Por que ter um lubrificante na bolsa pode mudar sua vida sexual

Publicado em Sexo e saúde

Recentemente, a apresentadora e modelo Fernanda Lima compartilhou detalhes íntimos sobre como a menopausa afetou sua libido e respostas fisiológicas ao sexo, destacando o lubrificante como um aliado essencial nessa fase da vida. “Por muito tempo, diziam que era um mercado para gays. Que bom que a gente vai pisando nesses tabus todos, e de repente podemos dizer: ‘Nossa, eu amo lubrificante'”, comentou no programa terapiRa

A questão de Fernanda dialoga com um problema que milhares de mulheres enfrentam na menopausa: a diminuição da lubrificação natural do canal vaginal. Devido a queda da produção do estrogênio — o hormônio sexual feminino — sintomas como ondas de calor, irritabilidade e falta de libido são comuns durante o encerramento da vida reprodutiva. 

Nessa equação, o lubrificante surge não apenas para suprir uma necessidade, mas para ampliar as possibilidades de prazer, conforme Rafael Braga, psicólogo comportamental especializado em sexologia. “Ao usar o lubrificante, garantimos que a mucosa vaginal permaneça protegida, evitando microfissuras que causam ardência posterior. Isso permite que a mulher se entregue mais à experiência, sem o receio de sentir dor”, destaca. 

Como transar a três: você, o parceiro e o lubrificante 

Antes de ir ao sex shop mais próximo, é fundamental saber escolher o tipo de lubrificante mais adequado a sua prática sexual. A base de diferentes produtos diverge: água, silicone ou óleo — e cada uma resulta em uma resposta corporal. Para Braga, aqueles à base de água são os mais indicados por serem biocompatíveis e fáceis de limpar, além de totalmente compatíveis com preservativos.

“Os de silicone também são seguros com a camisinha e duram mais tempo, sendo ótimos para situações de maior duração ou uso na água”, acrescenta o especialista. O único alerta é contra os produtos à base de óleo, como vaselina ou óleos minerais. “Eles nunca devem ser usados com camisinha de látex, pois degradam o material rapidamente, aumentando o risco de rompimento e falha na proteção, o que anula a proteção contra ISTs e gravidez.”

Após a compra, deve-se tomar cuidado com o uso reativo — ou seja, só incluí-lo no sexo quando a dor ou a secura já apareceu. “O ideal é que ele seja usado de forma preventiva e recreativa”, recomenda Braga. Outro equívoco perigoso é improvisar com o que tem em casa, como saliva ou hidratantes corporais. “Esses produtos não foram feitos para a mucosa vaginal, podem causar alergias sérias e desequilibrar completamente o pH da região.”

Embora possa ser uma falácia comum, o uso frequente do lubrificante não altera a sensibilidade nervosa a longo prazo. “Pelo contrário, quando o sexo é acompanhado de conforto, o cérebro registra a experiência como algo positivo. Evitar o desconforto crônico preserva a saúde dos tecidos e a resposta sexual, mantendo a vida íntima muito mais satisfatória”, contrapõe o sexólogo. 

Para aqueles que desejam introduzir o lubrificante na hora H sem quebrar o clima, Braga aconselha: “Se ele for visto como parte das preliminares, ele não quebra o ritmo, ele soma. O(a) parceiro(a) pode aplicar o produto durante o toque, em uma massagem íntima ou até como parte de uma brincadeira sensorial. Que ele seja tratado como algo comum e cotidiano em todas as práticas sexuais, seja no sexo vaginal, anal, na masturbação ou com o uso de acessórios. Quando o lubrificante sai da prateleira do remédio e passa a ser visto como um item essencial de conforto e prazer, ele deixa de ser uma interrupção e se torna um elemento que enriquece e facilita a conexão do casal.”

Não economizar o produto e garantir a cobertura total é a dica de ouro do sexólogo para garantir o máximo de prazer. “No caso do sexo vaginal, passar tanto na entrada quanto um pouco mais internamente ajuda muito a manter o conforto do início ao fim”, exemplifica. Caso o produto à base de água esteja gelado, ele instrui aquecê-lo entre as mãos antes do contato para evitar um choque térmico que pode assustar no momento.

Sexo anal e brinquedos 

Já no sexo anal, o uso do lubrificante é estritamente indispensável e preventivo. “Diferente da vagina, o ânus não possui lubrificação natural, então a aplicação precisa ser generosa para evitar qualquer tipo de lesão ou trauma nos tecidos”, justifica Braga. “Aqui, o lubrificante melhora o conforto ao permitir um relaxamento muscular mais seguro e uma penetração que respeite a fisiologia do corpo, transformando uma prática que poderia ser dolorosa em algo confortável e prazeroso.”

Em práticas com acessórios ou brinquedos, o lubrificante muda completamente a textura do contato, fazendo com que materiais como silicone ou vidro deslizem de forma mais natural. “Além disso, para quem pratica a masturbação, o uso do produto reduz a agressividade do atrito repetitivo na pele sensível da glande ou da vulva, prolongando o tempo de estímulo e permitindo explorar novas intensidades de prazer que o toque seco não alcançaria”, acrescenta o especialista. 

“Ainda vivemos cercados de muitos tabus quando o assunto é sexo, o que muitas vezes gera ansiedade e bloqueios que afetam diretamente a nossa saúde mental. Precisamos entender que o autocuidado também passa pela nossa vida sexual. Se existe um recurso que pode alimentar o prazer, diminuir riscos de lesões e tornar a experiência mais leve, ele deve ser usado sem medo e sem culpa. Abrir mão desses estigmas é um passo fundamental para uma vida mais equilibrada e para um bem-estar emocional pleno”, conclui Braga.