No Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, vale olhar além das brincadeiras e refletir sobre as falsas verdades que ainda circulam quando o assunto é sexo. Muitas dessas ideias, repetidas ao longo do tempo, acabam moldando comportamentos, criando expectativas irreais e até dificultando o diálogo entre parceiros. A data é, para a sexóloga Alessandra Araújo, o momento perfeito para desmascarar falácias que circulam entre quatro paredes.
Conforme a especialista, o maior mito de todos é o de que sexo se resume a penetração. “Mentira braba! Sexo é um banquete completo, e a penetração é só um dos pratos (às vezes nem é o principal)”, afirma. “Outra mentira? Que se não for espetacular e suado como no cinema, não valeu. Na vida real, tem risada, tem cãibra e tem até espirro.”
A frequência sexual ideal também integra a lista de mentiras. “Se alguém te der um número exato, tipo três vezes por semana para ser feliz, essa pessoa está mentindo”, alerta Alessandra. “A frequência ideal é aquela que não deixa ninguém frustrado e nem sobrecarregado. Para uns é todo dia, para outros é uma vez por mês com fogos de artifício. O segredo é a sintonia, não o calendário.”
Outra fala popular que a sexóloga desmistifica é a de que homens sempre querem mais sexo do que mulheres. “Essa mentira é tão velha que já devia ter se aposentado”, brinca. De acordo com Alessandra, tal ideia é resultado social: “O que acontece é que muitos homens são ensinados que precisam querer sempre (o que gera uma pressão enorme), enquanto muitas mulheres funcionam com o desejo responsivo — elas precisam de um ‘aquecimento’ mental e emocional para o corpo despertar.”
O orgasmo simultâneo, por sua vez, pode ser um objetivo interessante, mas tratar o acontecimento como meta é receita para estresse. “No sexo real, cada corpo tem seu ritmo”, justifica a especialista. “Tentar sincronizar o ápice é como tentar espirrar junto com outra pessoa: quase impossível e tira toda a graça do processo.”
Relacionar tamanho peniano com satisfação sexual também caracteriza engano. “A maioria das terminações nervosas da vagina estão nos primeiros centímetros da entrada. O que importa mais é o ‘trabalho de braço’, ou de quadril: a técnica, o ângulo e, claro, o estímulo ao clitóris, que é o verdadeiro dono da festa”, aponta.
Já a pornografia pode acabar em um efeito contrário do que o desejado por não retratar um sexo real. “Só se você achar que Velozes e Furiosos reflete como as pessoas dirigem para ir ao supermercado”, Alessandra compara. “A pornografia é uma performance acrobática feita para a câmera. No sexo real, ninguém fica 40 minutos na mesma posição sem travar a coluna, e as pessoas se comunicam com palavras, não apenas com gemidos de estúdio.”
E a falta de desejo significa problemas no relacionamento? A especialista responde que não necessariamente. “Às vezes, o problema não é o parceiro: é o boleto vencido, o chefe chato ou o cansaço acumulado. O desejo não vive no vácuo; ele precisa de espaço mental. Agora, se a falta de desejo vier acompanhada de falta de respeito ou admiração, aí a luz amarela acende.”
Além disso, não alcançar o orgasmo em todas as relações é completamente normal, ao contrário do que muitas pessoas acreditam. “Tratar o orgasmo como a linha de chegada obrigatória transforma o sexo em tarefa de casa”, propõe Alessandra. “Às vezes o caminho é tão gostoso que a gente nem precisa chegar no destino final para se sentir satisfeito e conectado.”
A ideia de que “quem ama sabe o que fazer” é uma das mentiras que mais estragam relações, segundo a sexóloga. Ou seja, o sexo bom pode acontecer naturalmente, mas o aprendizado é o que dita a troca. “Sexo é como dança: você pode ter ritmo, mas precisa aprender os passos do parceiro. Exige curiosidade e comunicação.”
Assim, a regra básica para que as mentiras não tomem conta da vida sexual é o diálogo. “Muita gente acha que falar corta o clima. Mentira! O que corta o clima é o parceiro passar 10 minutos fazendo algo que você odeia porque você tem vergonha de guiar a mão dele”, defende Alessandra. “Conversar sobre sexo é o maior afrodisíaco que existe, porque gera intimidade real.”
Soma-se ao diálogo a honestidade sobre sentimentos e vontade. Caso a libido não esteja em sintonia com a do parceiro, a especialista sugere falar a verdade ao invés de inventar desculpas. “O ideal? Ser honesto: “Hoje meu corpo quer apenas um cafuné e Netflix”. A verdade liberta (e relaxa)!”, completa.
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