O que um urologista gostaria que todo homem soubesse sobre saúde sexual

Publicado em Pênis, Sexo e saúde

Embora pouco debatida, a saúde sexual masculina deve ser um cuidado essencial entre os homens. Enquanto a ida ao ginecologista é incentivada desde a infância das mulheres, homens raramente procuram o acompanhamento médico íntimo por livre e espontânea vontade. Em entrevista o Blog Daquilo, o urologista Diogo Mendes, responsável pelas Clínicas Uromedical e Instituto de Urologia de Brasília, lista verdades que todo homem deveria saber sobre a saúde sexual. Confira:

Idade mínima para a consulta 

Segundo dados do Ministério da Saúde, a frequência de consultas médicas entre meninas é quase 2,5 vezes maior do que entre meninos entre 12 e 19 anos. A disparidade cresce ainda mais quando comparado com o acesso ao ginecologista e ao urologista: elas realizam 18 vezes mais consultas do que eles. Isso pode estar atribuído a falácia de que consultas urológicas são apenas para homens mais velhos. 

Mendes, no entanto, aponta que a idade mínima para frequentar o consultório urológico é a partir do nascimento. “As crianças precisam ser levadas ao urologista para verificar o crescimento genital adequado e o posicionamento correto dos testículos e da uretra”, explica. A puberdade também é um período que demanda atenção, quando possíveis sequelas do desenvolvimento íntimo podem ser reparadas. 

O começo da atividade sexual também é um convite ao consultório. “Temos que orientar sobre ISTs”, resume o urologista. A fertilidade ainda é analisada caso o homem deseje ter filhos. Já na meia idade, a busca por cânceres é o que mais leva os homens ao hospital. Conforme Diogo, o crescimento da próstata é comum, e consultas de rotina auxiliam na prevenção cancerígena. Em suma, as consultas devem ser feitas anualmente, desde o nascimento até o dia da morte do homem. 

Infertilidade é genética, mas pode surgir de fatores externos 

O especialista destaca que a infertilidade masculina não é comum, atingindo até 10% dos homens. Geralmente, ela é consequência genética. “Por exemplo, o testículo não desceu e não foi operado”, diz. Pacientes expostos constantemente ao calor, como cozinheiros, ainda podem ser expostos ao risco da infertilidade. A investigação das causas é feita principalmente na adolescência. 

Anabolizantes também são grandes inimigos da fertilidade, especialmente o uso de testosterona. “Atrofia o testículo, que, uma vez atrofiado, para de produzir espermatozoides e testosterona”, explica Mendes. 

Disfunção erétil alerta para doenças crônicas

Cerca de 50% dos homens com mais de 40 anos sofrerão de disfunção erétil em algum momento da vida. Embora comum, o problema pode indicar doenças crônicas, já que a ereção é mantida pelo fluxo sanguíneo. Ou seja, a saúde do sistema vascular pode ser analisada pela ereção

“E quem dá o desejo é o sistema hormonal junto com o sistema nervoso. Então, é preciso ter o equilíbrio dos três sistemas para alcançar e manter uma ereção. A disfunção erétil pode estar de fato relacionada a alguma alteração desses sistemas, que sempre são investigados pelo médico urologista”, explana Diogo. 

Exames de fora para dentro 

Questões respiratórias, cardiovasculares e genitais são analisadas em exames de saúde sexual. Após exames físicos, o médico procede para a análise de imagem. “Ou seja, faremos ultrassom da tireoide, do abdômen, dos testículos, e também da próstata se o indivíduo for já acima de 40 anos”, especifica o urologista.

O perfil bioquímico do sangue também é avaliado. “Hemograma, função renal, função do fígado, função das glândulas, glicose, colesterol, ácido úrico são avaliados para certificar que nada está fora do lugar”, disserta. A entrevista clara pode até gerar um constrangimento, mas o médico ressalta que é essencial ser honesto sobre normalidade de ereção e ejaculação. 

Ejaculação precoce é normal e tem tratamento 

Confessar problemas de ejaculação precoce pode ser difícil, mas é o primeiro passo para um tratamento eficaz. Segundo o médico, tal tratamento ocorre em três níveis: emocional, físico e medicamentoso. No segundo passo, Diogo aplica técnicas de retardo da ejaculação, finalizando com remédios que controlam a resposta peniana. 

“Vale salientar que a ejaculação precoce é o “certo”. Ou seja, os animais nascem ejaculadores precoces. Por quê? Porque na natureza o objetivo é a procriação, então os animais ejaculam rápido. Só nós, seres humanos, precisamos aprender a controlar a ejaculação”, acrescenta. 

Masturbação e pornografia em excesso geram problemas de saúde 

A masturbação em excesso — definida pelo especialista como um desvio comportamental sexual — pode culminar em problemas de saúde. “O tratamento é psicológico e medicamentoso, pois indica a busca absurda pelo prazer. É o prazer pelo prazer. Isso trará consequências bastante complicadas no médio e longo prazo”, diz. Para investigar possíveis complicações na saúde sexual, deve-se fazer uma análise hormonal. 

A pornografia, por sua vez, resulta na ruptura da normalidade e na dessensibilização, quando homens não conseguem ficar eretos ou ejacular devido a dependência adquirida de estímulos visuais intensos. “Impacta negativamente o desempenho sexual do homem”, resume Diogo. 

Estilo de vida impacta a resposta sexual

Tabagismo, álcool e alimentação também influenciam diretamente a função sexual. “É aquilo que nossos pais nos disseram ao longo de toda a vida”, brinca. Hábitos saudáveis de alimentação balanceada e atividade física estão ligados à produção hormonal, que dita a resposta sexual. 

A visita anual ao médico também é indispensável para o urologista. “A gente tem que encontrar o problema, nunca esperar que ele nos encontre.”