Higiene íntima: médicos explicam como evitar infecções e irritações após o sexo

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Após o sexo, a vontade de permanecer deitado, relaxando e aproveitando o momento é comum: o corpo desacelera, a respiração se acalma e tudo convida ao descanso. Ainda assim, há um outro chamado acontecendo ao mesmo tempo: o do próprio organismo, que pede atenção aos cuidados íntimos. A higienização após a relação é uma forma de prevenir desconfortos, infecções e manter o equilíbrio da região — mesmo quando a preguiça parece falar mais alto.

Vagina: umidade, xixi e orientações ginecológicas

Permanecer muito tempo com a região íntima molhada após o sexo pode favorecer irritações cutâneas e desconforto, conforme Ana Paula Beck, ginecologista do Einstein Hospital Israelita. Mesmo assim, a região íntima não necessita ser higienizada imediatamente após a relação. Seguindo o mesmo princípio do biquíni molhado, a recomendação universal é manter a região seca e ventilada, evitando a umidade prolongada.

Práticas excessivas de higiene, no entanto, podem prejudicar o microbioma vaginal. “Especialmente aquelas que envolvem produtos internos ou sabonetes perfumados”, resume a médica. “A limpeza externa com água e sabão é suficiente para a maioria das mulheres. O uso de produtos neutros, sem fragrância e com pH próximo ao fisiológico é preferível.”

Segundo a ginecologista, duchas vaginais não são recomendadas, já que o uso está associado ao aumento do risco de vaginose bacteriana, infecções e desequilíbrio do microbioma vaginal. “O American College of Obstetricians and Gynecologists orienta evitar duchas e produtos internos, pois não trazem benefícios e podem ser prejudiciais — não apenas após as relações sexuais, mas sempre”, alerta.

Apesar de não ser exclusivamente transmitida sexualmente, a candidíase é mais provável de surgir em mulheres com uma vida sexual ativa. “O uso de roupas ventiladas e de algodão pode ajudar a prevenir candidíase, mas práticas de higiene excessiva não demonstram benefício. Não há evidência de que hábitos de higiene íntima, como lavagem pós-coito, previnam candidíase”, disserta Ana Paula.

Sinais de irritação ou infecção que indicam necessidade de avaliação ginecológica incluem, segundo a especialista, coceira, ardor, odor desagradável, corrimento vaginal anormal (aspecto, cor ou quantidade), dor pélvica ou vulvar, lesões ou úlceras.

Há ainda uma prática mais importante do que a limpeza: urinar após a relação sexual. Embora o xixi pós-coito não garanta a proteção contra infecções urinárias, é uma recomendação médica baseada em evidências fisiológicas: ao urinar, a mulher ajuda a eliminar bactérias que podem ter sido deslocadas para a uretra durante o sexo, reduzindo o risco de infecção. “Os fatores de risco reais para infecção do trato urinário (ITU) incluem frequência sexual, uso de espermicidas, múltiplos parceiros e histórico de ITU prévia”, acrescenta Ana Paula.

Pênis: prepúcio, glande e orientações urológicas

Os princípios da higienização íntima também se aplicam aos portadores de pênis. Segundo Ariê Carneiro, urologista do Einstein Hospital Israelita, a falta de higiene favorece infecções fúngicas, cuja repetição resulta na balanopostite. “É uma inflamação do prepúcio, que pode evoluir para fimose”, explica.

A forma correta da limpeza peniana inicia-se na exposição da glande com a abertura do prepúcio. “Se o paciente não consegue expor a glande, significa que não é possível fazer uma boa higiene. Com isso, aumenta o risco de câncer de pênis.” Em seguida, o especialista orienta a usar apenas água e sabonete neutro e secar bem o membro antes de tampar a glande.

Urinar após o sexo também é importante para os homens. “Tanto antes da relação quanto depois”, define o urologista. Embora infecções urinárias masculinas sejam raras quando comparadas com a incidência das femininas, fazer xixi após relações sexuais é recomendável para ambos os sexos.

Bianca Lucca

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