Os testículos frequentemente ficam deixados de lado em comparação com o pênis, apesar de serem extremamente sensíveis e capazes de proporcionar grande prazer. Essa negligência faz com que muitos não explorem seu potencial, deixando de lado respostas físicas e emocionais intensas que podem ser despertadas com estímulos adequados.
Homens heterossexuais ouvidos pela coluna relataram não receber muito estímulo na área: alguns não se sentem no direito de pedir por já alcançarem o objetivo de transar, enquanto outros se preocupam mais em agradar a parceira. Já para homossexuais e bissexuais, o ato acontece de forma natural, e guiar o parceiro não é um problema.
Segundo Rafael Braga, psicólogo clínico especialista em sexologia, estimular os testículos funciona como um potencializador no momento íntimo. “Ele manda sinais diretos pro sistema nervoso que aumentam a excitação geral. Não é só sobre o toque ali, mas sobre como esse estímulo prepara o corpo pro ápice do prazer”, explica. “Mas nem todo homem se sente confortável com o toque na região testicular.”
Devido a abundância de terminações nervosas na região, prestar atenção no testículo favorece uma experiência sexual intensa. “Além disso, existe um reflexo chamado cremastérico, que faz os testículos subirem durante a excitação, mostrando que eles estão super conectados com a resposta sexual do corpo”, acrescenta Braga. “Lembrando que é sempre importante perguntar para o parceiro se ele se sente confortável com o toque nessa região por ser muito sensível.”
Para o especialista, a desconsideração dos testículos se deve à associação da área apenas à dor ou à reprodução. Existe ainda um receio cultural: “Muitos homens têm medo de parecerem frágeis ou de explorar áreas que não sejam o básico, por puro preconceito ou falta de informação.” Embora a fisiologia seja a mesma independente de orientação sexual, Braga aponta que, em relações homossexuais, existe um autoconhecimento maior do corpo masculino, o que facilita a quebra de tabus. “Nas heterossexuais, o desafio costuma ser vencer o medo do novo.”
Vale lembrar que cada corpo reage de maneira diferente, e o que é prazeroso para um, pode ser agoniante para outro. “Isso muda por causa da genética, da sensibilidade da pele e até de experiências passadas. O estado emocional no momento também manda muito na percepção do toque”, justifica Braga. Assim, o segredo é começar devagar e prestar atenção nas reações explícitas e implícitas do parceiro.
“Quando o homem se permite sentir prazer em áreas esquecidas por acreditar que o prazer é apenas no pénis, isso gera uma sensação de entrega e confiança maior com a parceria. Ajuda a quebrar aquela barreira do sexo mecânico e focado só na performance”, opina o psicólogo. “Falar abertamente sobre sexo com o(a) seu parceiro(a) é sempre o ponto principal para saber os desejos e limitações de cada um, e não ficar apenas no imaginário. Começar com carícias leves por cima da roupa ou durante um banho ajuda a quebrar o gelo. O casal precisa entender que o sexo é um laboratório de descobertas e que tá tudo bem testar coisas novas.”
Conforme Braga, o maior mito que impede muitos homens de explorarem o testículo é de que a prática tem algo a ver com orientação sexual, bem como a falácia da dor intrínseca ao toque testicular. “Outro erro é achar que precisa de força. Na verdade, menos é quase sempre mais nessa região”, orienta. Em suma, dialogar abertamente sobre o tema e/ou guiar a mão da pessoa durante o ato é a sugestão do especialista para introduzir o testículo no sexo.


