Em datas como a sexta-feira 13, o imaginário coletivo mergulha em máscaras, perseguições e vilões icônicos do cinema slasher, elementos que transformam o medo em fantasia compartilhada. O universo de filmes de terror ajudou a consolidar essa estética sombria que, fora das telas, também inspira jogos eróticos consensuais. Entre sustos e roteiros encenados, o frio na barriga se mistura ao tesão, mostrando como medo e desejo muitas vezes caminham lado a lado.
Tal fenômeno é definido como transferência de excitação, conforme a sexóloga e psicóloga Alessandra Araújo. “Quando você sente medo, seu corpo entra em estado de alerta. Se você está acompanhado de alguém por quem já tem atração, seu cérebro pode acabar “pegando emprestada” essa energia do susto e transformando-a em desejo”, explica. “É como se o corpo ficasse turbinado e usasse esse combustível para a libido.”
Nesse processo, a adrenalina é a chave. “Esse hormônio faz o coração bater rápido, a respiração ficar ofegante e o sangue circular mais intensamente. Curiosamente, essas são as mesmas reações físicas que acontecem quando estamos ficando excitados”, afirma a especialista. O corpo, então, fica pronto para a ação, seja ela qual for.
E as reações também são semelhantes: as pupilas dilatam, o coração acelera, as mãos podem suar e a sensibilidade da pele aumenta. “Como os sinais físicos são muito próximos, é muito fácil para o cérebro converter o “arrepio do medo” no “arrepio do prazer”, especialmente quando o perigo não é real (como em um filme)”, esclarece Alessandra.
Compartilhar o medo ainda pode criar uma sensação de cumplicidade devido a conexão de sobrevivência — mesmo que o perigo não seja real. “O alívio que vem logo após um susto libera ocitocina, que é o hormônio do vínculo e do afeto. Essa mistura de “estamos seguros agora” com a proximidade física durante o filme gera uma tensão sexual muito forte”, a sexóloga aponta.
O perigo controlado traz a emoção do risco sem o dano real, liberando dopamina, a substância do prazer e da recompensa. Nesse cenário, surgem os roleplays de terror — máscaras, fantasias, performances de situações de risco, tudo aquilo que deixa os sentidos mais aguçados e aumenta a intensidade da ação. “Existem fantasias clássicas que funcionam bem, como a do vampiro (que envolve sedução e poder) ou de personagens sobrenaturais misteriosos. O importante aqui é focar no clima de mistério e na brincadeira de “caça e caçador”, onde um seduz e o outro é conquistado, sempre mantendo o tom de diversão e fantasia”, sugere a especialista.
Para quem deseja acrescentar um toque de terror no sexo, Alessandra orienta: “O primeiro passo é garantir que os dois estejam se sentindo bem psicologicamente. Fantasias que envolvem medo não devem ser feitas se um dos dois estiver passando por um momento de ansiedade real ou trauma. É preciso separar o que é brincadeira do que causa desconforto de verdade. A regra é: tem que ser excitante para os dois, nunca aterrorizante.
Vilões e seres sobrenaturais são os favoritos na fantasia. Isso porque esses personagens representam arquétipos de poder, mistério e proibição, segundo Alessandra. “Brincar com esses papéis permite que o casal explore lados mais dominantes ou submissos de forma segura e criativa”, diz.
Antes de começar a brincadeira, no entanto, o casal deve combinar um sinal claro caso deseje parar e o “não” faça parte da performance. “O sistema de cores é o mais simples: “Verde” (está tudo ótimo), “Amarelo” (vá mais devagar ou mude o ritmo) e “Vermelho” (pare imediatamente)”, recomenda. “Ter uma palavra de segurança garante que, mesmo que a encenação pareça intensa, os dois saibam que podem interromper tudo a qualquer segundo.”
Simulações de risco, como brincadeiras com perseguição, também exigem cuidados específicos. “O segredo é a conversa prévia e o uso de objetos cenográficos que não ofereçam perigo real”, resume Alessandra. “Nunca use nada que possa machucar de verdade. A ideia é criar a ilusão do risco através da atuação, da iluminação e do cenário. O consentimento deve ser reafirmado sempre: se a brincadeira mudar de rumo, pare e pergunte se o parceiro ainda está confortável.”
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