Esposa de Macron é mais velha. E daí?

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“Bela, recatada e do lar”: o combo, usado para classificar a primeira-dama brasileira, Marcela Temer, virou meme. A mulher de Michel Temer tem 42 anos a menos que ele. E tudo bem. As pessoas criticaram um pouco o tom machista que a imprensa usa para falar dela, mas, no fim, ficou por isso mesmo. O relacionamento deles existe. Tudo, porém, é muito diferente quando o homem é o mais jovem. Brigitte Trogneux é 24 anos mais velha que seu marido, o novo presidente da França, Emmanuel Macron. E as pessoas têm muita dificuldade para aceitar isso.

Desde a campanha, no ano passado, Macron foi personagem de inúmeros boatos. “Ele é gay”, disseram. “Ele tem um caso com um executivo”, “O casamento é de fachada”, “Ela é uma espécie de guru político e vai governar no lugar dele”. Todas essas hipóteses propagadas pela mídia no mundo inteiro têm duas fontes: o machismo e a misoginia.

Brigitte foi professora de Macron quando ele tinha 15 anos e ela, 39. Ela não se encaixa em muitos padrões para primeiras-damas. Além seguir o caminho contrário para uma “bela, recatada e do lar”, Brigitte se separou do marido, com quem teve três filhos, para se casar com Macron. E, para isso, teve muita coragem. O problema é que as pessoas não conseguem vê-la como digna de amor. Afinal, é velha, não é muito bonita, estaria vivendo uma história que não é a dela, é uma aberração.

A reação não é a mesma para Marcela Temer, nem para Melania Trump, que, pasme, tem a mesma diferença de idade em relação ao marido, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: 24 anos. Daí vem a reação já impaciente de Macron: “Se eu fosse 20 anos mais velho que minha mulher, ninguém questionaria a legitimidade do meu relacionamento nem por um segundo. O fato de ela ser 20 anos mais velha faz as pessoas pensarem que não tem credibilidade, é impossível”

Tão confusos com a possibilidade de um homem jovem, bonito e poderoso se envolver com uma mulher tão mais velha, a misoginia e o machismo encontraram um refúgio na homofobia. Disseram que ele era gay, como se aquilo fosse uma doença. Ele também rebateu os comentários com classe, dizendo que as pessoas haviam perdido “o senso de realidade”, e que tinham “um grande problema com a homossexualidade”.

Toda essa polêmica coloca o casal sob constante vigilância. Em janeiro, a mesma revista Veja, que cunhou o termo “bela, recatada e do lar”, publicou que, quando Macron era ministro da Economia, sua esposa começou a aparecer em público com “saltos cada vez mais altos e vestidos cada vez mais curtos”.

Não é só para a mídia francesa que Brigitte é inconcebível. A aparência dela incomoda muita gente. Em artigos publicados na imprensa estrangeira, há críticas porque “ela não se veste conforme a idade”; o bronzeamento é inadequado na visão dos homens; nasceu o apelido “Barbie na menopausa”. Até — pasme! — foi fotografada de maiô. Ser mulher e seguir tantas regras é tarefa impossível. Para algumas, como Brigitte, é mais ainda.

Thais Cunha

Feminista, repórter, mas gosta mesmo daquilo que todo mundo gosta hoje em dia (isso mesmo, trabalhar com redes sociais)

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