Pesquisa liga pornografia agressiva a menor satisfação sexual

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Em meio aos debates cada vez mais frequentes sobre os impactos da pornografia na vida sexual, uma pesquisa chama atenção para um ponto central: mais do que a frequência de consumo, é o tipo de narrativa acessada que pode estar relacionado às experiências de prazer. Ao observar como desejo, afeto e relações de poder são representados, o estudo sugere que essas construções simbólicas podem dialogar diretamente com a vivência sexual fora das telas.

Publicado na plataforma PubMed, o levantamento analisou 827 jovens adultos, com média de idade de 23 anos, sendo 503 mulheres. Os dados foram coletados por meio de questionários online, nos quais os participantes relataram seus hábitos de consumo de pornografia, além de aspectos ligados à satisfação e ao funcionamento sexual. A pesquisa também considerou diferenças entre pessoas com e sem parceiros, ampliando o olhar para além do consumo individual.

Para organizar a análise, os pesquisadores classificaram os conteúdos em cinco categorias principais: romance e paixão, sexo em grupo, variações de gênero, conteúdos considerados tabu e produções centradas em poder, controle ou agressividade. A partir dessa divisão, os resultados indicam que o impacto da pornografia não é homogêneo, variando conforme o tipo de narrativa consumida.

Entre os principais achados, conteúdos com elementos românticos estiveram associados a maiores níveis de satisfação sexual. Em contrapartida, materiais que enfatizam dominação, controle e sexo agressivo apresentaram relação com menor satisfação. No caso dos homens, esse tipo de consumo também esteve associado a pior funcionamento sexual. Entre as mulheres, os efeitos apareceram de forma mais variável, sem reproduzir exatamente o mesmo padrão.

Para examinar as relações entre as variáveis, os autores utilizaram análise de caminhos, permitindo observar como diferentes fatores se conectam simultaneamente. Outro ponto destacado é que os resultados se mantiveram mesmo após o controle de aspectos como a frequência de masturbação, indicando que o tipo de conteúdo consumido pode ter um papel mais relevante do que o hábito em si.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que o estudo é correlacional, o que impede estabelecer relações de causa e efeito. Além disso, os dados se baseiam em autorrelatos e se concentram em um recorte específico de idade.

Ainda assim, os achados contribuem para aprofundar uma questão já apontada por pesquisas anteriores: a de que a pornografia pode estar associada tanto a efeitos positivos quanto negativos, indicando que diferentes representações da sexualidade podem se relacionar com experiências distintas na vida sexual.

Bianca Lucca

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