado\/ No in\u00edcio da noite, um grupo de deputados foi acompanhar in loco a sess\u00e3o do Senado que decidia sobre a pris\u00e3o do senador. Na sala de caf\u00e9 dos senadores, com a transcri\u00e7\u00e3o dos di\u00e1logos de Delc\u00eddio em m\u00e3os, o deputado petista pelo Rio Grande do Sul Paulo Pimenta (foto) virava as p\u00e1ginas e fazia aquela express\u00e3o de tsc-tsc a cada par\u00e1grafo.<\/p>\n<p>\u00c1vido por not\u00edcias\/ De seu gabinete, o ministro dos Portos, Helder Barbalho, telefonou para o pai, senador Jader Barbalho, para saber como estavam as coisas no Senado. L\u00e1 pelas tantas, pergunta: \u201cAlguma outra novidade?\u201d Eis que o senador responde: \u201cE voc\u00ea ainda quer mais?!!!\u201d<\/p>\n<p>Para relaxar&#8230;\/ Em meio \u00e0 perplexidade com os di\u00e1logos do l\u00edder do governo, assessores do Planalto n\u00e3o perderam o bom humor, nem o sentimento de disputa com o PSDB: \u201cFinalmente, prenderam um tucano!\u201d, afirmavam. Referiam-se \u00e0 proximidade do senador com o PSDB, que, ali\u00e1s, no passado fez v\u00e1rios convites para Delc\u00eddio trocar de legenda.<\/p>\n<p>E o Cunha, hein?\/ H\u00e1 alguns meses, Eduardo Cunha reclamava que o Minist\u00e9rio P\u00fablico era menos rigoroso com o senador Delc\u00eddio do Amaral. Ontem, ele certamente mudou de ideia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As grava\u00e7\u00f5es de conversas de Delc\u00eddio do Amaral (PT-MS), incluindo uma men\u00e7\u00e3o ao vice-presidente da Rep\u00fablica, Michel Temer, e trechos como aqueles sobre press\u00f5es a ministros do Supremo Tribunal Federal para pedir alguma a\u00e7\u00e3o em prol dos enroscados na Lava-Jato v\u00e3o servir de divisor de \u00e1guas. 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