Exposição precoce à pornografia estimula postura machista, aponta estudo

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Na era da pornografia a apenas um clique de distância, muito tem se perguntado sobre qual é o impacto da superexposição a filmes explícitos sobre as novas gerações.

Diversos teóricos têm denunciado o caráter misógino da maior parte da indústria pornô, que costuma retratar mulheres totalmente submissas e, muitas vezes, maltratadas por homens preocupados apenas com o próprio prazer. Para eles, esse tipo de produção tem potencial para estimular atitudes machistas em jovens e adolescentes.

Um estudo apresentado na semana passada, durante a Convenção Anual da Associação Psicológica Americana, em Washington, buscou mensurar de forma objetiva o efeito da pornografia sobre o comportamento sexual dos homens e sobre a postura deles em relação às mulheres.

Liderado pela pesquisadora Alyssa Bischmann, da Universidade de Nebraska, um grupo de pesquisadores criou um questionário com 46 perguntas pensado para apontar se um homem se identificava muito ou pouco com duas normas masculinas socialmente construídas: a do playboy, ou seja, daquele que busca ter o maior número possível de parceiros sexuais; e a do homem que busca sempre ter domínio ou poder ao se relacionar com uma mulher.

Acesso à pornografia aos 13 anos

O questionário foi aplicado em 330 homens entre 17 e 54 anos. Todos moravam nos Estados Unidos e 93% se declararam heterossexuais. Os voluntários também responderam quantos anos tinham quando foram expostos à pornografia pela primeira vez — a idade média da primeira exposição foi 13,2 anos, sendo que idade mais precoce registrada foi 5 anos, e a mais tardia, 26.

Essa última informação foi comparada com o resultado dos questionários, permitindo aos autores fazer uma correlação entre a identificação com as duas normas e a idade que a pessoa tinha quando viu um filme pornô pela primeira vez.

O resultado trouxe uma confirmação e uma surpresa para os pesquisadores. Como a equipe esperava, quanto mais cedo os voluntários haviam sido expostos à pornografia, mais eles demonstravam buscar uma relação de poder sobre as mulheres, o que dá força à tese de que a pornografia pode estimular atitudes machistas.

A surpresa veio com relação à norma do playboy. Nesse caso, o resultado foi justamente o oposto, ou seja, os participantes que mais se identificavam com essa postura eram os que tinham tido contato com filmes explícitos mais tarde. Para Bischmann, esse resultado estimula novos estudos, que buscarão explicar a razão. “Outra surpresa foi constatar que o tipo de exposição não afetou a conformidade a nenhuma das duas normas. Nós esperávamos que experiências intencionais, acidentais ou forçadas gerassem resultados diferentes”, acrescentou a pesquisadora.

Humberto Rezende

Jornalista desde 1997.

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