Sexta-feira 13: Como o medo e o estresse afetam ereção e lubrificação

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Em datas carregadas de simbolismo, como a sexta-feira 13, o imaginário coletivo associa tensão e apreensão a pequenos rituais e superstições. Mas, para além das crenças, o medo real, assim como o estresse do dia a dia, tem efeitos concretos sobre o corpo. Quando o organismo entra em estado de alerta, prioriza a sobrevivência e pode reduzir respostas ligadas ao prazer, impactando diretamente a ereção e a lubrificação.

Mente e corpo são sócios no sexo, como define a sexóloga e psicóloga Alessandra Araújo. “Se a mente está preocupada ou com medo, o corpo recebe uma ordem de “pare” quase imediata”, resume. Assim, o medo é o maior inimigo da ereção e da lubrificação. “Quando você sente medo ou ansiedade, o cérebro ativa o modo de luta ou fuga. Ele entende que você está em perigo e manda o sangue para os braços e pernas (para você fugir) e o tira dos órgãos genitais. Sem sangue no lugar certo, o corpo desliga a resposta sexual.”

O estresse crônico, por sua vez, deixa o corpo em estado de alerta constante. “Para ter prazer, o corpo precisa estar relaxado. O estresse crônico faz com que os vasos sanguíneos fiquem mais contraídos, o que dificulta a chegada de sangue necessária para a ereção masculina e para o inchaço e lubrificação dos tecidos femininos”, explica a especialista.

Já o medo de falhar pode culminar em um ciclo de insegurança: a chamada ansiedade de desempenho. “Se você falha uma vez por estar cansado, o medo de falhar na próxima vez faz você ficar se vigiando durante o sexo (como se fosse um espectador de si mesmo)”, diz Alessandra. Essa autovigilância gera mais ansiedade, o que leva a uma nova falha, criando um círculo vicioso difícil de quebrar sem relaxamento. “Quando você se cobra para ser perfeito, dar prazer ao outro ou não falhar, você para de sentir o próprio corpo. Sem sentir o estímulo, o corpo não responde.”

Fisicamente, o efeito do estresse é semelhante entre homens e mulheres: bloqueio do fluxo sanguíneo. Socialmente, existem divergências. “O homem sente mais a pressão pela performance (manter a ereção), enquanto a mulher costuma sentir mais o bloqueio do desejo e da lubrificação. No entanto, ambos sofrem com a falta de prazer quando a cabeça não para de pensar em problemas”, aponta a sexóloga.

Nessa equação, a adrenalina fecha os vasos sanguíneos e acelera o coração de um jeito “tenso”, o que corta a excitação. Já o cortisol (hormônio do estresse), quando está alto por muito tempo, derruba a produção de testosterona, que é o combustível do desejo para ambos os sexos. “É como tentar ligar um carro sem bateria”, Alessandra descreve.

Sinais que indicam que a causa é emocional começam na seletividade. “Se o homem tem ereções ao acordar ou durante a masturbação sozinho, o problema não é físico, é psicológico/emocional”, exemplifica. “Para a mulher, se ela consegue se lubrificar e sentir prazer sozinha, mas trava com o parceiro, o bloqueio está na relação ou na ansiedade do momento.”

Quando o sexo passa a ser visto como um momento de medo ou de possível humilhação, o cérebro começa a evitar o contato íntimo para se proteger do mal-estar. Conforme a especialista, o desejo some porque a mente passa a associar o sexo ao estresse, e não ao relaxamento. Para isso, Alessandra lista estratégias que reduzem o impacto na hora H:

  • Foco nos sentidos: Em vez de pensar no “resultado”, foque no toque, no cheiro e no som.
  • Respiração: Respirar fundo e devagar avisa ao cérebro que você está seguro. Comunicação: Falar para o parceiro que você está um pouco ansioso tira o “elefante da sala” e alivia o peso.
  • Tirar o foco do “final”: Combinar que a meta é só o carinho e o beijo, sem obrigação de penetração, ajuda a relaxar.

Quando o problema se torna frequente e começa a gerar sofrimento, pé hora de procurar ajuda profissional. “Um urologista ou ginecologista pode descartar causas físicas, e um terapeuta sexual te ajuda a destravar a mente, entender o que a sua mente está firmando como crença, e os fatores psicológicos são responsáveis por mais de 85% dos casos de quem tem disfunção erétil”, finaliza.

Bianca Lucca

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