Outstroking: por que ir mais devagar pode intensificar o prazer

Compartilhe

Velocidade é sinônimo de qualidade? Um levantamento internacional conduzido pelo site de educação sexual OMGYES aponta que, quando se trata de penetração, a lentidão pode ser um fator decisivo para aumentar o prazer. A conclusão surge após entrevistas com cerca de 20 mil mulheres de diferentes países. Entre as participantes, 57% afirmaram considerar especialmente prazerosa a técnica conhecida como outstroking, caracterizada por movimentos mais lentos durante a penetração.

Segundo a sexóloga e psicóloga Alessandra Araújo, quando diminuímos a velocidade, permitimos que o sistema nervoso processe cada milímetro de contato, transformando a penetração em uma experiência imersiva. “O cérebro tem tempo para mapear texturas e variações de temperatura que o movimento rápido atropela. É a diferença entre engolir uma comida e saborear um banquete”, explica.

Sincronia afetiva e aumento da empatia cognitiva são outros fatores que somam na experiência. “A lentidão facilita o alinhamento dos batimentos cardíacos e da respiração. Isso cria um senso de altruísmo dentro da relação, onde o foco deixa de ser apenas o próprio orgasmo e passa a ser o bem-estar mútuo”, aponta a especialista. “A capacidade de reconhecer e compreender os sentimentos alheios é ampliada quando estamos plenamente presentes na cena. No sexo lento, você consegue ler as microexpressões e a respiração do parceiro, ajustando o prazer em tempo real.”

Movimentos rápidos, conforme Alessandra, muitas vezes estão ligados à urgência de alcançar o orgasmo. A lentidão, por sua vez, sinaliza ao corpo que ele está seguro, reduzindo o cortisol e aumentando a ocitocina (o hormônio do vínculo). Por isso, a sexóloga separou 3 posições que propiciam essa sensação:

  1. Lótus (sentados face a face): Esta é a posição definitiva da conexão. Sentados e abraçados, o movimento é ditado por pequenos balanços do quadril. O contato visual é inevitável e a proximidade dos rostos permite que vocês compartilhem a respiração, intensificando a empatia afetiva.
  2. Conchinha (spooning): Deitados de lado, um de costas para o outro. Esta posição limita a amplitude do movimento, forçando a lentidão. O grande benefício aqui é o estímulo tátil de todo o corpo encostado, o que aumenta a percepção sensorial sem a pressão da performance visual.
  3. Borboleta (com elevação): A mulher deita na beira da cama ou com um travesseiro alto sob o quadril, elevando a pélvis, enquanto o parceiro fica de joelhos ou em pé. Essa inclinação permite uma penetração profunda e estável, onde movimentos circulares e lentos de moagem (grinding) estimulam o clitóris e as paredes vaginais de forma contínua.

Prazer feminino na ciência

O estudo, realizado por pesquisadores da Indiana University School of Medicine em parceria com a OMGYES, representa a primeira pesquisa em grande escala dedicada a identificar estratégias usadas por mulheres para ampliar o prazer durante a penetração vaginal. Os resultados foram publicados no periódico científico PLOS ONE e descrevem quatro técnicas distintas: angulação, emparelhamento, balanço e superficialidade.

“Pela primeira vez, temos dados científicos detalhados para entender as diferentes maneiras pelas quais as mulheres experimentam mais prazer com a penetração vaginal. Essas informações podem nos ajudar a construir um vocabulário para descrever o prazer feminino que atualmente não existe”, explica Devon J. Hensel, professor associado de pesquisa na Escola de Medicina da Universidade de Indiana.

“Quando algo sequer tem um nome, torna-se literalmente indizível. Até agora, não existiam palavras para as maneiras específicas pelas quais as mulheres aumentam seu prazer”, destaca a cientista Christiana von Hippel. “Ao dar nomes a essas técnicas comuns e mostrar como elas podem ser eficazes, esperamos que as mulheres se sintam empoderadas para explorar o que gostam e defender o que desejam, dentro e fora do quarto.”

Para chegar aos resultados, os pesquisadores primeiro reuniram relatos e percepções de uma comunidade internacional formada por 4.270 mulheres. A partir da análise dessas experiências, foram identificados padrões que serviram de base para uma segunda etapa quantitativa: um levantamento online com 3.017 mulheres nos Estados Unidos, com idades entre 18 e 93 anos.

A análise revelou quatro estratégias principais usadas para intensificar o prazer durante a penetração:

  • Movimento de balanço: 76,4% das mulheres relataram maior prazer ao “balançar” a base do pênis ou de um brinquedo sexual, criando fricção constante no clitóris enquanto o objeto permanece totalmente dentro da vagina, em vez de realizar movimentos tradicionais de vai e vem.
  • Ângulo: 87,5% afirmaram que pequenas mudanças na posição da pélvis ou dos quadris, elevando, abaixando ou girando o corpo durante a penetração, ajudam a ajustar o ponto de contato interno e a intensificar a sensação.
  • Estimulação a dois: Para 69,7% das participantes, a penetração se torna mais prazerosa quando ocorre junto com estímulo simultâneo do clitóris, seja pela própria mulher ou pelo parceiro, utilizando dedos ou brinquedos sexuais.
  • Estimulação superficial: 83,8% disseram atingir orgasmos com mais frequência ou aumentar o prazer por meio de toques penetrativos na entrada da vagina, feitos com a ponta do dedo, um brinquedo sexual, a ponta do pênis ou até com a língua ou os lábios.
Bianca Lucca

Posts recentes

78% dos usuários de apps de namoro estão esgotados e frustrados

O uso intenso de aplicativos de namoro começa a mostrar efeitos colaterais: ao invés de…

24 minutos atrás

Idade é a mentira mais comum nos apps de namoro; veja truques mais usados

Antes mesmo do primeiro encontro, muitas conexões já começam atravessadas por mentiras. É o que…

30 minutos atrás

Cordas, entrega e prazer: conheça o Shibari, arte japonesa das amarrações

Originário do Japão, o Shibari é uma prática de amarração com cordas que combina técnica,…

1 dia atrás

13 posições sexuais para testar nesta sexta-feira 13

A sexta-feira 13 costuma ser cercada por superstições, histórias de azar e rituais curiosos. Mas,…

4 dias atrás

Quer fazer sexo anal? Antes aprenda a chuca com segurança

Frequentemente citada em memes, piadas nas redes sociais e conversas informais sobre sexo, a chamada…

6 dias atrás

Sexóloga debate culpa e repressão na sexualidade feminina em livro

Foi para preencher a lacuna de uma retratação fragmentada da sexualidade que Alessandra Araújo, psicóloga clínica e…

6 dias atrás