Sexo em dia, divórcio à vista: mulheres revelam frequência antes do fim

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Usar a frequência do sexo como termômetro do casamento pode parecer lógico, mas a realidade é menos previsível. Embora pesquisas apontem que casais sexualmente ativos costumam relatar maior satisfação na relação, isso não significa que a rotina íntima funcione como garantia contra crises ou rompimentos.

Em entrevista ao Daily Mail, a terapeuta de casais Annabelle Knight alertou que transformar quantidade em sinônimo de saúde conjugal é um erro comum. Para ela, a dinâmica entre intimidade e estabilidade é mais intrincada do que a simples contagem de relações ao longo do ano. Sexo frequente, por si só, não impede que um casamento chegue ao fim.

Para entender melhor essa distância entre aparência e realidade, o  jornal britânico ouviu mulheres que preferiram manter o anonimato. A cada uma delas foi feita a mesma pergunta: quantas vezes fizeram sexo no ano anterior à separação e quando aconteceu a última vez antes do rompimento.

Alison* relatou ter mantido relações cerca de 30 vezes no ano anterior ao fim do casamento. A última vez ocorreu duas semanas antes da separação. Mesmo assim, foi surpreendida pela traição do marido após 14 anos juntos. “No ano que antecedeu o caso extraconjugal dele, 14 anos após o nosso casamento, não vi nenhum sinal de alerta de que ele estivesse tão infeliz a ponto de explodir nossas vidas”, explicou. “Ainda nos beijávamos, ainda falávamos sobre o nosso futuro e ainda fazíamos sexo com a mesma frequência.”

Só depois, revendo a história, percebeu mudanças sutis. “Na época, não percebi que o desejo dele por mim estava diminuindo, mas, olhando para trás, percebi que estava. Mesmo assim, ainda transávamos; eu teria notado se tivesse parado de vez. Me dói pensar que ele pode ter feito isso só para manter a normalidade.”

Sharon* contabilizou 18 relações no ano anterior ao divórcio, sendo a última três meses antes da conversa definitiva. Mãe de duas crianças pequenas, ela descreveu um afastamento gradual. “Nos três meses anteriores ao dia em que contei ao meu ex-marido, Harry, que queria o divórcio, encontrei maneiras de evitar a intimidade. Não foi difícil porque, como mãe de duas crianças pequenas, eu estava exausta. Nossa filha mais nova tinha oito meses, não dormia a noite toda e eu acabava no quarto dela com muita frequência”, revelou.

Já Sally* passou quatro anos sem ter relações com o marido, e nenhuma vez no ano que antecedeu a separação. Para ela, a falta de intimidade acabou se tornando um sinal tardio de que algo estava errado. “Você pensaria que eu teria percebido muito antes que nosso relacionamento estava morto. Mas como sempre priorizamos outras coisas em vez de sexo, demorei muito para perceber que isso não era saudável.”

Apesar do vazio, ela adiou a decisão por causa dos filhos. “Embora eu sentisse muita falta de intimidade, não coloquei um fim ao nosso casamento, principalmente porque queria estabilidade para nossos filhos. Então, me concentrei em criá-los.” O ponto final veio de forma inesperada. “O que levou ao fim do casamento foi um caso impulsivo de uma noite, quando eu tinha 40 anos, enquanto estava com amigos. Eu simplesmente precisava me sentir desejada novamente.”

Daisy*, por sua vez, teve 26 relações no último ano antes da separação, a última seis meses antes do término. A rotina semanal mascarava a desconexão emocional. “Com o tempo, nossa vida sexual se resumiu a uma vez por semana, aos sábados de manhã, e mesmo assim eu estava no piloto automático. Simplesmente perdi o interesse e comecei a inventar cada vez mais desculpas para evitar a intimidade, desde a menstruação até exagerar sobreminha ciática”, contou.

Assim, a regularidade do sexo pode coexistir com distanciamento, frustração ou silêncio emocional. Entre a estatística e a intimidade real, há uma zona cinzenta onde muitos casamentos continuam funcionando — até deixarem de funcionar.

Bianca Lucca

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